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Seção Entrevista
26/10/2010 - 17:08:02
Bate-papo com Márcia Cavallari, CEO do Ibope Inteligência
Por Márcia Cavallari
Foto: Divulgação Ibope Márcia Cavallari, CEO do Instituto de Pesquisas Ibope Inteligência.

Pesquisas de opinião e estatísticas estão no dia a dia da população, mas com certeza nunca de forma tão marcante como em época de eleições. Muitos acreditam que percentuais e índices podem acarretar em mudanças nos resultados finais das disputas, mas como saber o quanto tais pesquisas influenciam o eleitor?

 

Para falar um pouco sobre este e outros assuntos relacionados às pesquisas e sondagens, o Sincodiv Online entrevistou Márcia Cavallari, CEO do Ibope Inteligência (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística).

 

Além de eleições e opinião pública, a executiva tratou de temas que vão desde a criação do Instituto até os projetos sociais e ambientais de uma das maiores empresas de pesquisa do país e do mundo.

 

Acompanhe o bate-papo a seguir.

 

Sincodiv Online: Tendo em vista as diversas sondagens realizadas, qual é o papel do Ibope na vida e no modo de pensar da população?

 

Márcia Cavallari: O produto do Grupo Ibope é a informação a ser utilizada como instrumento de orientação no processo decisório.

 

No Brasil, somos o maior e mais diversificado fornecedor de informações para a tomada de decisões nas áreas de Marketing, Propaganda, Mídia e Internet, e nas esferas empresarial, política e governamental.

 

Assim, estamos cientes da grande responsabilidade social de que se reveste nossa atividade e assumimos o compromisso com os princípios éticos que regulam nossa conduta: Integridade, Independência, Confidencialidade e Responsabilidade.

 

O respeito à dignidade e à observância dos direitos e deveres dos cidadãos, sejam eles clientes, funcionários, fornecedores, acionistas, colaboradores ou membros das sociedades nas quais atuamos, são premissas básicas que norteiam nossos relacionamentos, visando o bem estar da coletividade.

 

Sincodiv Online: Qual a sua opinião a respeito dos efeitos das pesquisas? No que se refere às eleições, elas realmente influenciam as decisões das pessoas?

 

Márcia Cavallari: Não existem estudos conclusivos sobre a influência das pesquisas na decisão do eleitor, mas sabe-se que elas são mais uma fonte de informação para que ele decida seu voto.

 

Fica muito difícil saber qual é o efeito isolado que as pesquisas têm na decisão de voto do eleitor, uma vez que estão expostos a muitas outras fontes de informação, como o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, campanha de rua, matérias que a imprensa faz sobre os candidatos, debates, conversas com familiares, amigos, colegas de trabalho, etc.

 

Além disso, o eleitor pode tomar várias atitudes com base na informação da pesquisa. Pode votar em quem está na frente, pode votar em quem está em segundo colocado porque não gosta do primeiro, pode votar branco/nulo, pode escolher aquele que, entre os que estão na frente, mais defende as ideias que acredita, etc. Não se pode dizer que o efeito, se existir, seja apenas em uma única direção, caso contrário, não aconteceriam as viradas que frequentemente ocorrem nas eleições.

 

Sincodiv Online: Qual deve ser o número de amostragem mínimo para que se consiga uma ideia das intenções de voto para a Presidência, por exemplo? O que deve ser abrangido dentro desse contexto?

 

Márcia Cavallari: O tamanho da amostra não determina se ela é de boa ou de má qualidade. Mais importante do que o seu tamanho é a sua representatividade, ou seja, o seu grau de similaridade com a população em estudo. Portanto, todos os grupos sociais e as várias regiões geográficas devem aparecer na amostra em proporção muito próxima à da população pesquisada, no caso do exemplo, a brasileira.

 

Sir Conan Doyle, criador do personagem Sherlock Holmes, tem uma visão interessante a respeito da teoria da probabilidade:

 

"Enquanto um homem individualmente é um quebra-cabeça insolúvel, no conjunto, ele se torna uma certeza matemática. Você nunca pode prever o que um homem fará, mas pode dizer, com precisão, o que, em média, um determinado número deles fará. Individualmente eles variam, mas em média se mantêm constantes".

 

Sincodiv Online: Ainda sobre eleições, pesquisas de possíveis vencedores de primeiro e segundo turno não seriam previsões que, muitas vezes, “elegem” políticos antes da hora?

 

Márcia Cavallari: As pesquisas eleitorais são um retrato do momento da opinião pública, não um prognóstico do futuro. Em algumas situações, pode parecer que seja improvável a inversão de uma tendência apontada por uma série de pesquisas – quando detectamos alguma “onda” em movimento. Entretanto, sabemos que uma mesma eleição pode trazer inúmeros fatos políticos que alterem uma tendência, interrompendo a trajetória de crescimento de um candidato e favorecendo outro, por exemplo.

 

Sincodiv Online: E por parte dos políticos? Nota-se alguma mudança de comportamento e/ou campanha após a divulgação de resultados?

 

Márcia Cavallari: Sim. É muito comum que os candidatos que não estão liderando ou não estão em crescimento contestem as pesquisas eleitorais.

 

Sincodiv Online: Além de amostras de intenção de voto, quais outros serviços Ibope presta?

 

Márcia Cavallari: O Grupo Ibope é composto por dois grandes negócios: Ibope Media e Ibope Inteligência, além de algumas parcerias estratégicas. De uma maneira geral, são mais de mil estudos divulgados por ano.

