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Seção Entrevista
04/10/2011 - 12:13:36
Bate-papo com Marie-Josette Brauer, psicóloga especialista em coaching
Por Renan De Simone e Juliana de Moraes
Foto: A. Freire Marie-Josette Brauer, francesa radicada no Brasil, defensora do conceito de Personal Branding.

 

Psicóloga, hipnoterapeuta ericksoniana, especialista em PNL (Programação Neurolinguística) e coach, Marie-Josette Brauer é uma figura curiosa no cenário corporativo. Francesa radicada no Brasil, Marie atuou na área clínica durante anos antes de se especializar, nos Estados Unidos, com os papas da PNL – John Grinder e Richard Bandler –, e voltar ao Brasil atuando no mundo empresarial. De acordo com ela, desenvolver pessoas passou a ser prioridade, em vez de cuidar de patologias.

 

De fala rápida, jeito expressivo, e bem-humorada, Marie é defensora do conceito de Personal Branding em oposição ao conhecido Marketing Pessoal. Segundo ela, encontrar o dom único de cada um, desenvolver habilidades específicas e trazer a tona o modo mais verdadeiro de ser da pessoa é justamente o desenvolvimento dessa “marca pessoal” – e um processo alcançado pelo trabalho de coaching.

 

Nesse Bate-papo, Marie conta um pouco de sua experiência e fala das crises nas empresas familiares, da solidão dos altos executivos, das crenças e decisões limitantes, das ferramentas de seu trabalho, e dá dicas de como o líder pode identificar falhas em sua conduta e buscar soluções no dia a dia.

 

Sincodiv-SP Online: Logo após sua formação em psicologia que linha terapêutica seguiu? O que a fez expandir o horizonte e acrescentar outros modelos fora da área clínica?

 

Marie-Josette: Sou psicóloga e filósofa por formação. Comecei na área clínica atuando em psicanálise Kleiniana. Naquela época, na década de 60, não existiam muitas opções. Como de costume, o trabalho era voltado especificamente para casos de patologia. Você atuava na tentativa de recuperação. Sempre achei que as ferramentas disponíveis poderiam ser melhores utilizadas em outras circunstâncias e comecei um curso empresarial na FGV (Fundação Getúlio Vargas), o que me abriu os horizontes.

 

Na década de 80, entrei em contato com aquela que viria a ser uma das minhas melhores ferramentas de trabalho, a PNL (Programação Neurolinguística) e outras técnicas chamadas de "terapias energéticas",  como por exemplo a EFT (Técnicas de Libertação Emocional, na sigla em inglês). A partir daí, meu foco passou a ser inspirar pessoas comuns que queiram se tornar mais capazes. Meu trabalho passou a ser o de desenvolver pessoas.

 

Sincodiv-SP Online: O que é a PNL?

 

Marie-Josette: A PNL é um modelo de funcionamento cerebral que foi desenvolvido por John Grinder e Richard Bandler, e se baseia no conceito de que a mente, o corpo e a linguagem devem ser levados em conta quando da percepção de mundo do indivíduo.

 

A ideia básica desse modelo é que existe a ferramenta adequada para se resolver cada situação, ou seja, encontrar a chave certa para a fechadura. Se você utiliza uma técnica que não serve para aquela situação, a coisa não dará certo.

 

Essa prática leva em conta que cada pessoa tem uma “linguagem” predominante. Existem pessoas que entendem melhor a linguagem visual, outras a auditiva, outras são mais sinestésicas, etc. Cada indivíduo tem seu canal prioritário de absorção e de emissão para se relacionar com o mundo. Curioso é notar que o input e output nem sempre são iguais. Eu posso ser uma pessoa que compreende as coisas melhor visualmente, mas que transmite melhor verbalmente, por exemplo.

 

Com tais conceitos em sua base, a PNL traz ferramentas e procedimentos adequados a cada necessidade para desenvolver indivíduos. É um método de aprendizagem e evolução que me ajuda a despertar a Personal Branding das pessoas.

 

Sincodiv-SP Online: Qual é o conceito de Personal Branding?

 

Marie-Josette: Quando passei a desenvolver pessoas por meio de um trabalho de coaching, percebi que ninguém era igual, cada um tinha seu “quê” especial, sua particularidade. À época, era muito comum se ouvir falar de Marketing Pessoal e de uma série de “roteiros”, por assim dizer, de como se portar, falar e fazer as coisas, mas vi que aquilo não funcionava.

 

Padronizar não é garantia de resultado. Como costumo brincar, a roupa é emprestada. Aquilo não é seu e, passada uma entrevista de emprego, por exemplo, você volta a ser quem é e a “máscara” criada cai.

 

Depois de estudos nos Estados Unidos, voltei com essa nova forma de pensar, o desenvolvimento da Personal Branding, que é sua marca pessoal, você é a marca! O conceito é simples e consiste em ser verdadeiro e buscar aquilo que há em você de mais peculiar e único, seu dom, aquilo que você sabe fazer de melhor, e desenvolver.

 

O conceito é simples, mas alcançar esse estágio nem sempre, por isso é necessário que alguém o ajude a encontrar a maneira certa de desenvolver as competências. Isso é feito por meio de um trabalho de coaching.

