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Seção Reportagem
23/11/2015 - 13:30:35
Dar autonomia a funcionários é essencial para incentivar inovação, destacam CEOs
Por Matheus Medeiros e Renan De Simone
@_openspace_ Walter Robb, coCEO da Whole Foods, e Daniel Lamarre, CEO do Cirque Du Soleil, participaram da HSM Expomanagement 2015

Imagine ter uma reunião marcada com os ex-integrantes dos Beatles e suas esposas. Você provavelmente passaria seu tempo tentando pensar na melhor apresentação e estratégia possíveis, certo?!

Mas não foi bem isso que aconteceu quando Daniel Lamarre, CEO do Cirque Du Soleil, conseguiu, em 2001, se reunir com George Harrison e sua esposa Olivia, Paul McCartney, Ringo Starr e Yoko Ono, ex-companheira do falecido John Lennon.

“Lógico que fiquei nervoso, aquela era a reunião mais importante da minha vida, ainda mais porque os Beatles nunca haviam fechado parceria com alguma empresa de entretenimento, mas eu tinha uma vantagem competitiva que me deixava extremamente confiante: a criatividade permeada por todo Cirque e seus colaboradores. Não há negócio sem inovação e eu sabia que termos estimulado a criatividade em nossa empresa durante anos faria com que conseguíssemos conquistar a parceria”, conta Lamarre, durante participação na HSM Expomanagement 2015, que aconteceu em São Paulo, em novembro.

A tal reunião se tornou o embrião do gigantesco projeto “Love”, show realizado, desde 2006, pelo Cirque Du Soleil, baseado nas histórias das músicas da banda inglesa. Além dos Beatles, a companhia circense também já realizou parcerias com as empresas que possuem os direitos das músicas de Elvis Presley e Michael Jackson, além de James Cameron, diretor de filmes como Avatar e Titanic.

Segundo Lamarre, o fator preponderante para todas essas negociações foi o mesmo. “Os líderes das empresas – e nisso falo de todos os setores, dos mais tradicionais aos mais ‘abertos’ – precisam valorizar e estimular a criatividade. Se seu negócio seguir sempre o mesmo caminho, você não terá nenhuma vantagem sobre seus concorrentes”, destaca.

Autonomia para funcionários

Para o CEO do Cirque Du Soleil, valorizar a criatividade só é possível a partir da oferta de autonomia aos colaboradores. “Os funcionários da empresa acompanham de perto a execução do trabalho e são os que conhecem melhor as particularidades do negócio, são eles que, quando estimulados, dão as melhores ideias”.

Para isso, Lamarre diz que os líderes devem alimentar a criatividade. “Antes de tudo, é preciso criar formas de propor o trabalho de forma criativa, os funcionários precisam ter liberdade para pensar em seu trabalho. Além disso, os gestores devem sempre estar abertos a novas oportunidades”.

Criar espaços

Quem também acredita que o sucesso de um negócio só é possível a partir da valorização dos colaboradores é Walter Robb, coCEO da Whole Foods, empresa líder mundial no negócio de comida saudável, com um faturamento de mais de US$ 13 bilhões e mais de 400 lojas.

“Nos negócios em geral, mas, principalmente, no varejo, tudo se resume ao momento de contato entre cliente e vendedor. Dessa forma, caso a empresa não valorize seus funcionários, ela estará jogando fora toda sua cultura organizacional, que é o seu diferencial e a maneira como ela implanta seus valores e missão”, enfatizou Robb.

Nesse contexto, torna-se essencial fazer com que os colaboradores tenham espaço. “A função mais importante que eu posso executar como líder é a de criar e incentivar espaços para o trabalho dos funcionários, já que são eles que trarão a inovação. Quando você dá espaço para as pessoas poderem trabalhar e criar da sua maneira, mantendo sua originalidade, mágica acontece”.

Buscar por tesouros

Daniel Lamarre acredita que os líderes precisam agir como “caçadores de talentos”. “As melhores pessoas e as boas ideias estão por aí, os gestores devem ter uma mentalidade exploradora e buscar por tesouros escondidos. Pode acontecer de você ter um funcionário com uma ideia genial, mas ele só compartilhará e desenvolverá essa ideia se ele for bem tratado e trabalhar num ambiente que o permita cultivar seus valores e alimentar sua criatividade”.

Por fim, o CEO do Cirque Du Soleil dá uma dica para as pessoas que não se consideram criativas. “Caso você seja ‘chato’ ou acredite não ter nascido criativo, se aproxime e se cerque de pessoas criativas e incentive a inovação o tempo todo, principalmente a partir de P&D (pesquisa e desenvolvimento)”.

 

Produção e edição