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Seção Reportagem
28/09/2017 - 08:37:57
Casamento entre veículos e telecomunicações está consumado para presente e futuro, destacam especialistas
Por Matheus Medeiros e Renan De Simone
Sincodiv-SP/Sarro Comunicação

"Não há dúvidas de que o casamento entre os setores automotivo e de telecomunicações está consumado e é indissociável. Dados e informações serão o combustível da indústria automotiva no futuro, que está cada vez mais próximo".

As palavras acima, ditas por Ricardo Bacellar, head da área automotiva da KPMG no Brasil, deram a tônica do seminário "Os Novos Desafios da Indústria Automotiva Brasileira", organizado pela AutoData na cidade de São Paulo.

Para Marcos Lacerda, vice-presidente da Qualcomm, uma das maiores fabricantes de chips do mundo, a conectividade é o catalisador de novos modelos de negócio do setor automotivo. "Carros conectados são disruptivos no ecossistema automotivo, mudando não só os automóveis em si, mas a própria indústria, a partir de serviços digitais inteligentes e conceitos tecnológicos como veículos autônomos, eletrificados e compartilhados", destacou o executivo.

De acordo com ele, a partir disso, haverá cada vez mais integração entre as companhias automotivas e de telecomunicações, sendo necessários investimentos em tecnologias de comunicação, conectividade e posicionamento preciso, tais como sensores wireless, telemetria e mapas 3D em alta definição.

"Quanto antes percebermos que um setor depende do outro, melhor será, já que a sinergia é essencial para toda a cadeia produtiva, indo do desenvolvimento de tecnologias específicas até o processo de comercialização - já que, por exemplo, um vendedor de veículos terá que possuir conhecimento tecnológico, mesmo que mínimo", explicou.

Brasileiro deseja maior conectividade e digitalização

Estudo da Ipsos, apresentado no evento, mostrou que o brasileiro está pronto para uma experiência mais conectada e digitalizada no uso de seus veículos. "Prova disso está no dado que informa que o Brasil só fica atrás da China quanto ao desejo de usar veículos autônomos", enfatiza Rogério Monteiro, diretor da área automotiva da consultoria que realizou a pesquisa.

Segundo o levantamento, as cinco funções de um carro conectado e digitalizado mais importantes para o brasileiro são, respectivamente: localização do veículo; serviços de emergência; recarga inteligente em veículos elétricos; previsão de tráfego; e comunicação automatizada entre diferentes veículos.

"A inteligência artificial perpassa todas essas características e, por isso, é essencial que haja cada vez mais investimentos em cima dessa área. Atualmente, a tendência é levar a internet para os carros, mas, no futuro, os carros é que irão para a internet, tornando-se dispositivos móveis", destacou Monteiro.

Henrique Miranda, gerente de Marketing da BMW, concorda. "Temos de quebrar a barreira do veículo tradicional como meio de transporte e símbolo cultural e utilizar a tecnologia não como um fim (de conectar o carro com o celular, por exemplo), mas um meio para oferecer serviços, otimizar o uso do veículo e conhecer os hábitos e preferências dos motoristas".

Rota 2030 pavimentará futuro do setor

Um importante fator para o futuro do setor automotivo no Brasil é a previsibilidade do desenvolvimento de toda cadeia industrial. E é justamente para tratar desse ponto que há a discussão do Rota 2030, novo regime automotivo que está em debate no Congresso Nacional.

"Estamos semanalmente em Brasília (DF), conversando com as mais diversas lideranças políticas e econômicas do país para que possamos enfrentar os próximos desafios da indústria automotiva nacional da melhor maneira possível, nos adequando às necessidades futuras em um contexto de Indústria 4.0 e a partir de tecnologias autônomas, eletrificadas e conectadas", explicou Antonio Megale, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

A proposta - que visa substituir o Inovar-Auto, que possui validade até o final de 2017 - traça as principais metas para as próximas décadas do setor. "Para melhorar nossa competitividade, o objetivo é estabelecer política de longo prazo que insira o Brasil nas cadeias globais de valor e melhore nossa condição de competir globalmente. E, nesse contexto, a previsibilidade é essencial para o desenvolvimento", completou.

 

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