 

Sincodiv-SP Online: Quais os benefícios deste trabalho num mundo onde as pessoas parecem viver de aparências?

 

Marie-Josette: Conseguimos extrair o que há de melhor nas pessoas e o sucesso acontece naturalmente. Quando você trabalha com algo que não é o seu dom, ou que é incompatível com ele, você oferece travas.

 

O interessante é notar as pequenas diferenças entre a atuação de pessoas que não estão na área que deveriam e aquelas que apenas precisam de coragem ou iniciativa para se desenvolver no que já são boas. Cada um tem seu dom, mas se ele não for trabalhado, pode perder validade. É uma questão de esforço, persistência, trabalho, aperfeiçoamento (por cursos, especializações), técnicas, mas, antes de tudo, é preciso saber o seu talento.

 

Só o dom não basta, assim como só esforço e persistência também não. De um lado você não se desenvolve como poderia naquilo em que é bom, de outro, pode ficar insistindo em algo que não deveria. É preciso unir as duas coisas.

 

Sincodiv-SP Online: Qual é a maior dificuldade que as pessoas costumam trazer para solucionar no trabalho de coaching?

 

Marie-Josette: Estarem perdidas, não saber que rumo tomar. Essas são questões que aparecem independentemente da classe social, nível cultural e etc. Essas dúvidas e incertezas profissionais ocorrem bastante com sucessores de empresas familiares.

 

Sincodiv-SP Online: Por que essa incerteza é recorrente nas pessoas dentro do modelo de negócio familiar?

 

Marie-Josette: Pela mistura de dois universos distintos. A maioria das pessoas se acostuma a trabalhar o profissional em separado do pessoal, o que não é correto, afinal, somos uma única pessoa. Entretanto, brigar no trabalho ou em casa corresponde a uma situação. Agora, imagine brigar no trabalho e ter de encontrar a mesma pessoa numa festa de família ou quando se chega em casa para descansar.

 

Outro ponto problemático é o fato de as pessoas se apegarem muito ao passado. Uma pequena intriga de irmãos quando pequenos pode se refletir anos depois na atuação da empresa, por exemplo!

 

Sincodiv-SP Online: Principalmente os líderes, queixam-se por não terem a quem confiar seus conflitos. Existe alguma técnica para que cada um consiga exercitar um trabalho de coaching em si mesmo?

 

Marie-Josette: A liderança é uma posição muito solitária, justamente por não poder compartilhar tais temores. Por essas e outras que o trabalho de coaching é necessário. Para aqueles que querem identificar possibilidades de melhoria, podem buscar:

 

Prestar atenção ao ambiente e escutar as pessoas;

Perguntar-se constantemente o que não te agrada e o que poderia modificar;

Evitar a negação. Todas as pessoas recebem etiquetas e rótulos. Pare de negar os seus e jogar a culpa nos outros. Busque saber o que te levou àquela posição e, se a “etiqueta” não te agradar, pense em como mudar;

Conscientize-se de suas fraquezas e de suas habilidades. É mais fácil trabalhar com pessoas que admitem os pontos em que precisam de ajuda e que conhecem aqueles em que são bons;

Não se coloque como vítima. Essa posição indica um ser passivo, sem força de atuação;

Seja o ator protagonista da sua vida;

Pense em como lapidar suas qualidades para melhorá-las.

 

Sincodiv-SP Online: As lideranças se tornam referências de coach para suas equipes. Como eles devem atuar para favorecer o desenvolvimento de pessoas?

 

Marie-Josette: Para poder ter uma equipe de qualidade e desenvolver pessoas no campo profissional, o líder precisa, antes de tudo, saber montar o time. Para isso, a melhor pergunta a se fazer é: qual é o objetivo que essa equipe deverá cumprir? A partir daí você busca os perfis necessários e que se complementem. O líder precisa de carta branca para tocar seu time, remodelá-lo quando necessário, etc.

 

A parte mais difícil é achar pessoas que queiram apoiar o líder para um trabalho bem feito. O maior problema é que as pessoas da equipe parecem sempre estar lutando para tomar o lugar do líder ao invés de atuar ao lado dele. Isso dificulta a relação.

 

Se tiver o objetivo bem definido, a equipe bem montada e o próprio líder buscar coach para orientá-lo, o sucesso é certo.

 

Sincodiv-SP Online: Como você acredita que os RHs das empresas podem atuar para ajudar o profissional a encontrar seu espaço e dar o melhor de si?

 

Marie-Josette: Acho que a grande falha dos RHs das empresas é achar que as ferramentas e medições são fins em si mesmos. Treinamentos, avaliação 360 graus, pesquisas de clima, todos estes meios são válidos e úteis para ajudar a desenvolver pessoas, mas a grande questão é que as pessoas não sabem o que fazer com os resultados. Entender o que está acontecendo com cada indivíduo funciona melhor, sempre visando, claro, os lucros para a organização.

 

Descartar pessoas é fácil, o problema, porém, é ter a pessoa certa na posição errada, isso acontece muito. Despedir não deveria ser a primeira opção.

 

 

Para ler a segunda parte do Bate-papo com Marie-Josette Brauer, clique aqui

 

 

 

Produção e edição:

Moraes & Mahlmeister Comunicação

 

 

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