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Seção Entrevista
12/03/2015 - 10:30:06
Bate-Papo com Reinaldo Domingos, presidente da DSOP Educação Financeira
Por Matheus Medeiros e Juliana de Moraes
Foto: Sincodiv-SP/A. Freire Reinaldo Domingos é presidente da DSOP Educação Financeira e da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros).

 

Entre os dias 9 e 15 de março de 2015, a Enef (Estratégia Nacional de Educação Financeira) realiza a 2ª Semana Nacional de Educação Financeira, que tem o objetivo de “contribuir para o fortalecimento da cidadania, a eficiência e solidez do sistema financeiro nacional e a tomada de decisões conscientes por parte dos consumidores”.

Aproveitando a data comemorativa, que faz parte da Global Money Week, iniciativa que atinge 118 países, o Sincodiv-SP Online entrevistou Reinaldo Domingos, presidente da DSOP Educação Financeira e da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros).

Para Domingos, as empresas brasileiras ainda não dão a devida importância para o tema. “As organizações precisam começar a trabalhar com conceitos de Educação Financeira porque isso é importante para seus colaboradores, que podem reconduzir sua vida de forma economicamente responsável e fugindo das dívidas. Isso também é essencial para os próprios empregadores, uma vez que um funcionário financeiramente estável rende muito mais do que um endividado”.

Confira, a seguir, a íntegra da entrevista:

Sincodiv-SP Online: Reinaldo, primeiramente, você poderia contar um pouco da sua história? Como se deu sua trajetória pessoal e profissional até fundar a DSOP?

Reinaldo Domingos: Venho do interior de São Paulo, da cidade de Casa Branca, que hoje tem 28 mil habitantes. Meu pai era ferroviário e minha mãe é - até hoje, mesmo aos 80 anos - vendedora de cosméticos autônoma.

Quando eu tinha 12 anos, queria muito ter uma bicicleta. Esse era meu sonho e como meus pais não conseguiam pagar por ele, tive que fazer alguma coisa para conseguir dinheiro e fui atrás do meu primeiro emprego.

Assim me tornei auxiliar do “Seu Geraldo”, um camelô da cidade. Trabalhava três horas por dia ajudando a vender os produtos, montar barraca, etc. Com isso, fui buscando o que eu precisava para comprar a bicicleta. De tudo o que ganhava com meu trabalho, guardava sempre dois terços. Juntei o dinheiro em 10 meses e realizei meu sonho.

Minha história de vida sempre foi calçada em torno dos meus sonhos. Logo após comprar minha bicicleta, eu coloquei para mim que sonhar era a coisa mais importante do mundo e que o dinheiro era apenas um meio para realizá-los.

Então trabalhei por anos na minha cidade, fiz Ensino Técnico, aprendi a me disciplinar e, com 20 anos de idade, juntei o dinheiro suficiente para mudar para São Paulo, onde fui trabalhar como auxiliar de Contabilidade e fazer faculdade.

Desembarquei na Luz e fui morar em uma pensão na Rua da Mooca, nº 2629. Meu primeiro passo na capital foi procurar no jornal por uma renda extra, algo que pudesse fazer durante os finais de semanas, feriados e madrugadas. Trabalhei muito, passei pelo Banco Comid, Itaú e sempre poupei parte do meu dinheiro para realizar meus sonhos.

Com o dinheiro poupado, fundei, em 1986, a minha empresa de Contabilidade, chamada Confirp, com a missão de ser uma referência em Contabilidade no Brasil. Já tem mais de uma década que realizei esse sonho e hoje ela é uma das maiores empresas da área.

Em 1999, quando tinha 37 anos, olhei para trás e pensei “apenas com os juros das aplicações do dinheiro que tenho guardado, consigo viver o resto da minha vida sem trabalhar”, ou seja, tornei-me independe financeiramente. E, assim, encontrei uma das perguntas mais importantes que alguém pode se fazer, que é: “se eu parar de trabalhar, por quanto tempo mantenho meu atual padrão de vida?”.

Assim, comecei a difundir os conceitos que fizeram com que eu me tornasse independente financeiramente, primeiro escrevendo artigos, depois livros para crianças e adultos, o que resultou na fundação da minha editora.

Estruturei a metodologia e, em 2008 - quando não atuava mais na Confirp -, criei a DSOP, que busca difundir os quatro pilares da Educação Financeira (Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar) por meio de projetos educacionais diversos.

