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Seção Reportagem
08/01/2018 - 16:49:52
Educação Financeira eleva produtividade. A falta dela prejudica. Saiba por quê
Por Juliana de Moraes e Renan De Simone
Stevepb em Pixabay

São muitos os indicadores que apontam para a ausência de habilidade dos brasileiros com as finanças. E, acredite, isso é ruim para sua concessionária!

Se de um lado o consumo desenfreado pode, aparentemente, movimentar o varejo, por outro encarece o crédito devidos aos elevados índices de inadimplência que resultam de gastos "irresponsáveis", dificultando o acesso a financiamento de bens de maior valor, a exemplo dos veículos.

No âmbito da vida corporativa, a falta de uma cultura para administração do dinheiro pelas pessoas prejudica também o desenvolvimento e a produtividade dos profissionais. Dívidas e o sentimento de que o salário não será suficiente para as contas do mês consomem a atenção e trazem angústia, impactando diretamente na dedicação ao trabalho e, claro, nos resultados da organização.

Ante um contexto como esse, falar sobre Educação Financeira para colaboradores deixa de ser algo distante das necessidades das empresas e ganha importância à medida em que impacta as relações de trabalho, incluindo a atenção a questões da organização, como dedicação aos clientes. 

Quando as finanças afetam a capacidade cognitiva e produtividade

Eldar Shafir, professor de ciência comportamental e políticas públicas da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, afirma que viver constantemente preocupado em como pagar as contas no fim do mês consome a capacidade cognitiva. 

Segundo ele, seria o equivalente a pedir a memorização de uma série de sete dígitos quaisquer. "Enquanto você guarda os números em sua memória de curto prazo, tentando não esquecer, sua mente está literalmente cheia. Você tem menos espaço cognitivo para outras coisas", explica em reportagem divulgada pela BBC Brasil.

Ele ainda cita que alguns experimentos com pessoas mais e menos preocupadas com questões financeiras chegou a demonstrar a diferença de 12 ou 13 pontos de QI (quociente de inteligência) em testes que medem a capacidade de solução de problemas.

Prejuízo além das contas

Para o educador financeiro Edélcio Fonseca, formado em Administração de Empresas e Contabilidade, com pós-graduação em Finanças & Controladoria pela FGV (Fundação Getulio Vargas) e Marketing pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), o aspecto emocional, no entanto, é o mais relevante no contexto porque o endividamento descontrolado abala seriamente a confiança pessoal.

"A autoestima desaba. Há o isolamento ocasionado pela discriminação familiar e de amigos, além de problemas conjugais frequentes porque os casais não sabem lidar com a situação. Por melhor que seja o profissional, o baixo desempenho no trabalho se torna como uma consequência de todo esse quadro de desequilíbrio", explica, pontuando que a crise no mercado de trabalho do país só amplia o problema. 

Ele, que cursou o MBA Executivo Internacional da FIA-USP (Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo), aponta que existem fatores ligados à formação dos brasileiros e que impactam diretamente na relação com as finanças pessoais. E, portanto, as empresas têm a possibilidade de aprimorar suas pessoas – e sua produtividade – ao oferecer apoio para sua educação financeira.

Questão cultural ou educacional?

No último Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), ligado à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), de 2016 com dados de 2015, o Brasil ficou na 66ª colocação em matemática entre os 72 países avaliados.

Também de acordo com um teste de cultura financeira realizado no âmbito desse Programa, 53% dos alunos brasileiros não possuem conhecimentos básicos sobre como lidar com dinheiro no dia a dia, enfrentando problemas para tomar decisões de consumo. Apenas 3% dos pesquisados tiveram performance elevada na área, apontou outro texto de reportagem recentemente divulgada pela BBC Brasil, tratando do tema.

"Minha experiência mostra que as pessoas, em geral, não sabem exatamente quanto ganham e ter essa consciência é fundamental. Além disso, abordar sobre o uso do crédito é outro fator relevante porque temos o mau hábito de considerar que prestação que cabe no bolso equivale a consumo que se pode fazer", diz o educador financeiro.

Ele acrescenta, por fim, que dentre os aspectos mais comuns para o endividamento das pessoas está o empréstimo de cartão de crédito para amigos, familiares e conhecidos.

Como superar esse déficit de conhecimento nas empresas?

Uma vez reconhecido o fato de que a falta de conhecimento na área financeira é uma realidade, afetando a vida das pessoas e a produtividade nas empresas, a discussão sobre o assunto nas organizações é o primeiro passo.

Pode ser um bom ponto de partida levar o tema por meio de palestra ou mesmo uma conversa informal entre as equipes, considerando que as próprias empresas estão reestruturando seus custos para enfrentar o desaquecimento das vendas.

Fonseca conta que, em programas de educação financeira para empresas, as apresentações são apenas a introdução a um plano maior, que envolve a consulta individual e o planejamento de ações para cada caso.

"Os colaboradores não têm coragem de levar suas necessidades de reorganização financeira para representantes do RH (Recursos Humanos) porque temem a repercussão que isso pode gerar, mas veem com maior segurança o aspecto do sigilo se essa consulta for realizada junto a um profissional independente", pontua.

Ainda segundo ele, os resultados são percebidos rapidamente. Por volta de 30 dias após o início do trabalho de orientação já é possível perceber uma mudança na atitude das pessoas.

"O acolhimento e esclarecimento quanto às possibilidades existentes para equacionar pendências financeiras geram o sentimento de que é possível assumir as rédeas do problema, trazendo de volta a confiança sobre si mesmo. E, uma vez, traçadas as ações para quitação de dívidas, o assunto deixa de consumir a atenção dos profissionais", pontua Fonseca.

A abordagem da questão impacta positivamente o trabalho, a atenção para questões da organização e, principalmente, a dedicação e foco ao cliente.

Produção e edição

 

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