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Seção Reportagem
16/06/2016 - 14:58:32
Atuar sobre o inesperado garante a perpetuação do negócio, afirma Aswath Damodaran, da Universidade de Nova York
Por Juliana de Moraes e Matheus Medeiros        
Divulgação HSM / @_openspace_

“Você pode prever o surgimento de um novo concorrente, mas jamais poderá antecipar um terremoto ou mesmo interferir no estouro de uma crise política. O que o empresário e seus gestores podem fazer é atuar de forma adequada sobre os eventos e para isso há orientações a se seguir”, explica Aswath Damodaran, professor de Finanças da Stern School of Business, na Universidade de Nova York. Ele esteve na capital paulista, neste mês de junho, onde conduziu um curso de dois dias sobre o valor das organizações, trazido ao país pela HSM.

De acordo com o especialista indiano – um homem de pequeno porte que assume uns dois metros de altura quando se põe a falar –, é possível atuar de forma planejada em relação a situações de crise e outras inesperadas, ampliando (até) o valor da empresa, mas para tanto será necessária preparação e uma reação direcionada ao resultado.

Ferrari para poucos... e para todos

Para exemplificar, ele aponta que, assim como os criadores e gestores da Ferrari, uma organização que cresce consistentemente 6% ao ano mesmo em cenários de crise, os empreendedores devem se preparar para assumir posições na direção da flexibilidade – que os tempos pedem – e decisões maduras diante dos eventos inesperados que obrigam mudanças na trajetória das organizações.

“Hoje, a tradicional montadora italiana, sinônimo de status e proprietária de um ‘clube de exclusividade para os que possuem seus veículos’, tornou sua marca acessível a um público maior, a partir de um modelo compartilhável a uma grande rede de ‘fãs’”, explica.

A companhia tornou isso possível por meio de itens que nada tem a ver com o seu produto mais conhecido. De algum tempo para cá, há relógios e canetas, por exemplo, que passaram a levar sua marca oficial – por um valor bastante elevado. Ou seja, a direção da montadora entendeu que a percepção de status pode ser ampliada (ainda que de forma marginal) por meio de outros meios de consumo que carreguem com eles a sensação de exclusividade proporcionada pelos seus veículos.

“Vejo essa atuação como um novo jeito, uma evolução da forma como se faz crescer o negócio ante a necessidade de mudar que os tempos naturalmente trazem. Ferrari poderá se tornar, no futuro, um selo aplicável a qualquer produto que represente qualidade elevada, sofisticação, mas, principalmente, status para quem o possui”, pontua o professor.

“Guia dos 10 pontos”

Atento às incertezas dos tantos eventos e acontecimentos que obrigam o repensar dos modelos de atuação das empresas, o que inclui as concessionárias de veículos na atual fase que atravessam, o especialista orienta 10 pontos a serem observados pelos líderes de empresas sempre que se depararem e tiverem de reagir à provocação causada pelos cenários de incertezas:

1 - Menos é mais. Privilegie o todo em detrimento do detalhe, que consome tempo (que às vezes não temos). Trabalhe ideias para o curto prazo, pois quanto mais atenção ao futuro, maior será esforço para desenhar um plano de ação (e maior será também sua imprecisão);

2 - Elabore roteiros internos para a gestão de eventos inesperados de forma que as ações propostas não sejam irrealizáveis (pela realidade do mercado ou mesmo pelo posicionamento assumido pela organização);

3 - Coloque em prática o exercício dos princípios gerais da Economia (o que move os negócios serão sempre as suas leis gerais, como oferta e procura). Você pode lançar projeções sobre o futuro de sua empresa no mercado, mas jamais ignorar as regras básicas da matemática e da economia;

4 - Faça testes para medir a coerência das propostas/ideias. Confronte expectativa e realidade;

5 - Use o mercado como muleta... para preencher os critérios de informações que não possui e, assim, analisar o seu negócio. Se não tiver o registro, por exemplo, de turnover de sua operação, utilize como métrica a média do mercado até que consiga apurar a informação individual de sua empresa. Dessa maneira poderá, ainda que de forma incompleta, estabelecer uma base para avaliação e planejamento de suas ações em relação a um ponto de partida que você terá definido;

6- Faça seu planejamento atento à “lei dos grandes números”. Utilize a média obtida pela análise relacionada a um prazo determinado (últimos seis meses, por exemplo) ou desempenho de algumas empresas selecionadas para que seja utilizada como base de comparação às suas expectativas individuais. É melhor do que recorrer a um número do momento específico em que a empresa e o mercado estão tomados pela incerteza;

7 - Não permita que os descontos em valores de produtos e serviços se tornem a receita para enfrentar todos os momentos de retração e incertezas da economia;

8 - Enfrente (e não recue ante) o evento inesperado que traz riscos para a gestão de suas pessoas e negócios. Essa postura é determinante para confiança geral dos envolvidos;

9 - Não busque precisão, e aceite desvios como algo natural. Em cenário de incertezas, a certeza simplesmente não é possível;

10 - Você pode conviver com incertezas, mas visões tendenciosas poderão matar o seu negócio!

O especialista conclui: não somos capazes alterar os acontecimentos do mundo (na maior parte das vezes), mas certamente podemos orientar a forma como respondemos a eles para superarmos e avançarmos com nossos negócios!

 

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