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Seção Entrevista
15/06/2010 - 17:12:04
Entrevista com Sérgio Zardo, presidente da Abradif
Por Sérgio Zardo
Foto: A. Freire Sérgio Zardo, presidente da Abradif até 2012, falou dos planos e desafios da Associação.

Fundada em 1980, a Abradif (Associação Brasileira dos Distribuidores Ford Autos e Caminhões) defende o interesse de sua rede há 30 anos e já contou com muitos dirigentes de gabarito ao longo desse período. Sérgio Zardo, que conta com mais de 14 anos de experiência com a marca Ford e é o atual presidente da Associação, assumiu o cargo em novembro de 2009, ao fim da gestão de Benedito Porfírio Lima (entrevistado pelo Sincodiv Online em 2007).

 

Dentro da Abradif, a trajetória de Zardo é extensa. Iniciou como representante dos distribuidores, em Curitiba (PR), passou para a presidência regional de representação também no Paraná, e daí para frente participou ativamente dos comitês técnicos dentro da Associação. Esteve próximo especialmente dos de Administração de Negócios e de Assuntos Financeiros, dos quais futuramente seria também coordenador. Em 2007 foi vice-presidente nacional da Abradif e em novembro de 2009 assumiu o cargo atual, de presidente da Associação.

 

Em conversa com o Sincodiv Online, ele falou dos principais desafios que a rede enfrenta, sobre planejamento de novos produtos da marca para o país e fez algumas projeções sobre o mercado de automóveis e caminhões. Acompanhe a entrevista na íntegra a seguir.

 

Sincodiv Online: Quais os principais desafios enfrentados pela Abradif e quais ainda devem surgir até o final de sua gestão, em 2012?

 

Sérgio Zardo: O nosso principal projeto dentro da Abradif, que é bastante desafiador, é melhorar constantemente o relacionamento entre a Associação e a rede e desta com a montadora. Queremos demonstrar total transparência em nossa gestão, pois os concessionários, sentindo-se mais próximos, ficam mais confortáveis para opinar, criticar e participar. Isso facilita a manutenção do relacionamento com a montadora que, hoje, podemos dizer que é de alto nível.

 

A preocupação é tornar o negócio do distribuidor rentável, ajudar na administração através das negociações com a montadora para que a margem de lucro aumente. Os desafios futuros estão voltados a um aumento da produtividade com equilíbrio do negócio.

 

O outro desafio diário que enfrentamos é a velocidade da informação. Lutamos para que toda informação gerada pelos comitês técnicos (que atuam em diversas áreas de negociação junto à montadora) cheguem mais rápido para os distribuidores e mais, que se espalhem rapidamente também pelas empresas deles. Nesse quesito, iniciamos um projeto para aumentar a velocidade da comunicação com a rede.

 

Sincodiv Online: De que forma essa agilidade é alcançada?

 

Sérgio Zardo: Promovemos um recenseamento completo na rede, atualizando nomes e contatos dos titulares das empresas, e buscamos também todos os cargos de gerência dentro das organizações.

 

Dessa forma, ganhamos agilidade na comunicação, pois não é necessário que a informação passe pelos titulares para que depois seja espalhada às diversas áreas de suas concessionárias. Com esse novo modo, disparamos a informação para todos os gerentes de setores e cada um deles se incumbe de transmiti-la aos seus funcionários, o que agiliza o processo.

 

Sincodiv Online: Em relação à crise financeira que enfrentamos, pode-se dizer que a situação já está superada? Como você destacaria a ação da Ford naquele momento?

 

Sérgio Zardo: Devo dizer que a Ford foi muito rápida quanto às suas ações no momento crítico. Depois que o governo divulgou as medidas de incentivo, a marca foi ágil para refaturar os veículos e agressiva na aceleração de escoamento dos estoques. Essas medidas permitiram que os concessionários da rede enfrentassem a crise de maneira mais firme e saíssem dela sem grandes sequelas.

 

Quanto à crise de uma maneira geral, acredito que esteja superada. Não existem motivos para se acreditar que ela ainda nos ameace, mas isso não significa desatenção, afinal de contas, adentramos uma outra fase do mercado.

 

Sincodiv Online: Que fase seria essa fase? Em sua opinião, qual é a nova tendência do mercado?

 

Sérgio Zardo: Depois de superada a crise, estamos, agora, num momento pós-IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Março foi um mês extraordinário, com grandes recordes de vendas. Abril já demonstrou retração e maio deu sequência a esta queda. Este movimento se deve pela antecipação de compras que o consumidor realizou no terceiro mês do ano.

