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Seção Reportagem
03/12/2015 - 15:21:55
No trabalho, o que está em jogo não é apenas a empresa, mas os vínculos
Por Cauê Rebouças, Renan De Simone e Juliana de Moraes
@_openspace_ Joe Hart e Linda Rottenberg se apresentaram no HSM Expo Management em novembro

A partir de recentes entrevistas com cerca de 500 diretores e funcionários de diversas empresas nos Estados Unidos e Brasil, a Dale Carnegie Training, tradicional empresa de treinamentos direcionados à melhoria do desempenho individual e organizacional, concluiu que um bom dirigente possui as qualidades de confiabilidade, empatia, humildade. Ele deve ser inspirador.

“Ser confiante, sincero, engajador e humilde, além de ter ideias criativas e transgressoras são diferenciais. Com isso, funcionários vão querer trabalhar e se comprometer mais. Pois, o que está em jogo não é apenas a empresa, mas vínculos – o homem é feito de vínculos”.

A definição de Joe Hart, CEO da Dale Carnegie Training, um dos palestrantes da HSM Expomanagement 2015, que ocorreu em novembro, em São Paulo, capital, vai ao encontro da opinião de Linda Rottenberg, formada em Harvard e Yale, cofundadora e CEO da Endeavor, que também esteve presente no evento.

“A primeira lição é que empreendedorismo e liderança são conjuntos de habilidades e aptidões que todos podem desenvolver (em maior ou menor medida), respeitando suas características”, assegurou a executiva.

Confiabilidade

Uma das grandes qualidades de um bom líder é possuir confiança em si e nos outros. Na pesquisa de Hart, 59% dos entrevistados disseram não acreditar plenamente naquilo que estão fazendo por não acreditarem em seu superior.

Empatia

A habilidade de colocar os outros acima de seus objetivos pessoais, conectá-los para alcançar metas, é um pilar importante para os líderes, de acordo com o executivo.

Respeitar a opinião dos outros, ser receptivo a ideias dos funcionários, estar atento a sugestões, dúvidas e críticas, são características deste atributo e que devem ser aperfeiçoados, segundo Hart.

Isto reflete claramente nos dados que o palestrante apresentou, nos quais 60% dos pesquisados afirmaram que não darão seu melhor para líderes que não os ouvem, e que 58% nunca se esforçarão para pessoas que deixam de mostrar apreciações sinceras.

Inspiração

Líderes precisam ser inspiradores, motivar seus profissionais a superarem momentos difíceis e a seguirem em frente. “Essa característica faz as pessoas darem mais de si para qualquer projeto que seja, pois elas acreditam e confiam no líder”, destacou Linda.

Um exemplo claro disto é que, na pesquisa de Hart, 74% apontaram que gostariam de seguir um líder que queira seguir propósitos maiores que apenas o lucro – ou seja, mudar algo no mundo – contra apenas 26% que afirmaram que seguiriam alguém que se concentra apenas no financeiro.

Essas estatísticas denotam que os empregados precisam ter algum sentido emocional em seu trabalho, não apenas o financeiro. “Na crise, vejo muitos executivos desesperados pensando que terão que dar aumento aos seus funcionários, focando no dinheiro. Desprezando que o lado afetivo, do engajamento, que é o mais importante”, ressaltou Linda.

Ao ser indagada sobre qual o maior conselho que poderia dar aos empreendedores, ela respondeu que “é se permitir ser humano, isto é, emocional, não ser uma casca, sisudo a todo instante – o que não é fácil no mundo dos negócios”.

Humildade para contratar quem é melhor do que você

Pessoas humildes não possuem medo de admitir seus erros. Os dirigentes que tentam buscar novos conhecimentos e não têm medo de admitir os erros prontamente, com sinceridade, são os mais respeitados, de acordo com Hart. “Para se ter sucesso, é preciso explorar seus pontos fortes e contratar pessoas melhores que você em seus pontos fracos”, aconselhou.

Para ele, os chefes não devem tomar decisões impulsivas, que denotam instabilidade. Dos entrevistados por ele, 67% disseram que não dão o melhor de si para aqueles que não admitem seus erros e que não aceitam as opiniões dos outros.

Transgredir

Linda Rottenberg narrou que foi chamada de louca inúmeras vezes por ter a ideia de criar uma empresa que tem como objetivo ensinar e dar suporte para outras pessoas empreenderem e ganhar dinheiro. “Questionavam-me como eu queria criar algo que daria mais dinheiro para outros do que para mim mesma”, contou.

No entanto, abraçou a ideia e foi declarada eleita uma das Melhores Líderes da América pela US News & World Report e listada entre os 100 Inovadores para o Século 21 da revista Time, sendo que a Endeavor é uma das empresas que mais lucraram nos últimos anos.

Para Linda, “o mais difícil de empreender é se dar a liberdade de arriscar e colocar as ideias em prática, dar-se esta permissão mesmo sabendo que as pessoas irão nos chamar de loucos – inclusive durante períodos de recessão econômica”.

A crise e o empreender

“Quando a economia entra em recessão, os empreendedores devem comparecer”, ressaltou Linda, complementando que esta é a melhor fase para criar empresas.

De acordo com ela, mais da metade das 500 empresas melhores sucedidas dos Estados Unidos foram cridas em períodos de crise, isso por dois fatores: poder contratar talentos mais facilmente e conseguir alcançar fatias do mercado que eram monopolizadas.

 

Produção e edição