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Seção Entrevista
12/04/2017 - 09:10:50
Bate-Papo com Ingrid Silva, bailarina solista do Dance Theatre of Harlem, de Nova York - PARTE II
Por Juliana de Moraes e Renan De Simone
Underground NYC "A peça fundamental foi minha mãe. Atribuo a ela toda a força para reunir a coragem necessária para vir para os Estados Unidos e buscar uma oportunidade no Teatro de Dança do Harlem".

Sincodiv-SP Online: Você vem trabalhando em diversas campanhas publicitárias que exaltam sua dedicação e sucesso em meio a adversidades. Como enxerga a maneira como o mundo da comunicação vê você?

Ingrid Silva: Para mim, é tudo muito novo. Definitivamente, não me vejo como celebridade. Gosto de estar nas redes sociais e me comunicar com as pessoas. Sempre fui assim. E, dentro dessa experiência, percebo que é bem recebida pelas pessoas a forma como transmito o que me inspira.

A parte legal das peças publicitárias para as quais tenho sido convidada a participar é que todas as agências me encontraram por meio das redes sociais e foram atraídas pela minha história de superação, de eu ter vindo de uma comunidade de periferia e hoje estar numa companhia de dança considerada uma das melhores do mundo.

Sou embaixadora global da Activia e a busca por mim partiu de uma pesquisa feita pela Wunderman. Um contato francês da agência de publicidade internacional me achou – e no começo achei que fosse trote, juro! Depois, vieram à Nova York para uma reunião e produziram um filme comigo que conta a trajetória que percorri até agora.

Na época pensei: Uau! E, me explicaram que a escolha por mim foi motivada pelo fato de que eu tenho uma história que consideram surpreendente e inspiradora. No vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=2GtugTLbmQs), a personagem que faz minha professora numa cena em que sou corrigida é ninguém menos do que a Bethania, a bailarina que me viu lá no Projeto Dançando para Não Dançar e sugeriu que enviassem um vídeo meu ao Dance Theatre of Harlem em 2007.

A campanha da TNT (marca de bebidas) foi a mesma coisa. O contato se deu porque conheceram minha história, e foram motivados pelo que e como compartilho nas redes sociais.

 

Sincodiv-SP Online: De fato, você é bastante ativa nas redes sociais. Cria tutoriais no YouTube, promove seu dia a dia no Instagram. Qual é o papel desses canais para sua comunicação com o público?

Ingrid Silva: Tenho um perfil no Facebook e, por conta das viagens que fazemos para as turnês, as pessoas começaram a me adicionar às suas redes sociais. Minha lista de contatos ficou enorme, então criei uma página da Ingrid Silva Bailarina, já que as pessoas não estavam (e ainda bem) interessadas na minha vida pessoal, mas na minha rotina profissional.

É da Ingrid que dança que as pessoas querem saber. Então desviei os contatos para esse canal e criei uma conta no Instagram, na qual posto fotos e vídeos da evolução do meu trabalho e eventos dos quais participo, além das campanhas publicitárias.

Já o canal no YouTube, lancei quando resolvi fazer a "transição" do meu cabelo, que era mantido alisado (com permanente) e por sugestão do meu marido e de amigos, resolvi cortar bem curto mesmo e deixar crescer de forma natural.

Fiz várias pesquisas sobre como conduzir a transição e cuidar do cabelo crespo depois porque eu não sabia como fazer. Foi assim que, ao receber ajuda de uma amiga para fazer o coque de bailarina com o cabelo curto, elaborei um tutorial e publiquei no YouTube. Foi super bem recebido!

Isso aconteceu há uns quatro anos e, desde então, fui observando que esses meios nos servem como fonte de informação – e não exposição, como eu via antes. Hoje, o Instagram e Facebook são meios pelos quais transmito o meu dia a dia profissional, mensagens de inspiração e também faço contato com as pessoas que vão me ver nos espetáculos.

É uma maneira mais fácil de se relacionar e de responder aos pedidos das pessoas por informações sobre ballet e estilo de vida.

 

Sincodiv-SP Online: Nos EUA, iniciativas como o Brown Girls do Ballet (http://www.browngirlsdoballet.com/) têm um papel relevante na formação das pessoas assistidas. Qual o valor desses projetos para a população jovem do país em sua visão?

Ingrid Silva: Conheci o projeto voltado para oferecer oportunidade de aprendizado e desenvolvimento no ballet às populações hispânica, africana, asiática e outras há uns cinco ou seis anos. Eles fazem audições, intercâmbio para aulas de ballet e promovem ações para melhorar a autoestima dessas crianças de uma forma incrível!

Ainda dentro do Brown Girls Do Ballet, participei de um livro que traz o perfil de 10 bailarinas que consideram relevantes para as novas gerações e foi maravilhoso contribuir para esse trabalho que é realmente transformador para as pessoas atendidas.

Recentemente, fui convidada para ser mentora de um grupo de meninas alunas do projeto e estou considerando realmente essa possibilidade pelo fato de poder contribuir para elas e compartilhar essa experiência nas redes sociais, mostrando o quanto é importante um trabalho como esse para a sociedade!

O racismo eu sempre senti nos olhares das pessoas, mas nunca dei atenção a isso – o que entendo ser o fator mais importante. Nada me deixa abalada. A vida segue! Entendo que poder levar essa visão a outras pessoas é uma porta para a desconstrução dessa bobagem chamada preconceito.

 

Sincodiv-SP Online: Você pensa em retornar ao Brasil?  Quais são seus planos para os próximos anos?

Ingrid Silva: Penso em voltar, sim, para o Brasil, mas não para morar – pelo menos não nos próximos anos. Minha carreira na dança está apenas começando. Tenho muito tempo pela frente para trabalhar, atuar em outras companhias de ballet, dar aula, dividir um pouco da minha experiência como bailarina.

Por enquanto, meu maior objetivo pessoal é conseguir trazer minha mãe para os Estados Unidos para que consiga me assistir dançar (ela ainda não conseguiu o visto). Outro plano é voltar para a "escola", estudar Psicologia e direcionar o aprendizado para a dança, porque percebo que as pessoas do meio têm dificuldade de enxergar que há dois mundos: um dentro do ballet e outro fora, que é tão rico e cheio de possibilidades quanto!

 

Produção e edição

 

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