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Seção Reportagem
02/02/2017 - 11:39:38
Gerenciar complexidade sem se tornar complicado: receita para aumento da produtividade
Por Matheus Medeiros e Renan De Simone
Svilen Milev / Freeimages

Ao contrário do que dizem muitos dicionários, complexo e complicado não são sinônimos, pelo menos não no mundo dos negócios. Quem afirma isso é Yves Morieux, diretor do BCG (Boston Consulting Group).

Ele diz que as empresas precisam gerenciar suas complexidades sem se complicar. "A crise no mercado de trabalho acontece porque, no mundo todo, a produtividade não está mais crescendo, o que aumenta o desengajamento dos colaboradores. Isso se dá porque, para gerir a complexidade do negócio, as empresas se tornaram complicadas – a partir da criação e ‘aperfeiçoamento’ de estratégias, requerimentos, estruturas, processos, sistemas, indicadores e incentivos".

Para o especialista, esse problema começou quando as companhias pararam de "conseguir" escolher entre custo ou qualidade como única vantagem competitiva.

"Nos últimos 10 anos, diversos novos fatores de geração de valor (confiabilidade, agilidade, inovação, responsabilidade social, eficiência, entre outros) foram criados, o que fez com que a gestão das empresas se tornasse cada vez mais complexa", destaca.

Complexo sem ser complicado

Segundo Morieux, o sucesso de uma empresa no mundo atual está relacionado com o engajamento das pessoas, que só é conseguido a partir da descomplicação. "Quanto mais engajadas as pessoas estão, mais produtivas elas são. Isso é a sua vantagem competitiva número um. Engajar seus colaboradores está relacionado com o modo de gerenciar complexidade sem ser complicado".

Para isso, as empresas precisam aproveitar melhor a inteligência das pessoas, evitando a criação de novas complicações em forma de estruturas, processos e burocracias.

Segundo o especialista, existem três multiplicadores da inteligência das pessoas que, quando trabalhados em conjunto, fazem com que a produtividade da organização aumente. São eles liderança, cooperação e engajamento.

Liderar, cooperar e engajar

"Os líderes precisam agregar valor, fazendo com que as pessoas façam aquilo que elas não fariam espontaneamente – o ‘algo a mais’ –, a partir da melhor orientação possível, além de criarem mecanismos que incentivem a cooperação, tendo em mente que o valor do todo é maior que a soma das partes e que, sempre que as pessoas cooperam, menos recursos e tempo são utilizados. Essa cooperação gera maior engajamento", enfatiza.

Para o francês, o engajamento, o melhor desempenho e a produtividade caminham juntos e só são alcançados a partir da cooperação e da descomplicação.

"Para as pessoas cooperarem e se tornarem integradoras é preciso remover camadas hierárquicas, aproximando os funcionários da ação sem que eles precisem de indicadores de desempenho e matrizes. Além disso, as empresas precisam ter menos regras, dando mais poder de decisão aos gestores. É necessário garantir que as pessoas tenham liberdade o suficiente para ‘correr o risco’ de cooperar, caso contrário os funcionários recuam e se descomprometem", destaca ele.

Mudança cultural

Morieux explica que as empresas não precisam criar novas estruturas e processos para dar conta de cada novo indicador ou exigência, basta que as áreas e as pessoas se conversem, se integrem e cooperem.

Para exemplificar a questão, o especialista narra uma história do setor automotivo. "Há alguns anos, uma nova exigência surgiu no mercado: o aumento do prazo de garantia dos veículos. O novo desafio passou a ser tornar os carros mais fáceis de consertar. O que as empresas fizeram? Criaram um novo cargo, o ‘Sr. Consertabilidade’, responsável por uma nova matriz, com seus processos, incentivos, avaliações, hierarquias e regras. Mas que diferença isso fez nas atitudes dos funcionários da empresa e nos outros departamentos? Nenhuma!".

Para ele, diante da nova complexidade empresarial, a solução não é projetar caixas com hierarquias, é interagir e cooperar. "A questão da ‘consertabilidade’ é um problema de cooperação. ‘Ao projetar carros, favor levar em conta as necessidades de quem vai consertá-los’, essa deveria ser a mensagem trabalhada por toda a empresa, num processo de integração entre os departamentos e os funcionários da empresa".

No entanto, segundo o consultor, a tarefa não é fácil e exige uma mudança cultural organizacional. "Antes de tudo, a empresa precisa recompensar pela cooperação e punir pelo não-esforço, visando aumentar a quantidade total de poder a partir da soma do todo. Além disso, as pessoas precisam entender o que os demais fazem para além dos organogramas e das descrições de cargo", completa.

Produção e edição

 

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