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Seção Reportagem
31/10/2016 - 17:36:04
Mobilidade inteligente já é uma realidade, afirmam especialistas
Por Matheus Medeiros e Renan De Simone
Divulgação

O brasileiro está confortável com a possibilidade de uso de veículos autônomos nos próximos anos, de acordo com pesquisa da Cisco que foi apresentada pelo CEO da Porto Conectas, Tiago Galli, durante o 25º Congresso SAE Brasil, realizado entre 25 e 27 de outubro, na cidade de São Paulo.

“O resultado da pesquisa coloca o Brasil como o país em que a população urbana está mais confortável com essa possibilidade no mundo, com 92%. Isso mostra que o brasileiro já enxerga uma dinâmica em que o veículo é mais um serviço do que um produto, estando pronto para uma grande mudança. Cabe, agora, a todo setor automotivo estar pronto para isso também”, afirma Galli.

Ele e outros especialistas que palestraram no evento debateram o momento “futurístico” do setor, enfatizando as mudanças tecnológicas que estão acontecendo cada vez mais rapidamente e que são realidade no agora.

O futuro é hoje

“O futuro do setor automotivo já chegou e o que era sonho, só visto nas obras de ficção científica, já está sendo, inclusive, superado”. A frase de Hayram Nicacio, mestre em Engenharia Elétrica e especialista em mobilidade, abriu o painel sobre Sistemas Inteligentes e Conectividade do evento.

Segundo o professor-doutor da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), Leopoldo Rideki Yoshioka, “a mobilidade inteligente tem o objetivo de procurar soluções para problemas e necessidades das pessoas e da indústria. O impacto da interação e inteligência dos veículos entre si, com as pessoas e com as cidades vai atingir toda a economia global”.

Para Yoshioka, todo o setor automotivo – dos fabricantes de peças, até as concessionárias – precisa estar pronto para se adaptar a essa nova realidade, em que as mudanças serão cada vez mais rápidas e pautadas pelas tecnologias.

Convergência

Um dos pontos fundamentais do avanço da mobilidade inteligente está relacionado com a convergência e a integração de diversas plataformas e sistemas. Segundo Rainer Müller-Finkeldei, diretor da Daimler AG, controladora da Mercedes-Benz, isso acontece em três diferentes dimensões.

A primeira, explica o executivo alemão, é a local e tem a ver com a experiência do usuário com o veículo, por meio, por exemplo, da conexão do celular ou do GPS. Já a segunda está relacionado com o oferecimento de serviços e o fornecimento e análise de dados gerados em tempo real pelo veículo, o que exige uma conexão mais potente e confiável.

O especialista pontua que essas duas dimensões já se encontram no varejo, principalmente a primeira, posto que hoje é muito difícil comprar um carro novo que não tenha, pelo menos, conexão bluetooth com o celular. Já a segunda ainda é recente e está sendo desenvolvida, primeiramente, na Europa, Ásia e Estados Unidos.

“A Mercedes mesmo irá lançar, em 2017, um serviço remoto que analisará dados de caminhões automaticamente, auxiliando na redução do consumo de combustível, na otimização do tempo do motorista, além de oferecer assistência remota para qualquer problema, que será identificado muito mais rapidamente a partir da análise dos dados do veículo”, pondera.

Já a terceira dimensão, conhecida como V2X, acontece quando os veículos estão conectados com outros veículos e com a cidade em si. De acordo com Müller-Finkeldei, os carros autônomos estão inseridos nesse contexto de convergência, relacionando-se de maneira inteligente com outros veículos e com a infraestrutura pública: as vias, semáforos, faixas de pedestres, etc.

Veículos autônomos

Apesar de parecer uma tecnologia altamente futurística, os veículos autônomos irão fazer parte da realidade global em pouco tempo, destacaram os especialistas do evento.

Isso se dá porque grandes empresas do ramo automobilístico (como Ford, Mercedes e Renault) e da tecnologia (como Google e Apple), além de startups (como Uber e Otto) estão investindo no ramo e já possuem protótipos operando em fase de teste.

“Engana-se quem pensa que essa é uma pesquisa recente. Um computador foi colocado em um carro pela primeira vez em 1980 e desde então o trabalho em cima dos veículos autônomos vem crescendo numa grande velocidade”, explica Patrick Shinzato, pesquisador do LRM (Laboratório de Robótica Móvel) da USP-São Carlos e pós-doutorando no assunto.

Ele destaca que, apesar do Brasil não liderar o avanço mundial no assunto, diversas pesquisas sobre o tema são realizadas no país, como a do próprio LRM, que já fez demonstrações públicas de um carro e um ônibus autônomos, com tecnologia de sensores e programação totalmente desenvolvidos internamente, circulando pela cidade de São Carlos (SP).

Para ele, no entanto, o Brasil ainda possui uma série de gargalos para o uso efetivo de veículos autônomos nos próximos anos. “São dois principais problemas: o primeiro está relacionado com a telecomunicação e a falta de serviços de transferência de dados eficientes (como 4G), principalmente no campo, o que dificulta o trabalho de máquinas agrícolas autônomas; o segundo tem a ver com a própria infraestrutura viária do país, com muitas estradas e ruas de baixa qualidade e com pouca sinalização”.

Produção e edição

 

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