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Seção Reportagem
24/08/2017 - 10:41:39
Cenário atual aumenta necessidade de inovação no RH, destacam especialistas no 43º Conarh
Por Matheus Medeiros e Renan De Simone
Divulgação/Conarh

Para sobreviver ao atual contexto do mundo dos negócios - que envolve novas e disruptivas tecnologias surgindo cada vez mais rapidamente e novos padrões de comportamento humano - é essencial inovar constantemente. E o RH (Recursos Humanos) tem papel essencial nesse processo. 

Essa foi a mensagem transmitida durante o 43º Conarh (Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas), realizado em agosto, na capital paulista. "O mundo muda constantemente e cada vez mais rápido, então ficar parado te deixará para trás quando você menos perceber", destaca Jorge Hoelzel Neto, membro do Conselho de Administração e facilitador da Mercur, companhia conhecida pela borracha escolar, mas que também atua em outras áreas, como saúde e revestimentos. 

De acordo com o executivo, o atual cenário corporativo exige novidade. "É essencial que se crie métodos e padrões de incentivo à inovação em todos os processos da companhia, dos operacionais aos decisórios", aponta. 

Ele explica que o RH tem papel determinante nisso, já que cabe a ele, aliado à alta liderança, transmitir esse espírito para toda organização, fazendo com que as pessoas consigam ouvir umas as outras, para que entendam as necessidades de cada área da operação e identifiquem os pontos que podem ser melhorados por meio de inovações – que vão das mais tecnológicas às mais simples, envolvendo, às vezes, apenas uma mudança de ponto de vista sobre determinada ação ou função. 

Inovar não é opção, é necessidade 

Para Rachel Maia, CEO da joalheria Pandora, é justamente por isso que o RH precisa estar alinhado à alta direção das empresas. "Não só seguindo suas orientações e cumprindo com as metas e diretrizes, mas participando das definições de estratégias e chamando atenção para os pontos que podem ser melhorados. É preciso que haja empatia e competência na relação entre CEO e RH", explica. 

Segundo Rachel, dessa união surge a força para que o espírito inovador permeie toda a companhia. "Inovar não é opção, é necessidade. Nós temos, diariamente, que fazer o nosso trabalho de buscar inovação para todos os processos possíveis. Não podemos chegar ao escritório, sentar na cadeira e fazer as mesmas coisas todos os dias. Está errado! Essa forma de gerir business está fadada ao fracasso!". 

Para mostrar como o país ainda está aquém na exploração do seu potencial inovador, a executiva trouxe ao evento dados que mostram que o Brasil gasta, anualmente, cerca de 1,3% do PIB (Produto Interno Bruto) com o sistema judiciário e 1,2% com P&D (Pesquisa e Desenvolvimento). 

"Gastamos mais julgando coisas que já aconteceram do que investindo no nosso futuro. Como exemplo, nos Estados Unidos, gasta-se cerca de 0,2% do PIB anual com o poder judiciário e se investe cerca de 3% em P&D", enfatiza, apontando que não é papel apenas do Poder Público incentivar e investir em pesquisa. 

"Também cabe à iniciativa privada trabalhar para que P&D e, consequentemente, inovação esteja no centro dos negócios". Para ela, esse é a única maneira das empresas estarem prontas para os próximos passos do mundo corporativo.  

4ª Revolução Industrial exigirá novas habilidades 

Paolo Gallo é chefe de Pessoas e Cultura do Fórum Econômico Mundial e esteve no 43º Conarh para falar sobre como a 4ª Revolução Industrial, que estamos vivendo atualmente, impactará os negócios globais e qual será o papel do RH nesse contexto. 

"A 4ª Revolução Industrial não só muda o que e como fazemos as coisas em nossa vida pessoal e profissional, mas também a velocidade e o preço disso. As disrupções estão mudando as esferas digitais, físicas e biológicas e nós estamos prestes a viver em um mundo que antes habitava apenas nossos mais utópicos sonhos, a partir da robotização e da automação dos processos". 

Para Gallo, essas mudanças exigem que as empresas mantenham o foco em dois componentes: habilidades e comportamentos para gerir complexidade; e ética e liderança responsável. 

"A complexidade do mundo faz com que nenhum de nós tenha todas as respostas, o que significa que precisamos desenvolver, individualmente e coletivamente, a habilidade de conectar pontos, a partir novos sistemas de pensamentos e inteligência contextual". 

E são justamente essas habilidades para gerir complexidade que exigirão uma maior preocupação com ética e liderança responsável, aponta Gallo. "A inteligência artificial substituirá uma considerável parte dos empregos globais, mas ela não terá a capacidade de sobrepor habilidades que compõe o caráter de uma pessoa, como julgamento, empatia, pensamento crítico, atitude positiva e espírito empreendedor", explica. 

Nesse contexto, temos que, diariamente, questionar nossa "bússola moral", perguntando quais escolhas estamos fazendo e se será que elas são justas para o todo; estamos construindo pontes ou paredes em termos de inclusão e diversidade; e o que apoiamos e quais são as consequências disso? "Como Einsten dizia: relatividade se aplica à física, não à ética". 

Para saber mais a respeito do assunto leia também: RH no centro do processo de mudança do momento político-econômico

 

Produção e edição  

 

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