 

O Ibope Media, conhecido no Brasil como Ibope Mídia, é responsável pelas pesquisas de investimento publicitário, mídia e hábitos de consumo. Oferece uma ampla linha de produtos que atende às necessidades de veículos de comunicação, agências de publicidade e anunciantes.

 

O Ibope Inteligência atua em estudos de mercado, comportamento, marca, opinião pública e internet, auxiliando as organizações na elaboração de estratégias – nas decisões táticas e nos processos de inovação. Essa área discute em profundidade os temas, oferecendo soluções personalizadas.

 

Sincodiv Online: Como é a atuação do Instituto nos outros países e qual a sua credibilidade lá fora?

 

Márcia Cavallari: O Ibope foi criado em 1942 pelo radialista Auricélio Penteado, proprietário da Rádio Kosmos de São Paulo. Naquele ano, ele decidiu aplicar, no Brasil, técnicas de pesquisa aprendidas nos Estados Unidos, com George Gallup, fundador do American Institute of Public Opinion, para saber como andava a audiência de sua emissora.

 

Ao medir a audiência da rádio, Auricélio constatou que a Kosmos não estava entre as mais ouvidas, mas o grande marco não foi essa constatação e sim a atenção que deu à sondagem. A partir daí, passou a dedicar-se exclusivamente às pesquisas, criando o Instituto.

 

Hoje, o Ibope opera no Brasil e em mais 13 países da América Latina. Com um escritório comercial em Miami, nos Estados unidos, a empresa acaba de consolidar seu processo de globalização com novas unidades do Ibope Inteligência.

 

O Instituto adquiriu recentemente a empresa americana Zogby International, com sede em Nova Iorque, expandiu sua atuação com a abertura de um escritório no Chile e a compra da empresa SKA, em Porto Rico, que também atua com pesquisas de opinião, política, e ad hoc (pesquisa feita sob encomenda).

 

Sincodiv Online: Partindo para outro ponto, quando foi criado o Instituto Paulo Montenegro, atrelado ao Ibope? Qual é sua função e área de atuação?

 

Márcia Cavallari: O grupo Ibope criou, em 2000, o Instituto Paulo Montenegro, uma organização sem fins lucrativos que tem por objetivo desenvolver e executar projetos educacionais.

 

Ao escolher a educação como foco exclusivo, o Instituto Paulo Montenegro otimiza esforços para criar novas alternativas pedagógicas para o ensino no Brasil. Suas atividades concentram-se em dois programas: o Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional) e o Nepso (Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião).

 

Sincodiv Online: Como eles funcionam e qual o objetivo deles?

 

Márcia Cavallari: O Inaf é um indicador que mede os níveis de alfabetismo funcional da população brasileira adulta. O objetivo é oferecer à sociedade informações sobre as habilidades e práticas de leitura, escrita e matemática dos brasileiros entre 15 e 64 anos de idade, de modo a fomentar o debate público, estimular iniciativas da sociedade civil e subsidiar a formulação de políticas nas áreas de educação e cultura.

 

O programa Nepso consiste na disseminação do uso da pesquisa de opinião como instrumento pedagógico, em escolas públicas de ensino regular fundamental e médio e em cursos de Educação de Jovens e Adultos (Eja). É fruto da parceria entre o Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa, sob a coordenação geral de Marilse Araujo.

 

A metodologia proposta para o desenvolvimento de projetos de pesquisa de opinião pode propiciar aprendizagens significativas que vêm ao encontro das orientações curriculares atuais para a educação básica. Pode constituir experiências de prática escolar que concretizam os princípios da contextualização de conteúdos, integração de disciplinas, valorização da iniciativa e autonomia dos jovens, cidadania e participação firmados nessas orientações, criando possibilidades de inovação do trabalho pedagógico.

 

No momento, esses projetos são o principal foco do Instituto Paulo Montenegro.

 

Sincodiv Online: Hoje em dia, muito se discute em torno da sustentabilidade e do desenvolvimento sustentável. Qual a postura do Ibope quanto a esses temas? O Instituto tem promovido alguma ação nesse sentido?

 

Márcia Cavallari: A empresa implantou, no primeiro trimestre de 2009, o programa Sustentação, que visa incorporar o assunto no centro das decisões da empresa.

 

Com base na Política de Sustentabilidade, definida pelo comitê do programa que gerencia o assunto – formado por oito profissionais de diferentes áreas – foram traçadas as linhas mestras de atuação. O objetivo principal é o de integrar os negócios do Ibope ao conceito de Sustentabilidade, implantando processos que orientem a organização a atingir essa meta.

 

Sincodiv Online: Quais são os pilares do programa Sustentação?

 

Márcia Cavallari: O programa é baseado no equilíbrio dos princípios social, ambiental e econômico, integrando práticas sustentáveis aos negócios da empresa.

 

No âmbito social, gera informação e conhecimento; no aspecto ambiental, contempla práticas focadas na redução do consumo e no reaproveitamento de recursos por meio da reciclagem; já no que diz respeito às questões econômicas, difunde práticas relacionadas à perenidade do negócio.

 

Sincodiv Online: Qual é, então, o principal lema do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística?

 

Márcia Cavallari: A missão da empresa é contribuir de forma relevante para a maximização dos resultados e redução de riscos na tomada de decisão por nossos clientes, através do provimento de informações e conhecimento, fundamentados principalmente em pesquisas de mercado, mídia e opinião.

 

Produção e edição:
Moraes & Mahlmeister Comunicação
Juliana de Moraes e Thieny Moltini