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Seção Reportagem
20/10/2015 - 12:38:27
HSM: Século XXI exige empresas com propósito maior e líderes integradores, destacam Raj Sisodia e Ram Charan
Por Matheus Medeiros e Juliana de Moraes
Foto: Open Space/Lola Studio Raj Sisodia, professor da Universidade de Bentley (EUA), se apresenta em evento da HSM Expomanagement no Brasil.

Pensar em lucros, mas sem esquecer que a empresa faz parte de algo maior. Essa é a mensagem que o indiano Raj Sisodia, consultor, professor da Universidade de Bentley (EUA) e autor do best-seller Capitalismo Consciente, tenta transmitir em suas apresentações junto a executivos e empreendedores de vários países.

“Ser consciente significa estar totalmente focado em enxergar a realidade e tentar entender todas as consequências de nossas ações, a curto, médio e longo prazo. Também é estar atento ao que se passa dentro de nós mesmos e na realidade externa, bem como aos impactos disso tudo sobre a sociedade. Significa, também, ter um forte compromisso com a verdade e agir do modo mais responsável, de acordo com o que entendemos ser verdadeiro”, defende.

Para conseguir chegar a esse ponto, segundo Sisodia, as empresas precisam libertar seu potencial “heroico”, lembrando sempre de suas primeiras motivações e agregando valor.

“É preciso encontrar uma nova maneira de operar o capitalismo. O mundo e as pessoas mudaram e as empresas precisam mudar também.Grandes companhias têm grandes propósitos.Para isso, os empresários precisam resgatar os valores que fizeram com que eles acreditassem no início de seus negócios, assim como pensar no desenvolvimento de seus clientes”, explica.

Quatro pilares do capitalismo consciente

Raj Sisodia descreve que o capitalismo consciente é baseado em quatro pilares. O primeiro deles é ter um “propósito maior”. Para o especialista, “propósito é a razão de ser que vai além de ganhar dinheiro e, no entanto, geralmente resulta em ganhar mais dinheiro do que se julgava ser possível. É o que faz as empresas irem além da simples geração de lucro, passando a criar um impacto positivo para as pessoas e ambientes com as quais mantêm contato”.

Já o segundo pilar é a integração de stakeholders. “É preciso reconhecer que há interdependência nos negócios. Todos os negócios têm clientes, empregados, fornecedores, comunidades, mas tendem a vê-los separadamente, como meios para um fim. O negócio consciente reconhece essa interligação. Se os empregados estão bem, geralmente os clientes também estão. Se qualquer uma dessas partes está infeliz, ao logo do tempo isso pode destruir o negócio”, destaca.

Os últimos dois pilares envolvem itens indispensáveis para a operação de uma empresa de qualquer tamanho. São as lideranças, a cultura e a gestão.

“Líderes modernos precisam ser dotados de elevados níveis de inteligência emocional, analítica e espiritual para que sejam capazes de refletir sobre o negócio e as pessoas com que trabalham, destacando suas capacidades e sabendo que humanos são fontes e não recursos. Já a cultura e a gestão das empresas conscientes devem garantir a força e a estabilidade necessárias para a preservação do propósito maior da empresa, buscando seu crescimento, assim como de todos seus parceiros”.

Negócios baseados no amor e no zelo

Para o especialista, é preciso acabar com a realidade em que a maioria das empresas funciona, baseada em medo e estresse. “Pesquisas indicam que 88% dos norte-americanos trabalham para empresas que, a seu ver, não se importam com eles como pessoas. Não à toa ataques cardíacos são mais frequentes nas manhãs de segunda-feira. Para mudar esse quadro é preciso trabalhar com a ideia de que negócios dizem respeito à vida real das pessoas e que elas precisam ser valorizadas”.

Um dos primeiros passos para essa mudança é procurar líderes que colocam o trabalho em equipe em primeiro lugar. “Nas forças armadas, são oferecidas medalhas para aqueles se dispõem a se sacrificarem a fim de que outros saiam ganhando. Nas empresas, damos bonificações para quem se dispõe a sacrificar os outros a fim de sair ganhando. Líderes modernos precisam trabalhar com propósito e orientação para o longo prazo”, relata.

Líderes integradores

Ram Charan, professor da Harvard Business School, autor de 15 best-sellers e um dos mais conhecidos gurus em gestão do mundo, reforça que em um ambiente de inovações como o atual, líderes precisam ser, cada vez mais, integradores.

“As lideranças modernas precisam ter seu foco em equipes multidisciplinares criativas e saber como conectar seus colaboradores com o compromisso em acertar na mosca, usando a velocidade como vantagem competitiva. São tarefas dificílimas e, para isso, precisam estar plenamente capacitados e cercados das melhores pessoas possíveis”, explica o especialista.

Para ele, os líderes integradores são como maestros ou diretores de cinema, que coordenam e pensam, ao mesmo tempo, em todas as etapas de suas operações.

Segundo Charan, são sete as habilidades que precisam ser praticadas diariamente para se chegar a este estágio: ter clareza de suas metas; selecionar os melhores especialistas; procurar pelas melhores ideias; conectar os especialistas, tomar decisões em conjunto; conseguir que sua equipe se comprometa com o todo; executar e se entregar.

Para ilustrar a ideia de integradores, o professor descreve a história de uma das principais “invenções” de Steve Jobs e da Apple.

“Vocês conhecem o iPhone. Quantas partes ele tem? Como é seu chip, software e vidro? Imagine quanta integração é necessária para juntar tudo isso? Steve Jobs não inventou nenhuma tecnologia, ele só as uniu, cercando-se dos melhores especialistas. Cada um deles é muito bom no que faz e tinha suas propostas para criar o melhor em sua área, mas para produzir o melhor produto possível, eles tiveram que estar integrados e dialogar”, ilustra, resumindo o conceito.

 

 

* Raj Sisodiae Ram Charanestiveram no Brasil recentemente como palestrantes da última edição da HSM Management Expo-Management

 

 

 

 

 

 

Produção e edição 

Moraes & Mahlmeister Comunicação