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Seção Entrevista
15/12/2016 - 17:36:04
Bate-papo com Marco Antonio Meggiolaro, professor campeão de robótica da PUC-Rio – PARTE II
Por Matheus Medeiros e Renan De Simone
Divulgação Professor Marco Antônio Meggiolaro, engenheiro mecânico e doutor em Robótica pelo MIT e coordenador da RioBotz, equipe de pesquisa da PUC-Rio.

Sincodiv-SP Online: Qual a importância que a exposição midiática das batalhas de robôs tem para o desenvolvimento da robótica de uma maneira geral?

Marco Antonio Meggiolaro: Isso estimula muitos os jovens a estudarem robótica e as matérias e cursos relacionadas ao tema, além de fazer com que haja mais dinheiro para as pesquisas.

No Brasil, temos uma liga de batalha de robôs que organiza duas competições por ano, mas que praticamente não contam com exposição na mídia e, consequentemente, ficam sem visibilidade. Já nos Estados Unidos, é um espetáculo que impressiona. São competições gigantes, com envolvimento nacional e que são transmitidas ao país inteiro.

Nesse ano, nós participamos pela primeira vez da BattleBotz, que é uma competição organizada pela ABC, um dos maiores canais de televisão aberta do país. O evento foi realizado num estúdio gigante de Hollywood e contou com audiência de mais de cinco milhões de pessoas no episódio final.

Essa e outras competições – que disputamos internacionalmente há dez anos – também são oportunidades maravilhosas de aprendizagem e experiência para os alunos, que têm contato com novas tecnologias e processos de desenvolvimento de sistemas.

Eu costumo dizer que as competições são como um curso compacto para esses estudantes que, às vezes, aprendem mais em sete dias no exterior do que em um mês no laboratório. Até porque há uma “regra informal” entre as equipes, de compartilhamento de informações. Então, todos os competidores expõem suas tecnologias para os outros.

Sincodiv-SP Online: Você fez doutorado no MIT e compete pela RioBotz nos EUA, qual é o patamar do desenvolvimento da robótica brasileira frente às maiores potencias mundiais no assunto?

Marco Antonio Meggiolaro: Nós temos mentes brilhantes no Brasil, mas ainda contamos com uma grande limitação de hardware. Por sermos uma indústria de pequeno porte, os materiais são mais caros, o que dificulta nosso acesso às tecnologias mais modernas.

Os Estados Unidos tão muito desenvolvido nessa área e o Japão, então, nem se fala (risos). Não temos nem como comparar o desenvolvimento da indústria e da pesquisa robótica brasileira com esses dois países. Aqui, quando precisamos comprar uma peça, demora de dois a três meses para chegar. Nos Estados Unidos chega no dia seguinte, no Japão na mesma hora.

Por isso, no Brasil, muitos grupos de pesquisa trabalham mais na parte de inteligência dos robôs, porque é mais barato. Desenvolver um robô de grande porte e com alta precisão no país é praticamente impossível.

Sincodiv-SP Online: Atualmente, quais são os principais trabalhos desenvolvidos na área no mundo?

Marco Antonio Meggiolaro: Os principais trabalhos estão relacionados com manipuladores precisos e resistentes, que podem ser usados em diversas indústrias diferentes, como a petrolífera. Além de programações inteligentes que automatizem processos em empresas, diminuindo burocracias e aumentando produtividade.

Existe também uma vertente mais focada em robôs autônomos, que envolve automóveis, tarefas e serviços domésticos, por exemplo. No Japão, também há um forte desenvolvimento dos robôs humanoides que interagem diretamente com pessoas. Mas hoje é impossível falar de alguma área que não está exposta à robótica. Ela vai invadindo outras áreas, por meio de inteligência, interface, sensores, etc.

Sincodiv-SP Online: Como você enxerga a importância da robótica para a sociedade em, por exemplo, dez anos?

Marco Antonio Meggiolaro: Se, dez anos atrás, alguém chegasse para você dizendo que viveríamos num mundo onde todos convivem diariamente com celulares inteligentes, que conversam e acessam à internet, além de soluções robóticas na saúde e na indústria, por exemplo, você não acreditaria.

Imagino que a evolução nos próximos dez anos será da mesma escala – principalmente com a automação das coisas e o processamento de dados –, mas, talvez, as pessoas não se assustem tanto com isso, já que elas estão inseridas num mundo mais robótico e inteligente.

 

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