 

A preocupação nesse novo estágio é com o preço dos carros, que se elevou por conta da volta do IPI, bem como a subida da taxa de juros para o crédito na compra do veículo. Estes fatores podem influenciar de maneira negativa o ritmo das vendas.

 

Devemos estar atentos também à situação externa, especialmente a da Europa. Se ela se complicar, pode causar um novo baque no setor financeiro e também desestabilizar o segmento de automóveis, que é muito dependente do crédito.

 

O Brasil, no entanto, está numa situação um pouco mais confortável. Por este ponto, acredito que durante, ou após, julho o mercado brasileiro deve se normalizar e ritmar novamente o aumento de vendas, podendo alcançar um crescimento de 10%, sobre 2009, vendendo algo em torno de 3,4 milhões de veículos no mercado interno.

 

Sincodiv Online: E, quanto aos usados?

 

Sérgio Zardo: A elevação dos preços dos veículos novos deve impulsionar este mercado. Provavelmente, os usados terão uma valorização, mas pequena, e a troca destes veículos deve aumentar em relação ao atual patamar.

 

Sincodiv Online: Quanto ao mercado de caminhões, o que o senhor poderia dizer a esse respeito?

 

Sérgio Zardo: Em 2009, tivemos uma queda significativa nesse segmento por conta da crise. Mesmo com as ações de incentivo do governo, a resposta desse setor costuma ser mais lenta. Acredito que teremos uma boa recuperação de caminhões em 2010 porque só agora atenderemos a uma demanda reprimida do ano anterior.

 

Sincodiv Online: Qual a maior dificuldade desse setor?

 

Sérgio Zardo: O setor de caminhões é muito dependente da oferta de crédito, por isso encolheu no ano passado. Em 2010, apesar das melhores condições e do possível crescimento, a liberação de crédito do Finame (Financiamento de Máquinas e Equipamentos) do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) ainda apresenta grande atraso.

 

Alguns concessionários reclamam que a demora, às vezes, ultrapassa 90 dias. E, como a procura por estes produtos é grande, esse atraso aumenta a demanda de capital de giro do distribuidor e pode gerar graves prejuízos. Assim, há o forte pedido de que haja uma diminuição significativa no tempo de liberação para o crédito do Finame.

 

Sincodiv Online: Com quantos concessionários a rede da Abradif conta atualmente? A rede é unida, ela fala a mesma língua?

 

Sérgio Zardo: Entre automóveis e caminhões, contamos com 450 concessionárias que pertencem a cerca de 250 grupos econômicos. É uma rede bem capilarizada e atuante em todo o país.

 

A rede é muito igualitária em suas necessidades, guardadas as diferenças entre automóveis e caminhões. É preciso ressaltar aqui um grande mérito da montadora Ford, que oferece o mesmo tratamento cordial e de diálogo a todos, sem diferenciar grupos e regiões específicas. Durante os pleitos, todas elas são ouvidas da mesma maneira, mas é claro que as necessidades da maioria são prioridade.

 

Sincodiv Online: Como a Associação atua para o pequeno concessionário nesse caso?

 

Sérgio Zardo: Como a rede tem concessionários que pertencem a grandes grupos financeiros e trabalham com diversas marcas, a importância da Abradif aumenta para o pequeno distribuidor de uma bandeira só. Esse último tem necessidades específicas que também precisam ser atendidas e é nesse ponto que a Associação dá voz e suporte ao distribuidor, defendendo seus interesses nos pleitos junto à montadora.

 

Sincodiv Online: Em 2007, o Sincodiv Online entrevistou o senhor Benedito Porfírio, então presidente da Associação, que falou de treinamentos e encontros promovidos pela Associação. Esses eventos ainda vigoram?

 

Sérgio Zardo: Sim, todos os treinamentos e encontros ainda ocorrem. Na verdade, essa prática se intensificou dentro da Associação a partir de 2007, durante a gestão do Porfírio e mantivemos essa veia ativa. Existem várias frentes de atuação como o PNT (Programa Nacional de Treinamento), o Jovem Liderança, o Treinador Campeão, etc.

 

Um dos principais focos da Abradif é a área de treinamento. O mundo mudou muito nos últimos 10 anos, e continua mudando. Para acompanhar os novos padrões, se manter competitivo, é necessário aumentar o preparo sempre.

