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Seção Entrevista
14/11/2012 - 15:47:01
Entrevista com Paulo Solti, presidente da Volvo Cars no Brasil e América Latina - Parte II
Por Juliana de Moraes e Bruna Madeira
Foto: Sincodiv-SP/A. Freire Paulo Solti, presidente da Volvo Cars no Brasil, já trabalhou no segmento automotivo europeu e está otimista quanto à estabilização das regras para a indústria automotiva brasileira.

 

Sindcodiv-SP Online: As projeções revistas da Volvo Cars estão se concretizando? Qual era a previsão de vendas para 2012 antes do anúncio das medidas e como ficou depois?

Paulo Solti: No planejamento de curto prazo, fazemos um formulário com a previsão de dez meses, e os períodos que pensávamos que seriam bons neste ano foram horríveis e outros foram melhores do que o esperado. Então, 2012 está sendo um ano de muitos altos e baixos.

Pensávamos em manter os níveis do ano passado, mas ao longo do ano percebemos que a realidade não estava compatível com isso, pois não era o que estava acontecendo.

Isso foi válido para nós, mas também para todos os demais players deste mercado. A exceção à regra só ocorreu pelo lançamento de novos produtos. Quem não fez isso, você percebe que teve uma queda de volume de 30% a 40%, como todo mundo.

Sindcodiv-SP Online: Diante no novo cenário, a expansão do mercado de importados premium no Brasil está em xeque?

Paulo Solti: Não é porque esse ano o mercado retraiu, não por uma condição macroeconômica, mas por uma questão pontual, de taxa, imposto, que a expectativa do segmento premium no Brasil está comprometida.

A previsão para 2016 é de que mais de 150 mil carros importados sejam vendidos dentre as cinco principais marcas do setor (Audi, BMW, Land Rover, Mercedes e Volvo Cars). Então, devemos considerar o potencial de triplicar o número de negócios nos próximos anos. Não vai parar. Pode ser um ano difícil sim, mas a economia não vai parar.

O trabalho para o desenvolvimento da marca é contínuo: formação, instalação, ampliação, novos pontos... por exemplo, o Rio de Janeiro tem concessionários que abriram um novo ponto não só ao lado de oficinas, como abriram pontos na zona sul. Então são horas, momentos em que você tem que discutir com as pessoas para entender qual é a qualidade e a realidade do mercado.

O Brasil hoje faz parte dos top 20 da Volvo. A América Latina faz parte dos 17 principais mercados para a marca. Temos um segmento premium diferenciado no Brasil.

Sincodiv-SP Online: O Brasil tem maior potencial de crescimento para a marca do que outros países emergentes?

Paulo Solti: Na verdade eu nunca fiz essa conta, não me preocupo em fazer comparação do potencial do Brasil com os de outros países. Não há, digamos, uma competição entre nós e a Rússia, nós e a China...

O que existe é o potencial de cada mercado, então buscamos aproveitar o máximo. Dizer que a Rússia vai ser mais rentável que o Brasil no final do dia não importa nada porque o que manda é o crescimento do potencial de mercado e da classe econômica que vai consumi-lo, no nosso caso, da classe A1.

Nos outros mercados são outros os fatores que levam ao crescimento. Posicionamento de preço, por exemplo. Como as taxas e os impostos são diferentes não dá para comparar... há regiões onde a Volvo compete diretamente com VolksWagen. Por quê? Porque a Volks também é considerada uma marca premium naquele país, o que não é o caso no Brasil, que tem apenas uma linha da marca que é de importados.

O que eu posso garantir é que o Brasil é um dos focos de crescimento da Volvo. Triplicar um volume em cinco anos não é nada tão fácil de fazer, sobretudo em mercados maduros, como o europeu, que atualmente é o maior foco da empresa. China, Brasil, Rússia e Índia são regiões às quais a direção da montadora olha com muita atenção porque é sabido que é delas que virá o crescimento mais significativo.

Sincodiv-SP Online: Como o setor, a seu ver, se prepara para uma recuperação em 2013, tendo em vista a retração verificada neste ano de 2012?

