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Seção Entrevista
29/06/2015 - 09:10:05
Entrevista com Paulo Cesar Araújo, diretor executivo da Abradit
Por Leonardo Oliveira e Renan De Simone
Foto: Sincodiv-SP/A. Freire "Trabalhamos muito em conjunto. Tanto a distribuição quanto a montadora não são donas da verdade, portanto, estamos sempre dialogando, trocando e perguntando"

 

Na Abradit (Associação Brasileira dos Distribuidores Toyota) desde 2011, Paulo César Araújo, diretor executivo da entidade, já atua no mercado automotivo há praticamente 20 anos. Acumula experiências na montadora Toyota, e em concessionárias da marca, além da Associação.

Com foco em Educação e Comunicação com a rede e seus públicos de interesse, Araújo conta que o momento do mercado não é dos melhores, mas que tais crises são periódicas. “Não se trata só do Brasil. Aqui, o setor estava em uma crescente por conta do fácil acesso ao crédito e, em algum momento, a conta viria”, pondera.

Nesse momento, em que “a conta chegou”, Araújo fala das ações da entidade junto aos concessionários da rede e fala da relação da Associação com a montadora para que a crise passe o mais ao largo possível.

Acompanhe a seguir a entrevista completa em que o executivo trata sobre retenção de talentos, processo sucessório, treinamento de profissionais em tempos de redução de custos, investimento no mercado digital e mais.

Sincodiv-SP Online: Conte-nos sobre sua trajetória no setor automotivo e no meio associativo.

Paulo C. Araújo: Estou no mercado automotivo há quase 20 anos. Trabalhei sete anos na Toyota e, posteriormente, mais sete nas concessionárias Toyota do grupo Rodobens.

Depois, em 2011, ano em que uma nova diretoria assumiu o comando da Abradit, fui convidado para ingressar na entidade. O curioso é que, no início, pensei que seria apenas uma experiência temporária, mas já estou aqui há quatro anos.

Posso dizer, com segurança, que o começo foi um grande desafio.  Sempre trabalhamos bastante aqui dentro, mas havia muita gente que não tinha um contato direto com a Associação e acabava não percebendo isso.

Portanto, o nosso principal mote foi – e ainda é – melhorar a nossa Comunicação para que os públicos de interesse da Abradit, principalmente os associados, percebam e fiquem informados a respeito das ações promovidas na entidade, assim como participem mais.

Não atingimos a plenitude desse objetivo, mas aos poucos, estamos conseguindo, uma vez que o engajamento associativo só aumentou desde então.

Sincodiv-SP Online: Quais são os principais fatores que explicam a forte retração do setor automotivo nos últimos tempos?

Paulo C. Araújo: O mercado de automóveis passa no por crises. Isso é periódico. Não se trata apenas do Brasil. O setor estava em uma grande crescente por conta do fácil acesso ao crédito e, em algum momento, a conta viria.

Agora, nessa nova gestão da presidente Dilma Rousseff, mudanças econômicas estão sendo promovidas – e teriam de ser feitas mesmo se outro candidato vencesse a última eleição. Ou seja, a crise já estava anunciada.

Além disso, o forte do mercado de automóveis é a classe média, que é a mais sensível a crises econômicas, pois é uma classe que segura investimentos quando a coisa aperta.

A crise ainda não afetou substancialmente a Toyota, mas entendemos que vai afetar em algum momento. Não esperamos que aconteça, estamos nos preparando para uma eventual queda de volume.

Sincodiv-SP Online: Quais foram as principais razões para a crise não ter atingido a Toyota?

Paulo C. Araújo: A Toyota foi muito assertiva em relação aos modelos, margens, resultados e custos. Isso tudo é fruto de um diálogo muito transparente entre a montadora e a Abradit. Conseguimos nos manter estáveis em um mercado que caiu, o que aumentou nosso market share. Talvez não seja a melhor maneira possível, mas é um crescimento a se considerar.

Estamos indo para outros patamares, mas sempre respeitando e entendendo o momento e o tamanho do mercado.

Sincodiv-SP Online: E o trabalho da Abradit com a montadora?

Paulo C. Araújo: Trabalhamos muito em conjunto. Tanto a distribuição quanto a montadora não são donas da verdade, portanto, estamos sempre dialogando, trocando e perguntando.

A Toyota ouve abertamente os profissionais que estão com a “barriga no balcão” e eventualmente muda alguma estratégia que não esteja dando certo. Nós, da parte de distribuição, fazemos o mesmo.

É uma conduta perfeita, pois as decisões resultantes de um consenso, características da cultura japonesa, fazem com que se erre menos e, em um mercado que apresenta queda nas vendas, quem erra menos acaba se destacando e colhendo os frutos.

Um exemplo clássico que ilustra a fluidez do diálogo é o caso do Ethios. Quando o carro foi lançado, a ideia da Toyota e da rede de distribuição era que o principal público-alvo do produto fosse os jovens. Após um tempo, os concessionários que estavam em contato direto com o cliente perceberam que o principal público do carro não é um cara solteiro de 25 a 30 anos que costuma ir para balada, mas sim um cara casado de 40.

Essa questão foi levada para a montadora que, rapidamente, deu outro estilo para o carro, visando adaptá-lo para o seu verdadeiro público-alvo. A partir daí o Ethios “decolou” e passou a figurar entre os mais vendidos.

Sincodiv-SP Online: Como as áreas de Recursos Humanos das concessionárias da rede Toyota trabalham para manter os colaboradores devidamente motivados e engajados?

Paulo C. Araújo: Como o turnover no setor automotivo é muito forte e os custos de treinamentos são altos, existe uma política na Toyota e na rede de concessionários que consiste em evitar fazer cortes, uma vez que é extremamente custoso capacitar um colaborador para dispensá-lo posteriormente.

Além disso, em tempos de retração, como o atual, é essencial segurar talentos. Especialmente levando em consideração que o profissional da Toyota é muito procurado no mercado. O que é bom, pois demonstra qualidade. Contudo, existe o lado ruim, que é o assédio da concorrência.

Atualmente, estamos trabalhando em um projeto que procura definir qual é a personalidade certa para o cargo certo. Com a realização desse programa, a rede terá todo o subsídio na contratação de colaboradores.

A adequação ao perfil é fundamental, pois cada ocupação pede por características específicas e uma empresa que contrata certo, dificilmente perderá profissionais.

 

 

Leia a segunda e última parte da entrevista com Paulo Cesar Araújo, diretor executivo da Abradit

 

 

 

 

Produção e edição:
Moraes & Mahlmeister Comunicação