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Seção Reportagem
18/09/2015 - 08:07:13
Fórum Sincodiv-SP no 25º Congresso da Fenabrave: Relações do Trabalho podem ser caminho para superar a crise
Por Juliana de Moraes e Matheus Medeiros
Divulgação / Fenabrave Octavio Leite Vallejo, superintendente do Sincodiv-SP, coordenou o Fórum do Sindicato durante o 25º Congresso da Fenabrave e apresentou dados do setor.

O conceito de empresa mudou. A organização moderna é horizontal, rápida, contando com fornecedores estratégicos e parceiros especializados.

O mercado de trabalho passa por uma série de transformações e as relações não são mais duradouras.

Por fim, a crise aguda pela qual o país atravessa será longa, enquanto a recuperação se dará em um ritmo muito mais lento do que se imagina.

É a hora – e já é tarde – de empregadores e empregados se unirem em busca de reformas na legislação do país e novas soluções para as Relações do Trabalho, visando a proteção ao emprego e à competitividade, conforme termos negociados e ajustados entre si, e menos regulados pela lei e pelo Poder Judiciário.

Esse foi o recado de José Pastore e Hélio Zylberstajn, professores da Faculdade de Economia e Administração da USP (Universidade de São Paulo), que comandaram, juntamente com Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores) e do SEC (Sindicato dos Comerciários) de São Paulo, o Fórum Sincodiv-SP no 25º Congresso da Fenabrave, em 16 de setembro, na capital paulista.

Números falam por si

Octavio Leite Vallejo, superintendente do Sindicato, coordenou o painel, destacando números que falam por si mesmos para apresentar o quadro da economia e do setor.

Segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), as vendas de veículos novos sofrerão – até o final do ano – uma queda de 20%. “Cerca de 400 concessionárias já fecharam as portas de janeiro a agosto deste ano, sendo 50% apenas no estado de São Paulo. Um total de 17 mil empregos se perderam em todo o país”.

A crise será longa

Para José Pastore, todos devem se conscientizar de que a crise será longa e, para se ter uma ideia do que isso significa para o segmento automotivo, consultorias especializadas no mercado apontam que a retomada do setor pode vir apenas em 2024.

“Conforme reportagem publicada no jornal Valor Econômico em 11 de setembro, apenas em 2019 deveremos voltar aos patamares de vendas de 2012, sendo que o avanço pode ocorrer somente muito depois. Serão, segundo esses especialistas, quase 10 anos para voltarmos a registrar o crescimento ante o patamar alcançado no início desta década”, aponta.

Inabilidade política e burocracia

Na avaliação de Ricardo Patah, o cenário econômico é agravado pela crise política. “O governo começou o Ajuste Fiscal pelos trabalhadores e não por ações de contenção de despesas dentro de sua própria estrutura. Começou mal a condução de medidas para a recuperação das contas públicas do país”.

Pastore reconhece que não há solução de curto prazo e os esforços para a preservação do emprego no país, exemplo do PPE (programa lançado em agosto pelo governo federal), perdem a disputa para a burocracia.

“No caso deste citado, a filosofia é boa, mas são tantos os critérios e condições criados para a adesão que ele perde a atratividade como meio para conter as demissões causadas pela desaceleração da economia”, explica.

O professor ainda indica que uma profunda reforma nas leis do país será necessária. “Neste aspecto, a crise, que se aprofunda, conta em favor desse movimento, que envolverá enormes embates”.

“Uma constituição que permite a aposentadoria aos 50 anos cria desigualdade, assim como a garantia de acesso à universidade pública por quem tem condições de pagar por uma instituição de ensino particular. A CLT e algumas de suas regras, como a que cria obrigação de pausa de 15 minutos antes do início de horas extras para mulheres, também”, define.

Terceirização

A regulamentação da Terceirização, segundo o professor, é urgente! Sua opinião é compartilhada por Patah e também pelo acadêmico e pesquisador Hélio Zylberstajn, que demonstrou como a tecnologia e a especialização tornaram insustentável o custo da coordenação de uma cadeia própria de fornecimento de produtos e serviços, a exemplo do que acontecia antigamente, no formato de empresas totalmente verticalizadas.

“Hoje, é exigido de uma empresa agilidade. Para vencerem, as organizações precisam, sim, de parcerias estratégicas. A burocracia e processos necessários para a gestão de todos os elos da cadeia produtiva tornam uma empresa onerosa, lenta e impraticável”, define, apontando para a relevância de regras que tragam segurança à Terceirização, tanto para empresas como para trabalhadores.

 

Leia também: Fórum Sincodiv-SP no 25º Congresso da Fenabrave: Empresários e trabalhadores, juntos, definem as melhores políticas em prol da produtividade e do emprego

 

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