 

Oferecemos cursos para todas as áreas: Vendas, Pós-Venda, Administração e Finanças, Liderança, Sucessores e tudo o mais. Em abril, por exemplo, 33 alunos se formaram no Insper-Ibmec de São Paulo no curso de Pós-Graduação que faz parte do Programa Jovem Liderança Ford.

 

Nossa atenção, no momento, se volta para área de Pós-Venda. A Associação criou um sistema em que os cursos não são mais marcados em um local e data específicos para que os diversos distribuidores se reúnam. Agora, os cursos são ministrados dentro das próprias concessionárias.

 

A Abradif montou uma equipe de treinadores e consultores que viaja pelo país e visita as lojas que requisitam os cursos e treina os funcionários dentro da própria “casa”. Assim, têm mais possibilidades de tirar dúvidas e incluem as práticas aprendidas no seu dia a dia.

 

Essa iniciativa começou em 2009 e em 2010 damos continuidade a esta onda de treinamento.

 

Sincodiv Online: E quanto à questão da sustentabilidade dos negócios?

 

Sérgio Zardo: Também é assunto incluído nos treinamentos, principalmente para os jovens. Tanto em palestras conceituais, quanto por meio de visitas a empresas ditas verdes, os jovens são conscientizados e incentivados a implantar tais quesitos em suas empresas.

 

Hoje, a rede já conta com toda a separação adequada de óleos, caixaria e dispensa de resíduos para locais legalizados. Algumas concessionárias já fazem a captação de água da chuva para lavagem de carros, coletam água das lavagens para filtragem antes de liberar na rede de esgoto e etc. Essas ações são feitas não só pela legislação, que agora se torna mais rigorosa, como também pela conscientização nos treinamentos e incentivos da montadora.

 

O Prêmio Ford de Preservação Ambiental e Sustentabilidade - que até o ano passado aceitava apenas a participação da indústria - abriu, este ano, a possibilidade das concessionárias também concorrerem ao prêmio.

 

Sincodiv Online: Existe alguma ação ou incentivo para adoção de projetos visando à responsabilidade social?

 

Sérgio Zardo: Nós ainda não temos ações muito fortes, mas já demos início. Existe a campanha Dia da Rede Ford Fazer a Diferença. Esta campanha escolhe um dia do ano para que os concessionários realizem ações voltadas para a comunidade. São executadas coletas de alimento, campanhas do agasalho, confraternizações com crianças e etc. É uma ação que ainda precisa crescer, mas o passo inicial já foi dado.

 

Sincodiv Online: Podemos esperar algumas novidades da marca Ford em breve?

 

Sérgio Zardo:Os distribuidores nunca estão satisfeitos quanto a “novos produtos”, e a Ford costuma atender bem a essas demandas. Até o final de 2010, teremos três novos produtos para automóveis e mais outros para caminhões, mas ainda não posso dizer mais que isso.

 

O que posso adiantar é que a Ford está com uma ação global, que inclui o Brasil. A meta é que até 2015 todos os produtos da marca sejam renovados. Estamos com grande expectativa nesse sentido também.

 

Sincodiv Online: Quais as metas da Associação para 2010?

 

Sérgio Zardo: Que a rede tenha resultados melhores do que os de 2009. E, que o Pós-Venda possa ser também um grande gerador de lucro para o concessionário - para que não fique dependente apenas das vendas.

 

Sincodiv Online: Que mensagem o senhor deixa para a rede da Abradif?

 

Sérgio Zardo: Em primeiro lugar, precisamos atuar na redução de custos. A concorrência tem aumentado muito, o mercado é competitivo e reduzir custos, especialmente os desnecessários, é essencial.

 

Em segundo lugar, peço que fiquem atentos aos novos mercados. A classe C tem crescido muito e exige produtos diferenciados, com necessidades de crédito específicas. É um grupo muito rentável e deve ser um dos focos.

 

Outro ponto que merece atenção: as mulheres. Pesquisas apontam que 70% dos carros comprados, hoje, têm influência direta ou indireta da mulher, ou seja, a maior parte do mercado deve atender às demandas deste grupo. Além disso, cerca de 50% dos carros vendidos estão no nome de mulheres, o que demonstra também um crescimento direto das vendas para elas. Portanto, devemos estar atentos e dispostos a atender as necessidades em produtos e serviços valorizados pelo sexo feminino!

 

 

Produção e edição:
Moraes & Mahlmeister Comunicação
Juliana de Moraes e Renan De Simone