Sincodiv-SP Online: Após sete anos da criação da DSOP, qual é o patamar atual da empresa? E quais são os próximos passos?

Reinaldo Domingos: Hoje temos parcerias com as prefeituras do Guarujá (SP), Barueri (SP), além de cidades mineiras e do Espírito Santo e com os governos estaduais do Piauí, Maranhão e Goiás. Atuamos, principalmente, na rede pública porque é lá que está o público mais necessitado de Educação Financeira.

Crescemos muito no Brasil por meio da rede de franquias e cursos que já formaram mais de 500 educadores financeiros, que multiplicam nosso conhecimento.

Também estamos atingindo o mercado internacional e, desde o ano passado, atuamos nos Estados Unidos, por meio de uma sucursal em Orlando. Na Europa, fomos convidados para um projeto com o objetivo de trabalhar com a metodologia para 30 países e, além disso, estamos com um projeto internacional em parceria com a Vila Sésamo, que vai distribuir cartilhas educativas para 10 países.

Para o futuro, um dos nossos próximos passos é fazer o IPO nas bolsas de valores do Brasil e de Nova York em julho de 2019, tudo isso com o objetivo de disseminar a Educação Financeira para o Brasil e para o mundo, além de buscarmos, cada vez mais, parcerias com entidades públicas e privadas que queiram trabalhar com um projeto sério de conscientização econômica para adultos e/ou crianças.

Sincodiv-SP Online: Qual a importância do papel das empresas na educação financeira de seus colaboradores?

Reinaldo Domingos: As empresas, definitivamente, precisam começar a trabalhar com conceitos de Educação Financeira porque é importante para seus colaboradores, que podem reconduzir sua vida, realizando seus sonhos, sendo economicamente responsáveis e fugindo das dívidas. Também é relevante para as próprias organizações porque um funcionário financeiramente estável rende mais do que um endividado.

Existe algo que precisa ser esclarecido: a Educação Financeira não está cravada nas Ciências Exatas e sim nas Humanas. Ela lida com comportamentos, hábitos e costumes. Não é a falta de uma planilha que faz as pessoas comprar coisas desnecessariamente. Isso acontece por causa de hábitos e ausência de projeto de vida.

Então, as empresas devem trabalhar com conceitos comportamentais para seus funcionários. Não adianta nada um gestor organizar uma palestra para os colaboradores sobre cálculos, planilhas e matemática, sem falar sobre mudança de hábitos e costumes.

Para as organizações, estamos trabalhando em parceria com os RHs, assim capacitamos o pessoal das organizações com um treinamento intensivo para eles agirem como multiplicadores.

Sincodiv-SP Online: Como as empresas podem trabalhar para ajudar seus funcionários?

Reinaldo Domingos: As organizações precisam entrar com ações de sensibilização, além de outras de informação, para conscientizar as pessoas sobre a real possibilidade de se chegar a um bom patamar de vida. Organizar palestras, distribuir livros de Educação Financeira, ter atenção com os funcionários são passos essenciais para isso!

E temos o grande problema, que são os endividados. Temos, hoje, 57 milhões de brasileiros inadimplentes e, eu falo pra vocês, com tranquilidade, que já estamos na bolha do crédito. O que precisamos, agora, é fazer com que todos tenham a vontade de sair desse problema, fazendo sacrifícios e mudando comportamentos.

Funcionários endividados são os que menos rendem. A saúde física, mental e espiritual das pessoas está ligada diretamente à sua estabilidade econômica.

Estamos em um momento, em que as empresa precisam ajudar seus colaboradores a se atentar para seus projetos de vida. De nada adianta os empregadores realizarem uma ação isolada para o negócio, sendo que são os funcionários, pessoas, que tocam o dia a dia da organização.

A responsabilidade das companhias é gigante e vital. Elas precisam melhorar a produtividade de seus funcionários e ajudá-los a ter mais controle sobre seu dinheiro, realizando ações de Educação Financeira.

Uma pessoa com dívida está totalmente abalada. Seus relacionamentos pessoais tendem a se tornarem problemáticos e ela tem mais dificuldade em manter seu foco.

Já que ninguém quer um colaborador que não rende nem metade do seu potencial, cabe às companhias ajudarem seus funcionários, mostrando para eles a importância da Educação Financeira, acompanhando o processo do livramento de dívidas.

 

Leia a segunda e última parte do Bate-Papo com Reinaldo Domingos, presidente da DSOP Educação Financeira.

 

 

 

 

Produção e edição:
Moraes & Mahlmeister Comunicação