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Seção Reportagem
22/03/2016 - 12:45:05
Ricardo Amorim: prioridade para o setor é sobreviver para aproveitar alta de mercado no médio prazo
Por Renan De Simone e Juliana de Moraes
Divulgação / Ricardo Amorim

“Perguntem-se: o que eu deveria estar fazendo e não estou? Aproveitem a crise, pois ela nos força a fazermos aquilo que deveríamos, dá o impulso necessário a sair da tal zona de conforto. A ‘boa’ notícia é que a recessão deve piorar um pouco ainda, mas não muito, pois o fundo do poço está próximo. Digo que notícia é boa porque, a seguir, a curva de crescimento é positiva. A má é que não há perspectiva de recuperação no curto prazo, em especial para o setor de veículos”.

A afirmação é de Ricardo Amorim, economista e comentarista do programa Manhattan Connection, em palestra, “Oportunidades em meio à crise econômica”, voltada ao setor de distribuição de veículos, realizada na sede da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), na capital.

Ele indica que o setor de distribuição de veículos é um termômetro exacerbado da economia brasileira, afirmando que “quando tudo vai bem, vocês estão melhores que os outros, porém, a inversão desse movimento também é válida para o cenário oposto e teremos, no melhor cenário, ainda mais trimestre de retração”.

O que fazer?

Amorim destaca que a prioridade para o setor de veículos nesse momento é a sobrevivência, e que isso é uma oportunidade de ajeitar custos e dar atenção a áreas-chave do negócio. “Sem crédito na praça, ou com crédito caro, e sem confiança, as compras não terão uma retomada no curto prazo. Sem grande perspectiva para produto, a atenção deve ser voltada ao atendimento ao cliente e serviços, duas áreas em que ainda há muito a se profissionalizar no setor”.

Segundo ele, quem sobreviver ao difícil período enfrentado terá o privilégio de desfrutar de um novo momento de prosperidade no médio prazo, que deve iniciar dentro de três ou quatro anos. “A economia é cíclica e tem um efeito de pêndulo, um período de recessão forte é sempre seguido de grande recuperação e de retomada, se a queda é intensa, tanto o é a recuperação”, pontua.

Crédito

A falta de crédito e as altas taxas de juros desestimulam o consumidor no curto prazo, em especial porque há falta de confiança, ressalta o economista. Para os concessionários de todo o país a dica é: não se endividem.

“Caso seja impossível não se endividar, busque alternativas de crédito fora do país, em dólar e com pagamento no longo prazo. Isso porque o câmbio flutua, mas tende a valorizar o real em médio prazo. Esse fato aliado ao de que as taxas de juros externas são menores que as nossas alimenta minha ideia e pode render uma bela economia”.

Oportunidades

Para o setor de veículos pesados, quando ocorrer a recuperação do cenário econômico, o momento será muito bom, de acordo com o especialista. “O Brasil tem um problema de logística e ela é praticamente inteiramente dependente do transporte rodoviário, que é o único que funciona realmente. Quando o país voltar a crescer, essa será uma das modalidades com mais procura”.

Amorim ressalta também que os empresários devem ter atenção ao interior do país como um todo. “Os índices são claros em mostrar que tais locais crescem mais que as metrópoles urbanas”. Segundo ele, o fato se deve ao bom preço (mesmo depois de alguma retração) das commodities brasileiras no mercado internacional, favorecido pela alta do dólar nas exportações. “Essas áreas passam a receber mais dinheiro, consumir mais e etc.”.

Quanto aos concessionários em geral, Amorim recomenda que intensifiquem o diálogo com as montadoras. “Vocês que entendem a fundo do negócio devem encontrar uma forma de conscientizar as marcas que há potencial de crescimento, mas que também existem problemas. Devem discutir margens e pressões dos dois lados. Estabelecer um verdadeiro modelo de ganha x ganha e não uma disputa interna que não contribui para o negócio. Caso contrário, ambos morrerão juntos”.

Por fim, ele pediu para os empresários prestarem atenção ao funcionamento do mercado de aplicativos e como eles podem influenciar positivamente as empresas, tanto pelas ideias de modelos de negócio como impacto na venda de produtos.

Em tom de reflexão, conclui a conversa, perguntando: “o que vocês podem ganhar com o crescimento do Uber, por exemplo?”.

 

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