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Seção Reportagem
02/10/2015 - 11:11:25
Fórum Direções, da Revista Quatro Rodas, aponta caminhos para crise do setor automobilístico
Por Cauê Rebouças e Juliana de Moraes
Divulgação Fórum Direções Santiago Chamorro, presidente da GM do Brasil, palestrou sobre o futuro do mercado brasileiro, no Fórum Direções da Revista Quatro Rodas.

“Tenho conhecimento de apenas duas coisas da crise: não sei quando ela acabará, mas sei que ela acabará” afirma o atual presidente da Gol, Paulo Kakinoff, apontando que o momento ruim irá passar e que cabe às empresas sair da situação da melhor forma possível.

Mesmo com a expectativa de o mercado automobilístico decair cerca de 30% neste ano, a previsão é que ocorra uma pequena, mas constante, recuperação no último trimestre de 2016 (apenas no próximo ano, é isso mesmo!), de acordo com Luiz Moan, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), na segunda edição do Fórum Direções, da Revista Quatro Rodas.

O evento, realizado no último dia 30/09, na capital, apresentou uma série de palestras que buscaram explicar o comportamento do consumidor, o momento econômico e, assim, debater inovações e técnicas de gestão para superar a crise que o setor e o país estão passando.

O mercado automobilístico

O maior equívoco que existe é desacelerar ou até mesmo abrir mão de um bom planejamento estratégico por conta desse período, de acordo com o Kakinoff, que já presidiu a Audi no Brasil. “A crise é um catalisador para um salto positivo em eficiência e mudanças de planos – um exercício excelente de gestão”.

Ao se observar o mercado automobilístico brasileiro, é possível notar que ainda há muito espaço para crescimento. Segundo Santiago Chamorro, presidente da GM do Brasil, a relação habitante/carro no país é de cerca de 4,6; número menor que o de países da América do Sul, como Argentina e Chile, e bem aquém de países como os Estados Unidos que possui cerca de 800 carros para 1000 habitantes.

Chamorro ainda relembra que 93% do setor era dominado por quatro empresas na década de 60: GM, Volkswagen, Fiat e Ford. No entanto, hoje, elas representam apenas 64% do mercado, o que significa que mais marcas podem disputar e ganhar a preferência do brasileiro – o consumidor está mais aberto a testar novos carros e possibilidades.

“Essa é uma ótima oportunidade para que ver quais custos são estratégicos e devem ser mantidos e quais outros precisam ser excluídos”, aponta.

O executivo citou, como exemplo, o sistema ‘Mylink’, painel multimídia de veículos da GM, que era visto pela diretoria como algo que teria apenas 10% de adesão e, portanto, um custo que deveria ser repensado, mas fazendo alguns testes, observaram que a projeção inicial estava errada e que o público abraçou a ideia.

“O sistema une tecnologia, conectividade e interação.  Hoje, algumas linhas como  a do Ônix, saem quase 100% com essa função”.

Kakinoff também afirma que o brasileiro é antenado, sofisticado e bem informado, gosta de aderir às novas tecnologias. E que a melhor saída para esse período é “administrar em curto prazo e investir em inovação a longo”.

Inovação de gestão e produtos

Inovar não significa apenas criar ou adaptar novas tecnologias, mas também adotar novas técnicas de gestão e de atendimento ao cliente. O modo de vender está diferente.

Os vendedores de concessionárias devem apostar na tecnologia e interação pessoal com os clientes, demonstrando conhecerem o produto; além de procurarem o consumidor virtualmente, utilizando funções em seu site e redes sociais que chamem a atenção dele, como painéis interativos e de consultas de preços.

Atrair um cliente novo custa cerca de quatro vezes mais investimento do que atrair um antigo, por isso a importância de estar sempre em contato com os consumidores fixos e procurar oferecer sempre produtos que possuam mais eficiência energética e conectividade, que são os pontos chaves das novas gerações de compradores.

A importância do Pós-Venda

O Pós-Venda, mais uma vez, é citado pelos executivos e especialistas como um setor estratégico para fidelizar os clientes. Apesar de todo processo de consulta poder ocorrer no ambiente virtual, a pessoa, ao final, precisa se dirigir para a concessionária.

Neste contexto, deve-se oferecer um serviço rápido, com qualidade, em um ambiente em que o cliente tenha contato com novos produtos e se sinta confortável, para que, dessa forma, crie uma identificação com a marca – não só da montadora, mas da rede de concessionárias que o atendeu.

 

Produção e edição