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Seção Reportagem
14/01/2016 - 10:08:07
Com previsão de estabilidade ou leve queda, consórcio pode trazer fôlego ao negócio de concessionárias em 2016
Por Juliana de Moraes e Cauê Rebouças
Sincodiv-SP / Sarro Comunicação

“O consórcio está moldado para que pessoas físicas ou jurídicas possam adquirir quaisquer tipos de veículos. Já sua essência, está no cliente atento ao planejamento futuro, consciente do valor de poupar, tendo como base a poupança mensal. Em outras palavras, trata-se de um produto para consumidores que não abrem mão de adquirir, desde que dentro de suas possibilidades financeiras”.

A avaliação é de Paulo Rossi, presidente executivo da Abac (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio), que acredita em manutenção das vendas de consórcios em 2016, com pequenas variações, ora positivas ora negativas, resultando, na média, em estabilidade para os indicadores da modalidade.

“Para os concessionários, no entanto, o recurso de venda ganha ainda mais importância. Ao longo do tempo e das possíveis oscilações de mercado, permite sustentação e rentabilidade às revendas ao agregar receita e fidelizar clientes”, alerta o dirigente da Abac.

Foi justamente a partir dessa perspectiva que empresas, como a Automec, passaram a dedicar esforços para a evolução dos negócios na área de consórcios, visando o equilíbrio das fontes de recursos, estratégia que mostrou seu valor em 2015 - ainda que no mercado Duas Rodas a modalidade de vendas tenha registrado queda, segundo levantamento parcial para o ano.

No último ano, até novembro, o setor de motocicletas contava com 2,83 milhões de participantes, sendo o segundo maior do sistema de consórcios. A área registrou retração de 9,9% em vendas de novas cotas, enquanto que para as demais categorias de veículos verificou-se aumento.

Automec e as vendas de consórcios

A Automec, rede de nove concessionárias que atua em cidades do interior paulista, desde 2010 dedica foco para a venda de consórcios, acreditando que essa estratégia é uma alternativa válida para as vendas de veículos e que pode ser interessante dependendo das taxas e do momento econômico que o pais enfrenta.

José Garcia, gerente operacional da empresa, apontou a importância proporcional que as cartas foram ganhando durante os anos. “Quando começamos, a cada cerca de 900 carros vendidos, comercializávamos três cotas de consórcio. Hoje, vendemos, em média, umas 25 cartas para cada 300 carros. Claro que há variação dependendo do mês, mas a importância aumentou proporcionalmente”.

De acordo com os dados de Garcia, quando eles começaram a dar mais ênfase para os consórcios, a modalidade representava cerca de 0,33% das vendas totais, enquanto, agora, representa 7,69%. O aumento foi substancial e relevante, especialmente neste período de recessão econômica que o Brasil enfrenta e que afeta diretamente as concessionárias.

Projeções para o ano de 2016

Ao contrário de Rossi, Garcia acredita que as vendas no setor automotivo, em geral, diminuirão – o que afetará também os consórcios durante o ano de 2016. “O grande problema que a modalidade enfrenta é a alta de juros que o país atravessa, pois afasta as pessoas que se comprometem no médio e longo prazo. Outro problema é a cultura brasileira imediatista. O brasileiro não quer algo no longo prazo, ‘para depois’, mas para agora”.

Segundo o executivo, o resultado desse ano será pior do que o do ano passado. “Se as vendas de cartas se mantiverem, já é um lucro. No entanto, acredito em uma ligeira queda, menor do que a de veículos em geral, mas cairá”, afirma. Para ele, outro problema é o aumento da inadimplência, principalmente pelas altas de juros, o que faz as pessoas, muitas vezes, não conseguirem continuar os pagamentos dos carnês.

Para Garcia, o consórcio é uma alternativa interessante e que poderia ter um melhor aproveitamento para o mercado, caso as taxas fossem menores e o brasileiro tivesse um pensamento voltado para o futuro – fomentando a poupança.

“Como o mercado anda em baixa, os consórcios são uma alternativa complementar. Não salvará os concessionários, mas pode ser uma renda fixa que os auxiliará nesse momento difícil. Ainda, os clientes que tiveram uma boa experiência serão mais receptivos a fazer outro fundo, ou seja, uma espécie de fidelização, que nesse período, pode ser importante para a categoria”.

Balanço parcial de 2015

Segundo avaliação da Abac, o consórcio de veículos teve um aumento de 4,9% na sua participação sobre o total nos 11 primeiros meses de 2015, num movimento que foi na contramão das vendas do setor no último ano.

Para veículos leves, a elevação foi de 9,3% nas vendas de cotas de janeiro a novembro de 2015, enquanto que para os pesados houve aumento de 10%, situação a que Rossi atribui ao fato de que os consumidores têm buscado adquirir seu veículo automotor baseado no planejamento financeiro e no consumo responsável.

Já o setor Duas Rodas enfrentou desaceleração (-9,9%) pela própria diminuição de sua força de vendas, que recuou cerca de 10% no período, informou Rossi. “Deve-se destacar, ainda, a perda de poder de compra dos consumidores. A crise tem impactado, principalmente, a camada da população consumidora desse produto”, explica Rossi.

 

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