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Seção Entrevista
13/10/2016 - 12:22:23
Bate-papo com Oswaldo Müller, consultor em moda masculina e empreendedor - PARTE II
Por Renan De Simone e Juliana de Moraes
Sincodiv-SP/Edson Caldas Para os distribuidores, Müller questiona, “já imaginaram um cenário no qual o manobrista, a recepcionista e o vendedor estivessem em franca comunicação a ponto de passar informações importantes entre de

Sincodiv-SP Online: Como adaptar seu negócio a um mundo rápido como o de hoje, onde o instantâneo é o que prevalece? Como fica a profissão do alfaiate, uma atividade que exige tempo, provas e etc.?

Oswaldo Müller: Atendemos à demanda do cliente. Se necessário, conseguimos confeccionar um traje em até 48 horas para casos de emergência. Claro que, numa situação assim, temos de pular etapas como provas e etc., mas atenderemos com qualidade e no prazo. Pequenos ajustes e barras, por exemplo, fazemos em poucas horas, se necessário!

Temos soluções para todos os casos. Se um consultor não está conseguindo resolver um problema, nós pedimos a outro que o assuma e inicie com visão fresca e energia renovada.

Quanto aos alfaiates, eles trabalham continuamente confeccionando trajes para o estoque de aluguel. Eles conseguem fazer de dois a três trajes por semana cada um, mas aceleramos ou desaceleramos essa produção de acordo com a necessidade.

Sincodiv-SP Online: A alfaiataria passou por uma grande diminuição de profissionais após o advento da industrialização. Como você enxerga a profissão nos próximos anos, ela tende a desaparecer?

Oswaldo Müller: A profissão diminuiu bastante, mas não vai acabar porque é bem remunerada. Quem procura o alfaiate é mais exigente e quer algo personalizado. A industrialização, de trajes padronizados e de tecidos mais baratos, forçou os alfaiates a se especializar para ter um produto diferenciado.

Além disso, a profissão não desaparecerá porque trabalhamos para que isso não aconteça. Estamos constantemente buscando jovens talentosos para treinar com os alfaiates, tornando-se discípulos da arte. E, às vezes, eles ficam melhores que os professores (risos).

Inclusive, acredito que somos pioneiros no resgate da profissão, pensando na profissionalização, o que contribui para a perenidade do negócio da Maximu’s. Estamos trabalhando para estruturar, junto ao Sebastian Fonseca (ex-garoto propaganda da C&A), uma oficina de ensino gratuito de tal arte na cidade de Osasco (SP), onde funciona um núcleo educacional de arte que leva o nome do artista.

Sincodiv-SP Online: Para os distribuidores de veículos do estado de São Paulo, quais as principais dicas que daria em relação à forma de se vestirem?

Oswaldo Müller: Estar bem vestido e adequado a cada ocasião contribui para a autoestima, abre portas, melhora postura e presença, sem falar na elegância.

Acredito que os empresários devam prestar atenção a seus trajes, principalmente os de cargos mais altos e donos do negócio. E recomendo também o uso de ternos para os vendedores, isso dá um ar de respeito e confiança na hora de negociar.

Uma roupa feita sob medida tem caimento perfeito e de acordo com seu biótipo; o tecido é de melhor qualidade, não aquecendo em excesso quem o utiliza; a modelagem é personalizada, ajudando a desenhar a silhueta do homem; e tem melhor acabamento, durando mais. Todos esses fatores nos fazem repensar se uma roupa confeccionada é “mais cara”, pois, pela sua durabilidade e pelo que proporciona, o valor não é tão alto assim.

Caso não seja possível utilizar uma roupa sob medida, deem preferência àquelas de tecido não sintético, boas escolhas são a lã fria e mistos com viscose, por exemplo.

Sincodiv-SP Online: Qual o maior pecado que um homem pode cometer ao escolher sua roupa? É possível seguir algumas orientações mínimas para não errar?

