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Seção Reportagem
30/11/2015 - 17:25:22
O Poder dos Quietos, segundo Susan Cain
Por Juliana de Moraes e Matheus Medeiros
Divulgação

Mark Zuckerberg, criador do Facebook; Mahatma Gandhi, líder político indiano; e Jesus Cristo, pai do Cristianismo. O que eles têm em comum?

A resposta para a pergunta está na obra da jornalista norte-americana Susan Cain, “O Poder dos Quietos - Como os tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que não para de falar” (Editora Agir).

Publicação traduzida em mais de 30 idiomas, o livro vem conquistando a atenção do mundo corporativo por demonstrar que entre os introvertidos, um grupo que representa cerca de 50% da população mundial, estão líderes que marcaram época e ainda hoje provocam verdadeiras revoluções no mundo das ideias, dos hábitos e da tecnologia.

O problema, no entanto, é que a sociedade atual - na qual estão as empresas - não está atenta ao valor intelectual dessas pessoas porque segue movida pela busca dos carismáticos e extrovertidos, como se apenas eles fossem capazes de fazer a diferença para os grupos de trabalho e convívio.

“No século XX, derrubaram-se as paredes dos escritórios. As carteiras das escolas passaram a ser dispostas em círculos. O conceito da atuação em equipe ganhou o planeta, diminuindo-se a importância do momento individual de reflexão. Hoje, parece que somos demandados a sermos extrovertidos, mesmo quando isso representa a negação da essência de muitas pessoas”, explica a jornalista.

Respeito à autonomia

Em sete anos de entrevistas e leituras, Susan conclui que há a necessidade de reavermos (nas empresas, inclusive) a condição de autonomia para o desenvolvimento das tarefas e tomada de decisões, ante o risco de perdermos a oportunidade de receber a melhor das contribuições de indivíduos considerados “tímidos”.

Curiosamente, um estudo realizado com peixes indicou que os animais com uma postura mais introvertida ficaram desconfiados e cautelosos quando expostos a armadilhas com cores vibrantes e, portanto, dificilmente pescados. Já os extrovertidos, mostraram-se curiosos e, arriscaram mais, por isso, foram facilmente capturados.

Em compensação, quando os peixes foram levados a aquários de laboratórios, percebeu-se que os extrovertidos alcançaram a adaptação ao novo ambiente mais rapidamente do que os introvertidos, que levaram um tempo maior para reassumir a rotina de se alimentar e dormir. 

No universo dos homens, os introvertidos são pessoas altamente sensíveis a estímulos, que demandam mais silêncio para trabalhar, por exemplo, e algum espaço para exercício da ‘solidão’. É essa dinâmica que os diferencia dos extrovertidos.

“Estudos mostram que eles (os quietos) possuem alto poder de colaboração e até trabalham melhor em equipe, sendo capazes de contribuir fortemente para o conjunto, desde que tenham condições de refletirem individualmente antes”, afirma.

Tímidos são líderes mais democráticos 

Ela destaca que um estudo elaborado por Adam Grant, da Wharton School, demonstra que líderes introvertidos trazem resultados acima da média por adotarem uma postura mais democrática do que as lideranças extrovertidas.

“Os primeiros são menos ‘empolgados’, por isso não atropelam as sugestões e ideias dos membros de suas equipes. Todos passam a ter uma sensação de pertencimento e com isso há um maior engajamento para a busca de soluções”.

Autoconhecimento e sensibilidade

De acordo com Susan, a recomendação é que os gestores busquem autoconhecimento para entender melhor a si mesmos e trabalhem a sensibilidade que possibilita perceber como tratar cada um de seus colaboradores, conforme suas características de introversão e extroversão.

“Por exemplo, o tímido deve ser incentivado a falar primeiro em uma reunião para que não se perca a chance de ouvi-lo, uma vez que as discussões tendem a ganhar um tom mais acalorado, menos confortável a eles, conforme evoluem”, orienta a escritora.

Por fim, Susan conclui que não há melhor, nem pior. “O valor está na diversidade. E sairão na frente aqueles que reconhecerem nos introvertidos sua importante contribuição no atual mundo que não para de falar”. 

 

Produção e edição

 

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