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Seção Reportagem
17/09/2015 - 07:42:58
Gustavo Franco, ex-presidente do BC, analisa a crise brasileira durante o 25º Congresso da Fenabrave
Por Matheus Medeiros e Renan De Simone
Divulgação / Fenabrave

Para Gustavo Franco, sócio fundador da Rio Bravo Investimentos e ex-presidente do BC (Banco Central) entre 1997 e 1999, o governo brasileiro não conseguiu, nos últimos anos, implementar as reformas e posturas fundamentais no tocante à dívida pública.

“Em algum momento a mistura desandou. O que vivemos hoje surgiu desse problema, um movimento artificial de baixas taxas de juros, do aprofundamento da política de substituição de importações e pelo crescimento baseado em proteção”, destacou o economista, em palestra ministrada, no dia 15 de setembro, durante no 25º Congresso da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), realizado em São Paulo (SP).

Franco explica que a crise fiscal brasileira é recente, mas que já era possível analisar os problemas das políticas econômicas do governo a partir da estagnação da produtividade do país.

Ele destaca a estagnação da produtividade que o país atravessa nos últimos anos, lembrando que, no passado, era comum compararmos as economias do Brasil e da Coreia do Sul, já que ambos se industrializaram na mesma época. “Hoje, qualquer tipo de comparação entre os países que envolva produtividade, como renda per capita, soa absurda, eles – e os outros ‘tigres asiáticos’, que promoveram a exportação – não apenas nos ultrapassaram como nos atropelaram. Estamos tão estagnados a ponto da China também estar próxima de nos ultrapassar “, enfatiza.

Para o economista, o Brasil precisa diminuir a dívida pública, bem como o tamanho da máquina do governo, por meio de privatizações, além de incentivar a produtividade nas esferas públicas e privadas.

Desigualdade: políticas sociais x mudanças demográficas

Outro ponto alto de sua palestra esteve relacionado à diminuição da desigualdade brasileira, que melhorou seus índices nas pesquisas no Coeficiente de Gini e no IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) nos últimos anos.

Segundo o ex-presidente do BC, o fenômeno não está relacionada com as políticas públicas e o “bom coração” dos últimos governos. “O que aconteceu foi uma mudança demográfica no país – já que mais pessoas entraram no mercado de trabalho por causa das altas taxas de fecundidade nos meados do Século passado”.

Franco explicou sua afirmação dando um exemplo hipotético. “Uma família que se constituiu no fim da década de 80 e teve quatro filhos, tinha dois trabalhadores para sustentar seis pessoas nos anos 90, enquanto que, no Século XXI, são seis pessoas economicamente ativas na casa. O aumento de pessoas na classe C está totalmente relacionado com a questão demográfica brasileira”, completa.

 

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