Oswaldo Müller: Além de respeitar seu próprio tamanho e caimento, para se estar bem vestido, deve-se seguir o dress code (código da vestimenta, na tradução do inglês). Observe bem o que diz o convite para o evento e não desagrade o anfitrião. Ou seja, se no convite estiver escrito traje a rigor, a escolha deve ser pelo smoking, que é sempre utilizado à noite, por isso é também um traje escuro, com corte de lapela específico.

Se o convite pedir traje social, ele se refere ao terno. Importante ressaltar que, pelo código, o traje social só pode ser de cor escura, preto ou um azul marinho, no máximo. Já no esporte fino, a cor clara é admitida, temos mais liberdade.

Digo sempre que a criatividade é boa quando sem exageros. Smoking com tênis, por exemplo, é um ato de rebeldia e só cai bem se o convite não for específico ou se determinar tal liberdade.

Recomendamos o cuidado no uso de acessórios em excesso. Por exemplo, não se deve usar abotoaduras em um traje estilo slim, elas não combinam. Há de se ter cautela na harmonização de cores, por isso recomendo sempre o uso de camisa branca, o que permite mais liberdade na escolha da gravata, por exemplo.

Aliás, a gravata deve sempre respeitar a altura do cinto, tocando esta linha quando a pessoa estiver na postura em pé. Isso quer dizer que ela não deve estar nem muito curta e nem muito longa.

Sincodiv-SP Online: O que entende como tendência e novidades que devem aparecer em breve?

Oswaldo Müller: Há épocas em que é difícil prever com certeza, mas noto uma mudança para tecidos estampados nos ternos, não apenas nos forros, como já ocorre, mas também na parte externa, com estampas diferentes das convencionais risca de giz e xadrez; os ternos brilhantes também são tendência.

Tenho visto, em alguns casamentos, um retorno ao uso ou de coletes e calças juntos, ou de suspensórios, dispensando o paletó; muita gente também já passou a procurar paletós com bermudas ou camisas com coletes e bermudas, o que não é de se estranhar em um país quente como o nosso.

Mantendo o código, no entanto, uma pequena alteração que deve ser tendência em breve é um leve encurtamento no comprimento do paletó.

Sincodiv-SP Online: Hoje você está ampliando sua loja, mas você já pensou em desistir da profissão?

Oswaldo Müller: Nunca pensei em desistir porque sou motivado pelo desafio. Tanto é verdade que estou apostando em um momento de crise, ampliando meu espaço e atendimento.

Sincodiv-SP Online: A área em que atua se transformou muito nesses anos e hoje o setor de veículos passa por um momento difícil. Como empreendedor de varejo, assim como os concessionários, que dicas e experiências você ofereceria aos distribuidores?

Oswaldo Müller: É necessário pensar que o mercado de carros tem bastante concorrência e que mesmo o carro mais barato é um artigo de luxo. Fora isso, estamos com um problema na economia e os incentivos de um passado recente à indústria do automóvel ajudou a esgotar muitas alternativas.

No entanto, deve-se fazer com amor o trabalho e com foco para a solução de problemas do cliente. É isso o que ele busca. O concessionário deve ser bom no atendimento, estudar técnicas, treinar as equipes, sobressair-se por esse diferencial. É necessário agregar valor a cada venda e falar ao consciente e ao inconsciente do cliente, pois as emoções contam muito.

Minha dica é para que usem as redes sociais a seu favor, não só para anúncios, mas para descobrir mais sobre as preferências dos clientes que entrarem em contato. Há muitas ferramentas de marketing virtual, fichas de cadastro rápido que te fornecem dados pontuais e importantes do seu comprador, aprenda sobre ele para ser mais eficiente na venda.

Deve-se ter atenção ao perfil, mas nunca subestimar. Às vezes, algumas pistas sobre preferências são falsas, portanto, trate a todos com respeito e atenção. Saber ouvir, nesse caso, é melhor para saber o que dizer.

Por fim, foque no lado humano, fidelize o cliente, não negue brindes e tente integrar as equipes. Vocês já imaginaram um cenário em que o manobrista do estacionamento, a recepcionista e o vendedor estivessem em franca comunicação e alinhamento a ponto de poderem passar informações importantes entre de si de modo a contribuir para a efetivação da venda? Pensem nisso!

 

Produção e edição