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Seção Reportagem
11/11/2015 - 16:05:03
Aja como o azarão que deu certo: reimagine, seja consciente e insista
Por Juliana de Moraes e Renan De Simone
@_openspace_ Malcolm Gladwell, pesquisador e autor de livros com mais de 20 milhões de cópias vendidas, no evento HSM Expomanagement 2015.

Malcolm Gladwell, pesquisador e autor de livros com mais de 20 milhões de unidades vendidas, falou no evento HSM Expomanagement 2015 – de 09 a 11 de novembro, na capital –, sobre as vantagens competitivas dos “azarões”, aqueles que, apesar e por causa da baixa expectativa que inspiram nas pessoas, trabalham com essas características em seu favor e surpreendem, vencendo barreiras, inovando e lançando novas regras ao jogo para vencer.

No melhor estilo de um contador de histórias, ele apresentou trajetórias de pessoas que mudaram o curso de suas vidas e mercados porque foram capazes de atuar com liberdade, leveza e reimaginar processos para alcançar um objetivo o qual os personagens tradicionais não se sentiram à vontade para fazê-lo por estarem “presos” a tradições.

O olhar do novo, segundo Gladwell, enxerga possibilidades impensadas. Quem for capaz de ser aberto, consciente (em especial sobre suas limitações) e insistentemente desagradável, o que equivale a se importar pouco com o que pensam as pessoas do entorno, terá mais chances de vencer os desafios por meio de suas “novas” propostas para lidar com as questões que se colocam e, assim, atingir seus objetivos.

“É verdade que não ter nada a perder, muitas vezes, facilita – e muito – esse exercício de tentativa por um meio diferente de se alcançar uma meta, que não aquele já utilizado comumente. Em muitos casos, o que vi foram pessoas que buscavam simplesmente ‘sobreviver’, lançarem mão de um novo jeito de fazer as coisas porque não enxergavam a possibilidade de vencer pelos meios conhecidos”, explicou.

Davi e Golias

O autor tem na história de Davi e Golias, nome de seu mais novo livro, o exemplo que reúne boa parte dessas ideias sobre como utilizar a desvantagem como vantagem.

Davi era apenas um pastor judeu, enquanto Golias, um gigante filisteu. Ao se enfrentarem no embate histórico, ninguém poderia imaginar que o pequeno Davi pudesse vencer o grande guerreiro, mas assim o fez. E, hoje, estudando o contexto, observa-se que Davi, nem tão por acaso (ou milagre), venceu o invencível.

Foi insistente. Apesar do comando para que não fosse ele o representante dos judeus para a luta que determinaria o futuro de seu povo, fez questão de seguir em frente – até porque todos os demais soldados de seu exército estavam absolutamente céticos sobre suas chances de vitória contra Golias.

Mas, daí, veio o inesperado – por todos. Ele o enfrentou de longe. Como um exímio atirador de objetos, lançou uma só pedra no único ponto da testa de Golias que estava descoberto pela armadura de mais de 50 quilos que vestia.

Davi, em nenhum momento pensou em lutar corpo a corpo (ainda que essa fosse a forma de luta imaginada por todos – judeus inclusive), pois não teria chance alguma de vencer o gigante desta forma. Ao mudar as regras da luta, pegou o inimigo de surpresa, derrubou-o e, em seguida, com o guerreiro ainda desacordado, cortou sua cabeça, colocando fim à luta que possibilitou aos judeus seguirem seu caminho.

O jovem pastor foi astuto. Fez uso da baixa expectativa de todos, de seu oponente inclusive; reconheceu suas limitações, vantagens (como a agilidade ante a um enorme guerreiro); e não temeu quebrar as regras do jogo para, no âmbito de uma luta legítima, garantir o sucesso de sua empreitada.

“A meu ver, o segredo para as pessoas e as equipes é empreender, ou seja, estar disposto a assumir riscos, sem abrir mão do respeito pelas trocas. Profissionais jovens e sêniores devem intercambiar conhecimento, apostarem em si mesmos e compreenderem que juntos chegarão mais longe. Há conhecimentos que levamos anos para adquirir, mas também há de se reconhecer que reimaginar as possibilidades é um exercício legítimo para se alcançar as soluções e o sucesso”, concluiu Gladwell.

Produção e edição