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Seção Reportagem
30/03/2017 - 10:44:04
Apostar na diversidade de pessoas possibilita ampliar satisfação do cliente, em especial no varejo
Por Juliana de Moraes e Matheus Medeiros
Sincodiv-SP / Sarro Comunicação

É mais fácil interagir com os iguais, mas reside na arte do convívio em diversidade a condição ideal para desenvolver inovação, tolerância, elevar o respeito e, como consequência, ampliar o entendimento das diferentes necessidades dos clientes.

Neste contexto, formar equipes compostas por profissionais com idades, gênero, religião e posições distintas é um desafio, mas recompensador, já que se sabe que para atender ao varejo e seu imenso leque de características é fundamental as organizações contarem com pessoas que contribuam para a compreensão das realidades existentes no mercado consumidor, formulando, a partir das referências individuais e suas contribuições, soluções adequadas para os públicos que se quer alcançar.

O assunto foi tratado em evento promovido no mês de março pela HSM Educação para debater igualdade de gênero na gestão, abordando meios para que as empresas estruturem equipes diversificadas, o que passa por recrutamento e seleção, além de práticas que favoreçam a manutenção de diferentes perfis de profissionais.

"Cerca de 50% das mulheres não voltam ao mercado de trabalho após o encerramento da licença maternidade, por exemplo. São diversas as razões para que isso ocorra, mas basta termos profissionais do sexo feminino nas equipes para uma reflexão realista sobre o tema e lançarmos mão de recursos, muitos deles simples, para incentivar a manutenção de colaboradoras que são mães de crianças pequenas", explica Mariângela Cifelli, idealizadora e fundadora da WakeUup, que promove treinamentos, coaching e oferece metodologias de desenvolvimento humano.

De acordo com um levantamento realizado pela coach, oferecer flexibilidade no horário de trabalho, possibilidade de home office, uma sala reservada para que nutrizes tirem leite materno e um local para o armazenamento são alguns exemplos de medidas pouco complexas que podem ser implementadas, criando-se condições favoráveis à permanência dessas profissionais.

"Também temos, nesse caso, que mudar o modelo mental ao qual estamos acostumados. Mulheres fazem menos network, portanto devem ser incentivadas a isso, além de serem ensinadas a comunicar suas intenções (ambições) profissionais, bem como dizer não (quando necessário) e negociar as condições de trabalho, a exemplo dos homens, que se arriscam mais nessas áreas e, por isso, colhem mais também", destaca.

Ela acrescenta que a inclusão de todos os profissionais, independentemente de gênero, no debate sobre inclusão é relevante para que avancemos na busca por equidade de oportunidades para as pessoas.

Mulheres no recrutamento de profissionais do sexo feminino

Clarissa Martins, gerente de Desenvolvimento de Negócios da TW (ThoughtWorks) no Brasil, uma companhia da área de TI que atua no desenvolvimento de softwares, aponta que para promover mais igualdade nas ocupações de cargos, a empresa estabeleceu processos de recrutamento diferenciados.

De acordo com ela, ao longo de um processo de seleção, homens e mulheres avaliam aspectos como formação e experiência de maneira distinta para profissionais do sexo masculino e feminino entrevistados pelo simples fato de compreenderem as realidades de cada qual e seus papéis no contexto da família e sociedade.

"O reconhecimento de que temos entendimentos diferentes porque avaliamos o outro sempre sob nosso ponto de vista nos motivou a inovar, e dessa mudança obtivemos uma série de vitórias na busca por igualdade de oportunidades".  

A TW, por suas ações bem-sucedidas na inclusão por gênero, foi eleita pela Forbes dos EUA melhor que Google e Facebook para mulheres trabalharem. Aqui no Brasil, em 2016, recebeu o primeiro lugar pela GPTW (Great Place to Work) na mesma categoria.

Intenção de incluir deve ser diretriz

Tanto Mariângela quanto Clarissa indicam que as soluções existem e exemplos estão aí para serem estudados e adaptados pelas organizações. Entretanto, é essencial que a intenção seja uma diretriz real da empresa, que deve contar com uma direção consciente dos desafios e benefícios de promoção da diversidade em seu corpo de colaboradores.

"A realidade está aí para todo mundo ver", destaca Neivia Justa, diretora de Comunicação, Sustentabilidade e Responsabilidade Social da Johnson & Johnson Consumo do Brasil. "Precisamos mudar esse panorama por meio da sensibilização de todos, ampliando a discussão e a publicidade sobre o tema".

Ela descreve que no caso da inclusão feminina em quadros de liderança está evidente essa necessidade e o dado é público! As mulheres representam 52% da população brasileira e são responsáveis por mais de 80% das decisões de consumo", questionando os inúmeros conselhos de administração que são compostos apenas por homens, em geral brancos, e que ignoram o fato de que excluir o olhar de líderes mulheres das discussões estratégicas equivale a perder oportunidades.

A executiva da multinacional finaliza, citando a astrônoma e astrofísica brasileira, Diúlia Melo, que é pesquisadora associada da NASA: você não pode ser o que você não vê! "Portanto, atuemos para criar as referências que todos precisamos ter, tornando possível o ser para qualquer um", explicita, fazendo alusão ao fato de que muitas pessoas sequer almejam certas profissões e posições hierárquicas simplesmente por não acreditarem que é possível para elas.

O benefício do esforço pela representação das pessoas por suas características de gênero, idade e crenças será das empresas que apostarem nessa filosofia, pois estarão mais bem preparadas para compreender o mercado de consumo, "mas irreversivelmente toda a sociedade sairá ganhando", concluem as profissionais.  

 

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