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Seção Entrevista
24/03/2016 - 10:46:42
Entrevista sobre publicidade infantil com Marcelo Pontes, professor de Marketing da ESPM-SP - PARTE II
Por Matheus Medeiros e Juliana de Moraes

Sincodiv-SP Online: Em sua avaliação, a atuação do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) é razoável quanto ao tema? 

Marcelo Pontes: A atual regulamentação não é excelente, mas é boa. Pode melhorar? Claro, assim como qualquer atividade humana. Não precisamos destruir tudo o que já foi feito, e sim aprimorar isso. Hoje, o Conar proíbe, por exemplo, o uso do imperativo – como “compre” e “peça para seus pais” – e conteúdos que desvalorizem a família, a escola e a vida saudável, entre outras regras.

E existe um detalhe importante quando falamos sobre esse assunto. A publicidade infantil é a propaganda de produtos dirigidos para crianças ou a veiculação de mensagens comerciais em horários e veículos assistidos por elas? Existe a publicidade de produtos para crianças destinada aos pais, assim como podem existir anúncios sobre mercado financeiro veiculados no horário do desenho.

Sincodiv-SP Online: Qual é a sua opinião sobre a atuação de órgãos como o Conanda, que trabalham pela restrição da publicidade infantil?

Marcelo Pontes: Existem alguns grupos no Brasil que desejam regulamentar a publicidade infantil de uma maneira muita radical. Simplesmente banir a relação da publicidade com a criança parece ser um tanto quanto irreal. Até porque, como se dará essa proibição total?

Você pode proibir que alguns meios de comunicação “falem” com a criança, como as televisões, o cinema e as revistas, mas como se acaba com o acesso da criança ao ponto de venda e as lojas? Isso sem falar da internet.

O que eu vejo como mais razoável é colocar algumas limitações, de maneira democrática, a partir de um debate amplo que envolva agência, anunciantes, acadêmicos, ONGs, pedagogos e entidades do setor. Essa regulamentação não pode ser decidida em uma reunião com três ou quatro pessoas e sem um embasamento cientifico.

É preciso mostrar dados e eliminar esse “achismo” que permeia as conversas e decisões sobre o tema.

Sincodiv-SP Online: A publicidade infantil pode assumir um lado educacional?

Marcelo Pontes: Sem dúvida nenhuma. E isso é muito pouco utilizado no Brasil. Imagine quão bom seria, numa época de verão escaldante e com aumento absurdo de casos de dengue, por exemplo, se a publicidade conseguisse educar algumas crianças sobre “não deixar água parada”, “lavar a mão antes de comer”, etc.

Quantos casos de doenças a gente não poderia evitar? E isso apenas incentivando a higiene. Lógico que o papel da família ainda é absoluto nessa área, mas se mais alguém falasse sobre temas como saúde, educação e comportamento, seria muito importante para as crianças. É um desperdício jogar essa oportunidade fora.

Sincodiv-SP Online: Há um consenso mundial sobre como a publicidade infantil deve ser regulamentada ou proibida? Existem alguns países que são referência no tema?

Marcelo Pontes: É difícil comparar a regulamentação brasileira com as de outros locais. Tanto em alguns países onde as propagandas para crianças são liberadas, quanto na Suécia e Noruega, onde é quase totalmente proibida, a educação de maneira geral é um problema muito menor do que no Brasil...

O fato é que não há um consenso mundial sobre o tema, até por isso, o debate precisa ser muito bem ponderado no Brasil.

 

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