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Seção Reportagem
17/03/2016 - 10:31:38
Informar empregados sobre as negociações coletivas é estratégico para empresa
Por Juliana de Moraes e Renan De Simone
Sincodiv-SP / Sarro Comunicação

A falta de comunicação com os empregados na época das negociações coletivas anuais traz como resultado espaço para boatos, afirmações mentirosas e polarização das relações entre patrões e seus profissionais, com prejuízo para as empresas.

Não há modelo ideal para o estabelecimento de um canal de comunicação sobre o processo de negociação coletiva, mas o doutor em Direito do Trabalho, Sólon Cunha, defende que conquista espaço quem sai na frente.

“Considero positivo quando o empregador toma a iniciativa de levar as informações a todo o seu pessoal – e não apenas RH – desde o momento do recebimento da pauta de pleitos do sindicato dos trabalhadores. Esses dados já poderão vir acompanhados de alguma análise que sinalize a posição do lado patronal”, explica.

Cunha, que também é professor coordenador do curso Liderança Sindical Empresarial na Fundação Getúlio Vargas e sócio do escritório de advocacia Machado Meyer, diz que o desafio não é pequeno, mas ao se estabelecer uma cultura de comunicação, a empresa ganha aliados. “É algo que se constrói ano a ano”.

O papel da informação sem emoção

O processo de informação, portanto, se faz fundamental. Entretanto, não é simples. Trata-se de uma tarefa que envolve certa complexidade porque os termos devem ser adequadamente escolhidos e é importante uma boa assessoria para o desenvolvimento da ação.

“Neste tipo de comunicação, não cabe emoção (utilização de adjetivos), mas, sim, uma forma ‘humanizada’ de se levar a informação”, afirma.

Negociação sindical é difícil por envolver grupo heterogêneo

A atenção ao fator “emoção” – apresentado pelo especialista em Negociações Sindicais – se dá pelo fato de que os perfis dos profissionais presentes nas negociações coletivas podem ser muito diferentes, o que representa uma barreira para o diálogo – e para as impressões que as partes têm uma da outra. Os conflitos podem ganhar ainda mais força pela diversidade cultural entre os interlocutores, além do contingente político envolvido em toda a relação.

A situação, no entanto, não pode compor as informações relativas às negociações coletivas com colaboradores, até porque o objetivo não é induzir opinião, mas simplesmente comunicar o andamento das tratativas.

“Uma forma de amenizar as tensões advindas dessa característica que marca o grupo que negocia os temas de convenções e acordos coletivos é a proposição de uma agenda em prol do relacionamento. Ou seja, é recomendável que haja contatos entre as partes ao longo de todo o ano, visando, assim, um diálogo permanente, e não somente para questões de conflito”, explica.

Relações trabalhistas são aspecto crítico

Cunha ainda destaca que falta aos empresários a consciência de que as relações trabalhistas equivalem a um aspecto crítico para seus negócios. “Nas mesas de negociações, vemos sempre bancadas formadas por um número muito maior de representantes dos empregados do que dos empregadores e isso ocorre porque as organizações de trabalhadores possuem, de fato, pessoas mais preparadas”, analisa.

Cabe ao lado patronal, assim, capacitar suas pessoas para que sejam capazes de agregar na condução de negociações coletivas das empresas. “Hoje, qualquer 1% nos custos faz enorme diferença à sustentabilidade dos negócios e, em um país que tem como marca organizações prestadoras de serviços, o peso equivalente da mão de obra é determinante”, indica.

Troca de informações é positiva

Dentro de todo o contexto apresentado, as organizações que investem e trabalham na troca de informações com seus colaboradores na época das negociações coletivas alcançam resultados melhores, segundo a experiência do advogado que conduz negociações para várias corporações.

“Existe dignidade no processo quando o empresário ou liderança executiva orienta que haja a divulgação de informações sobre a condução do diálogo com os sindicatos dos trabalhadores”, afirma.

Ele também aponta que sua experiência mostra que as organizações devem preparar e escolher apenas um porta-voz que será a fonte principal para as informações junto ao seu púbico interno. Adicionalmente, toda a comunicação deve ocorrer mediante uma pré-análise da forma como as informações serão apresentadas.

No caso de consultas dos empregados sobre os temas das negociações, Cunha complementa que as empresas e sua representação patronal devem se esforçar em responder.

“Tornar-se a fonte primordial para os colaboradores sobre o tema das negociações é estratégico. Quanto maior a transparência, melhor sempre será para as relações entre empregados e empregadores”, conclui.

 

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