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Seção Reportagem
02/05/2017 - 08:50:31
Plano de saúde empresarial. Como contratar e manter
Por Juliana de Moraes e Renan De Simone
Sincodiv-SP / Sarro

Responsáveis por quase 70% dos vínculos, os planos empresariais de seguro saúde têm papel relevante para empregados e empresas em qualquer momento da economia do país, seja de expansão ou crise. Entretanto, é preciso saber contratar e, principalmente, cuidar para manter.

Não restam dúvidas de que o benefício representa, efetivamente, um diferencial para atrair e remunerar profissionais, sendo este o mais valorizado pelo trabalhador - conforme estudo da Catho em 2014 -, e apontado como o terceiro maior desejo dos brasileiros, de acordo com pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, a pedido do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar em 2015.

Por outro lado, os planos empresariais de saúde têm peso significativo para os negócios. São reajustados de acordo com a inflação dos itens médicos e do índice de sinistralidade, que mede o grau de utilização do plano.

Segundo o presidente do Conselho de Emprego e Relações de Trabalho da FecomercioSP, José Pastore, dados mostram que, hoje, os planos de saúde ofertados aos funcionários representam 12% dos gastos com folha de pagamento. "É de longe o benefício mais caro", afirmou, em evento realizado pela FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar).

Crise abateu o segmento de saúde suplementar

Ante à deterioração do desenvolvimento do país nos últimos anos, o impacto negativo no mercado de saúde suplementar ocorreu especialmente em relação à aquisição de planos coletivos empresariais.

Só em 2016, esse tipo de contratação registrou queda 3,2% em doze meses, passando de 32,8 milhões em 2015 para 31,8 milhões no último ano. No mesmo período, houve a perda de 1,4 milhão de beneficiários de planos de assistência médica, com retração de 2,8% entre dezembro de 2015 e de 2016.

O Sudeste foi responsável pela perda de mais de um milhão de beneficiários, sendo que São Paulo participou diretamente da extinção de 630 mil vínculos nos planos de assistência médica.

Ainda assim, buscar alternativas para manter o benefício, mesmo que com adaptações, há de ser considerado por sua função social no ambiente das empresas. E, adicionalmente, é fundamental que os colaboradores utilizem o seguro saúde de forma consciente para sua manutenção.

O que avaliar para contratar ou evitar o corte deste benefício

Sandro Leal, superintendente de Regulação da FenaSaúde, descreve que é importante que o RH avalie quais as necessidades dos funcionários de sua empresa, conhecendo o perfil de utilização da assistência pelas pessoas.

"Por exemplo, em termos de abrangência geográfica do contrato (municipal, estadual, nacional), rede de atendimento, se esta rede está próxima da região da sede da empresa ou perto da residência dos funcionários; se é possível inserir coparticipação; como é a capacidade financeira da operadora, entre outros aspectos", descreve.

O executivo explica que a faixa etária precisa ser levada em conta, porque fará diferença a rede e programas oferecidos pela operadora de plano de saúde. "Se a faixa etária engloba funcionários que irão ter filhos com seus cônjuges, por exemplo, o plano de saúde deve oferecer rede obstetrícia, por exemplo".

Coparticipação: vantagens e desvantagens

Leal enxerga positivamente a adoção da coparticipação (leia mais aqui "Implicações trabalhistas sobre a coparticipação no plano de saúde empresarial"). De acordo com ele, os conveniados a planos dessa modalidade, além da mensalidade fixa, devem pagar um percentual ou valor fixo no momento que necessita de um procedimento simples, de acordo com o contrato.

"Na contratação do plano com coparticipação, a mensalidade cobrada é mais baixa e econômica. Normalmente, a coparticipação é sobre consultas, exames ou outros procedimentos mais frequentes e de menor custo", coloca.

O "bolso" e a consciência

Quando o beneficiário arca com parte do custo de determinado procedimento, ele naturalmente tende a evitar o uso desnecessário de recursos e passa a ter uma relação de maior responsabilidade e racionalidade dentro do sistema de saúde, defende Leal.

"Muitas vezes, na ausência de coparticipação, as pessoas tendem a ter pouca preocupação com a real necessidade de se buscar o atendimento e pouca ou nenhuma preocupação com os custos", pontua, indicando que a coparticipação pode reduzir esse estímulo à superutilização de alguns recursos.

Dentro desse contexto, "para não abrir mão do benefício do plano de saúde para seus funcionários, algumas empresas estão propondo a coparticipação aos seus empregados. A medida permite à empresa continuar a oferecer a assistência médica aos seus colaboradores com o mesmo produto (e serviços), porém com custos menores e compartilhados", indica.

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