Paulo Solti: A previsão para 2013 é de recuperação sim, mas precisamos entender exatamente todos os impactos do novo plano automotivo para poder afirmar categoricamente se vamos crescer, estagnar... O que é fato para nós da Volvo Cars é que todo o plano da empresa está mantido.

Os lançamentos dos carros previstos vão acontecer, a organização, os programas de eficiência da rede, tudo isso vai continuar.

Sincodiv-SP Online: Na sua opinião, qual o maior obstáculo para o desenvolvimento do setor no país?

Paulo Solti: O maior problema que existe hoje no Brasil são os impostos. A carga tributária aqui que incide sobre o preço dos carros é enorme. Não só sobre o carro, mas sobre as peças e as estratégias logísticas. Um exemplo: trazer um carro de navio da Suécia para cá custa mais barato do que transportar do Espírito Santo para São Paulo, em termos de custo por unidade.

O custo logístico no Brasil fica caro porque tem imposto sobre peça de caminhão, sobre o combustível, sobre o caminhão em si, sobre a folha de pagamento do motorista, sobre o cara que descarrega o navio. Então toda essa cascata, no final do dia, quem paga somos nós.

As pessoas às vezes comparam o preço unitário entre os carros no Brasil e na Europa. Mas não é só calcular o custo do imposto, tem que calcular o preço das peças que precisamos trazer, o fundo de garantia, o custo da mão de obra, os encargos sociais – que no Brasil são altíssimos –, então o custo Brasil está ficando realmente muito caro. Quem paga isso é o distribuidor final.

Para conseguir vender, hoje, algumas montadoras como nós, estamos cobrando um valor pelo veículo que não reflete o aumento de carga tributária que tivemos. É uma situação muito difícil em termos de rentabilidade para os importadores e distribuidores do segmento no Brasil hoje.

Sincodiv-SP Online: A Volvo Cars tem planos de inaugurar uma fábrica no Brasil?

Paulo Solti: É muito difícil dizer. A empresa tem um foco muito grande nos países emergentes. A Volvo analisa a construção de fábrica no Brasil, mas não tem nenhuma decisão tomada.

Neste momento, a montadora está fazendo um investimento muito forte da China, abrindo três fábricas lá. Mas, analisamos as possibilidades em todos os mercados.

Sincodiv-SP Online: Como está estruturada a rede da Volvo Cars hoje e quais as perspectivas para os próximos anos?

Paulo Solti: Atualmente 21. Temos cinco em abertura ainda esse ano, ou seja, fecharemos com 26. E, nos próximos anos planejamos ampliar em mais ou menos 24, 25 concessionárias... devemos dobrar o número nos próximos dois ou três anos, talvez.

Sincodiv-SP Online: Qual o perfil de empreendedor da área de distribuição que tem a ver com a marca?

Paulo Solti: Existe uma evolução natural do elemento concessionário, o dealer, no caso. Normalmente esse empreendedor vem do mercado de usados, abre a sua primeira concessionária - que normalmente é de marca generalista - e muitos deles têm hoje 10, 15, 20 pontos de vendas. O segundo passo então é ir para uma marca premium.

Trabalhar com esse tipo de marca é bem diferente do que com a generalista, pois a estabilidade financeira do negócio vem de lugares diferentes.

Hoje temos 80% dos carros de marcas generalistas vendidos com financiamento e apenas 20% sem. No nosso caso é praticamente o inverso que ocorre. As vendas são praticamente todas à vista. Quem é revendedor sabe o que eu estou querendo dizer... a rentabilidade do negócio tem uma origem diferente e todo o método relacionado à venda também.

Diga ao cliente do mercado generalista que determinado acessório está saindo muito e a probabilidade de conseguir emplacar a venda cresce. Já no premium essa não é uma abordagem inteligente. Estamos falando de um cliente que quer exclusividade, quer ser raro e, se possível, o único!

 

 

 

 

Produção e edição:
Moraes & Mahlmeister Comunicação