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Seção Entrevista
02/08/2011 - 12:26:15
Bate-papo com Paulo Nathanael, educador ex-presidente do Conselho Nacional de Educação (ÚLTIMA PARTE)
Por Juliana de Moraes, Renan De Simone e Ana Paula Nogueira

Sincodiv-SPOnline: De acordo com a vivência que teve no ambiente político, conseguiria traduzir o valor a e importância da Educação na gestão da esfera pública? O quão estratégica é a área? E quais os limites do seu aprimoramento?

 

Paulo Nathanael: O Brasil tem prioridades. Não há recursos financeiros e humanos suficientes para todas as áreas da Educação que demandariam a atenção do Estado.

 

Dentro do universo da Educação Pública existem heranças de deficiências e a urgente necessidade de priorizar os ensinos Básico, Médio e Técnico. O Superior, dentre esses, é o de menor relevância no momento.

 

Aliás, a solução do problema nacional da Educação está aí: nos focos dos três ambientes educacionais que salientei.

 

Não adianta. É hipocrisia falar em democratização do ensino Superior. Como o próprio nome diz, ele é diferenciado, destina-se a um menor número de pessoas.

 

A “facilidade” do acesso à Educação Superior acabou levando a uma simplificação que é incompatível à proposta original – e verdadeira desta “instância” de ensino. Por outro lado, a universidade pública poderia ser determinante para a formação de brasileiros, mas mais parece seguir um conceito da área do Direito Comercial que é a “Lei dos Comboios”, em que a velocidade mais lenta é aquela de preside/lidera o movimento.

 

Sincodiv-SPOnline: Atualmente, na posição de reitor de duas universidades corporativas ligadas a sindicatos, qual sua opinião sobre o investimento realizado por organizações de classe na qualificação/atualização de profissionais?

 

Paulo Nathanael: As universidades corporativas têm como objetivo promover aperfeiçoamento e atualização para os profissionais já formados ou que tiveram a formação inservice.

 

Eu mesmo frequentei universidades corporativas, muitas nos Estados Unidos, e elas oferecem uma contribuição importante ao preparo dos profissionais de diversas áreas. São caracterizadas pela agilidade, por trazerem novidades da profissão com rapidez e capacidade de atender às demandas mais urgentes do mercado. Por exemplo, as escolas corporativas têm condições de modernizar suas grades de ensino com muito mais dinamismo do que outras organizações.

 

Só para citar um exemplo: as escolas de formação de contadores não contam, até hoje, em suas grades, com o ensino ligado à regulamentação internacional da contabilidade. Ou seja, o aluno, depois de formado, se não tiver tido a oportunidade de frequentar um estágio em que tenha aprendido (obtido o conhecimento) das novas regras, é obrigado a procurar uma complementação para que tenha condições de ingressar no mercado de trabalho.

 

Sincodiv-SP Online: Para concluir, o que pensa que pode ser melhorado no sistema educacional brasileiro? Deveríamos nos espelhar na experiência bem sucedida de outros países ou acredita que o mais correto é apostarmos em inovações próprias – até por questões culturais?

 

Paulo Nathanael: Num mundo globalizado, como é nosso, é inevitável! É proibido não olhar para as experiências internacionais.

 

Hoje, mais do que nunca precisamos, sim, nos espelhar nas boas práticas, mas jamais transplantar. Ou seja, temos que “tropicalizar” as fórmulas, respeitando as nossas diferenças culturais. O fato é que ninguém mais pode se considerar autárquico.

 

O ensino, de maneira geral, terá sempre que respeitar as tendências do país e do indivíduo, em suma: os interesses nacional (atender ao chamado da Economia da nação); pessoal (de desenvolvimento e realização dos indivíduos) e a prosperidade coletiva.

 

Veja só, hoje estamos importando mão de obra para alguns setores específicos, como é o caso de engenheiros para diversas áreas deste ramo de atividades. O Brasil forma 30 mil profissionais do setor todos os anos e, com este número, não atende ao mercado nacional. A Índia está formando 300 mil engenheiros por ano, enquanto a Coréia do Sul, 200 mil; e a China lança ao mercado 600 mil profissionais da área anualmente.

 

As lideranças empresariais e governantes brasileiros precisarão decidir o que querem para o futuro do país, planejando mais e melhor a Educação de seu povo. É a partir deste trabalho que teremos condições firmes a adequadas para enfrentar e vencer, enquanto nação, os desafios que se apresentam.

 

 

 

 

 


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