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Seção Entrevista
04/12/2014 - 17:42:03
Entrevista com Alarico Assumpção Jr., presidente da Fenabrave para gestão 2015-2017 - PARTE II
Por Juliana de Moraes, Matheus Medeiros e Leonardo Oliveira

 

Sincodiv-SP Online: O sr. acredita que o governo federal reeleito colocará em prática as ações necessárias para recuperar a perspectiva positiva da economia?

Alarico Assumpção Jr.: Eu acho que, por responsabilidade, o governo precisa adotar as medidas para frear a desaceleração nacional. O que está errado terá de ser corrigido de imediato, senão o país tenderá a elevar o nível de desemprego, entrando em um ciclo negativo difícil de ser revertido.

Há consciência disso, e o PL (Projeto de Lei) 651 é prova de que está havendo um esforço para desburocratizar os processos e ampliar a participação dos bancos no mercado de financiamento, por exemplo. A proposta aprovada pelo Congresso reduz a retomada do bem em 50% do tempo. O custo para esta recuperação também será menor. Isso fará com que os bancos tenham mais disposição em elevar a oferta de crédito em cerca de 20% a 30% a mais do que atualmente. Este aumento significa termos um acréscimo de quase um mês a mais de veículos comercializados.

Outra vertente que sinaliza a disposição em fortalecer o desenvolvimento é a postergação do BNDES-PSI, linha de financiamento para caminhões ônibus e tratores, um incentivo aos segmentos que sustentam o crescimento país. Fala-se de 200 milhões de toneladas de grãos a serem colhidos e precisamos de crédito para financiar essa cadeia de produção, incluindo o transporte.

Sincodiv-SP Online: Os segmentos automotivos (motos, carros e pesados) demandam e respondem aos estímulos de forma bastante distinta. Qual dos segmentos, a seu ver, sofreu o menor impacto neste ano? Por quê?

Alarico Assumpção Jr.: O segmento de motos foi o menos impactado em 2014, mas equivale a um setor que vem sofrendo há anos com a desaceleração, portanto, chegou próximo ao seu ponto limite da inflexão.

O setor de autos deve encerrar o ano com retração entre 7% e 8%, enquanto na área de pesados, o recuo deve ser de cerca de 15%.

A área de motocicletas só não teve um impacto mais significativo do que as demais categorias porque marcas importantes do mercado Duas Rodas sustentam boa parte de suas vendas, chegando até a 40%, via consórcio.

Sincodiv-SP Online: Qual categoria deve sentir de forma mais acentuada os reflexos da política econômica em 2015? Por quê?

Alarico Assumpção Jr.: O setor de automóveis será o mais impactado. Ainda que tenhamos, agora, à disposição, um recurso para acelerar a retomada dos bens pelos bancos em caso de inadimplência, as instituições teriam de participar de forma ainda mais ampla para impulsionar os negócios no varejo, e com oferta de crédito a juros menores.

Mas, lembro, caso haja a suspensão do BNDES-PSI para o setor de pesados, este é que vai pagar a conta mais cara e a economia nacional vai sentir ainda mais como consequência.

Sincodiv-SP Online: O segmento automotivo nacional, apesar de enfrentar, agora, dificuldades, foi beneficiado por políticas de desoneração tributária e a mudança na legislação para permitir a redução dos custos de financiamento. Que outros movimentos poderiam ser tomados pelo governo?

Alarico Assumpção Jr.: Vou responder com a consciência de quem emprega. Antes de sermos concessionários, somos empresários, empregadores e cumpridores de obrigações, por meio do pagamento de impostos.

O que o governo fez nos últimos anos foi, principalmente, beneficiar a população, ampliando o acesso ao veículo. A indústria, por sua vez, produziu, inovou em tecnologia e também remunerou o governo com impostos, gerou trabalho e renda para a população.

O que nós esperamos daqui para frente?! Eu diria que não esperamos que haja benefício em prol de um ou outro segmento específico. Precisa-se tentar urgentemente uma reforma trabalhista e outra tributária, com benefícios a todos.

O peso de impostos que pagamos é alto demais, a burocracia é outro aspecto muito prejudicial ao desenvolvimento da iniciativa privada. Imagine que são necessários mais de 100 dias para se abrir uma empresa?!

Entendo que não é admissível pagar tantos impostos para empregar, para gerar renda. Isso vale para nós, do setor de concessionárias, e todos os demais.

Sincodiv-SP Online: Qual sua expectativa em relação ao acordo para incentivo das vendas de final de ano, anunciado pelos bancos Caixa e PAN? Quais serão os segmentos mais beneficiados?

Alarico Assumpção Jr.: Este acordo foi muito bem-vindo, em especial porque deve estimular outras instituições a seguir no mesmo caminho. Agora, é necessário que haja, além da disposição, a expertise para que a comercialização deste produtos (crédito) se dê com base em informação, inteligência, analisando-se caso a caso as demandas.

Não digo que as instituições não tenham este serviço, mas espero que foquem na evolução das tecnologias para a análise de cadastro, visando conseguir conhecer melhor o público que demanda crédito, facilitando as operações, com redução dos riscos de inadimplência.

Vale lembrar, nem todo perfil que apresenta condições para obtenção de financiamento, é bom pagador. A inteligência de mercado pode identificar esta, assim como outras informações relevantes, que fazem a diferença no momento da aprovação – ou não – do crédito ao consumidor.  

Sincodiv-SP Online: Por fim, como não poderia deixar de ser, peço que comente as expectativas em relação a 2015. Como os concessionários devem conduzir a gestão de seus negócios?

Alarico Assumpção Jr.: Espero que todos estejam muito atentos. Teremos um primeiro de dificuldades e ajustes. No nosso setor, sofreremos alterações. Haverá alguns empreendedores que devem sair do mercado e outros entrar.

No caso dos grupos, certamente haverá avaliação das marcas que trazem maior rentabilidade, benefícios para a sustentação das atividades. Já os concessionários menores, certamente, terão de revisitar a qualidade da gestão operacional e analisar se o volume gerado pelo negócio tem condições de comportar a estrutura, hoje, aberta.

Todas essas questões farão parte da pauta na primeira etapa do ano. Outro ponto que ressalto é a revisão de investimentos ao longo de 2015, incluindo o diálogo com as associações de marca e montadoras para chegarem a um bom senso.

No segundo semestre, acredito, teremos condições de vivenciar um crescimento pequeno, mas ressalto que, embora não seja o fim do mundo para os empreendedores, não adianta se iludir. Não vai ser fácil.

Na Fenabrave, vamos fazer imensos esforços para impulsionar a motivar rede e também cobrar do governo sua parte, buscando maior reconhecimento institucional porque somos muito grandes e trazemos uma relevante contribuição ao país!

 

 

 

 

Produção e edição:
Moraes & Mahlmeister Comunicação