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Seção Entrevista
04/10/2011 - 11:07:02
Bate-papo com Marie-Josette Brauer, psicóloga especialista em coachingv - 2ª Parte
Por Renan De Simone e Juliana de Moraes
Foto: A. Freire "Hoje, só posso fazer o que faço porque acredito no desenvolvimento das pessoas. Sou psicóloga, filósofa, mas, acima de tudo, uma coach. Essa é minha marca", encerra Marie-Josette.

 

Sincodiv-SP Online: Existe algum fator que possa prejudicar o trabalho de coaching?

 

Marie-Josette: Se a pessoa procura esse trabalho, significa que alguma coisa a incomoda, seja algo que a está prejudicando ou a vontade de crescer profissionalmente. Meu trabalho consiste em desenvolver as pessoas e, para isso, no início, estabelecemos, juntos, metas a serem atingidas. O maravilhoso da profissão é não só atingir os objetivos estabelecidos, como também quebrá-los.

 

O coaching fica prejudicado quando é imposto. Muitas empresas institucionalizam a prática e isso nem sempre funciona, especialmente quando o coach está dentro da empresa e, normalmente, consiste num profissional hierarquicamente superior ao funcionário “atendido”. A pessoa que está sendo orientada perde liberdade, não é sincera e o trabalho não funciona. Forçar uma situação nunca é bom.

 

Sincodiv-SP Online: Qual o perfil que mais procura o trabalho de coaching?

 

Marie-Josette: São diversas as pessoas que me procuram, mas poderia caracterizar quatro perfis principais: os seniores, as mulheres, os jovens e os teens.

 

Os três se referem a pessoas que passam por uma virada na vida. Os seniores me buscam quando são desprezados pelas empresas e não se adaptam ao mercado de trabalho. Muitas organizações falham quando menosprezam a experiência desses profissionais. Eles podem necessitar de uma atualização quanto às ferramentas, mas ninguém entende mais daquilo do que eles.

 

As mulheres procuram o coaching numa crise profissional, e o motivo é simples: elas não são homens. Homens e mulheres são diferentes e se complementam, e não se substituem. Como aqui no Brasil a entrada das mulheres no mercado de trabalho (especialmente em posições de liderança) ainda é recente, é normal que haja crises desse tipo, em que uma mulher é requisita a agir da mesma forma que um homem. O ideal é respeitar a diferença entre os gêneros e utilizar a sensibilidade e potencial de cada um para o desenvolvimento profissional.

 

Os jovens procuram um trabalho de orientação quando chegam no turning point (ponto de virada) da carreira, entre 28 e 35 anos. É difícil ver um jovem no início profissional (logo depois da faculdade, por exemplo) buscar o meu trabalho. A empolgação não deixa que parem para refletir.

 

Chamo de teens aquelas pessoas que buscam auxílio para descobrirem o que querem fazer na graduação. É uma fase muito difícil e de grande responsabilidade, especialmente porque todos colocam na cabeça dele que sua escolha influenciará sua vida toda. Imagine se, aos 18 anos (às vezes até menos), alguém tem capacidade de saber o caminho que quer seguir pelo resto da vida? A pressão é grande e podem ser criadas barreiras nesse período também.

 

Sincodiv-SP: Essas barreiras seriam as crenças limitantes de que fala? De onde vêm?

 

Marie-Josette: São verdades que compramos prontas e que nos impedem de alcançar o desenvolvimento desejado. É muito difícil precisar de onde vêm, as fontes são praticamente infinitas. Desde ditados populares até ensinamentos de família, tudo pode se transformar numa espécie de barreira.

 

Sempre escutamos coisas como “nada é fácil”, “a vida é isso... a vida é aquilo”. Esse tipo de ladainha é passada por pessoas que admiramos quando somos pequenos e, logo, instauramos tais palavras como verdades em nós. Sem contar as decisões limitantes.

 

Sincodiv-SP Online: Que seriam...

 

Marie-Josette: Coisas que falamos, decisões que tomamos em determinado momento da vida e que, sem nos darmos conta, se tornam barreiras porque nos perseguem como verdades absolutas. Uma vez assim, não somos sequer capazes de enxergar possibilidades. Assumidos uma posição conformista, determinada inconscientemente.

 

Sincodiv-SP Online: Então é difícil identificarmos nossas próprias crenças e decisões limitantes?

 

Marie-Josette: Sim, muito! Normalmente precisa de intervenção, algo externo que te mostre alternativas. Tanto por isso que viajar é altamente recomendável. Quando você viaja, especialmente para outros países e culturas, sai da área de conforto e vê que as coisas podem ser diferentes. Quando a crise é forte, porém, é necessária a ajuda de um profissional.

 

Sincodiv-SP Online: Para concluir, você conseguiu sair dessa área de conforto? Qual você diria que é a sua marca pessoal?

 

Marie-Josette: Tive de buscar minha Personal Branding sozinha, sair do comodismo, e é por isso que tenho paixão em ajudar as pessoas nesse sentido. Quando saí da psicoterapia voltada para os casos patológicos e fui me dedicar a outras áreas, montagem de palestras, cursos e workshops, tive de quebrar crenças e decisões limitantes. O fato de ser uma francesa/brasileira também me abriu os olhos para diferentes mundos.

 

Hoje, só posso fazer o que faço porque passei pelo processo e acredito no desenvolvimento das pessoas. Essa é minha marca.

 

 

 

 

Produção e edição:

Moraes & Mahlmeister Comunicação

 

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