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Seção Reportagem
23/11/2017 - 11:53:30
Economista Ricardo Amorim prevê recuperação econômica em curto prazo e impactos positivos no setor automotivo
Por Matheus Medeiros e Juliana de Moraes
Arte: Sincodiv-SP/Sarro Comunicação

Considerado pela Revista Forbes como o economista mais influente do Brasil, Ricardo Amorim está otimista com o futuro econômico do país, tanto em longo quanto em curto prazo.

"Desde a virada do Milênio, de cada US$ 4 gerados no mundo, US$ 3 foram produzidos em países emergentes, incluindo o Brasil. E mesmo com nossa recente crise, a tendência se manteve, nós é que ficamos de fora da festa – mas estamos voltando", explica o consultor e apresentador do programa Manhattan Connection, da Globo News*.

Para ele, a política econômica, as reformas já aprovadas e aquelas ainda em discussão em Brasília (DF) – Trabalhista, Previdenciária, Tributária, Teto de Gastos Públicos, etc. -  são alguns dos fatores da recuperação que se avizinha.

"Nós próximos três ou quatro anos, o país viverá um momento muito parecido com o que passamos entre 2004 e 2008, já que o cenário projetado é o mesmo: baixa de juros e alta de crédito. O brasileiro está começando a enxergar a importância de modernizar nossa legislação para nos adequarmos ao contexto contemporâneo, de evolução tecnológica e mudanças constantes em todas as áreas."

Além disso, Amorim destaca, o agronegócio nacional continuará crescendo nos próximos anos. "Isso está relacionado com a melhoria constante da economia dos outros países emergentes, que possuem populações gigantescas e vivem movimentos de êxodo rural grandes, com milhões de pessoas indo do campo para as cidades. Passamos por isso com a China nas últimas décadas –nos beneficiando muito – e veremos algo similar com a Índia nos próximos anos."

Impactos no mercado automotivo

Para o economista, analisar o futuro do setor automotivo exige duas abordagens diferentes: o aumento da produção e vendas de automóveis em si; e o desenvolvimento tecnológico e seus impactos em toda cadeia produtiva.

A partir da primeira perspectiva, Amorim acredita que, em curto prazo, o país viverá um novo boom no mercado. "Como consequência da recuperação econômica do país, cerca de 30 milhões de brasileiros vão alcançar a classe média, seja recuperando seu patamar social pré-crise ou melhorando sua renda pela primeira vez. E, como vimos na década passada, isso leva, naturalmente, ao aumento da venda de veículos novos."

No entanto, uma análise do futuro do setor automotivo exige, segundo o especialista, que se coloque em primeiro lugar o contexto tecnológico. "Quando pensamos em mobilidade, nosso conceito está ligado à nossa atual realidade e ao que enxergamos como padrão nas últimas décadas. Mas essa conjuntura não para de mudar – e cada vez mais rápido."

Como exemplo, ele cita o desenvolvimento de veículos autônomos, elétricos e compartilhados, realidade inimaginável há 15 anos. "Mudanças radicais nesse setor sempre aconteceram – pensem na evolução que tivemos da carroça para o bonde e desse para o carro, por exemplo. Foram saltos quânticos!"

Para ele, a grande questão é que esse progresso, atualmente, acontece em menor tempo. "Não temos como prever o futuro da mobilidade em longo prazo quando, por exemplo, já estão sendo desenvolvidos projetos como o Hyperloop, um sistema ‘hiperfuturístico’ que promete alcançar 1.200 km/h", destaca.

E para os pessimistas, que questionam "como é possível ter esperança de tecnologias como esta chegarem ao Brasil se estamos vivendo uma crise gigantesca?", Amorim é enfático ao dizer que "não tem esperança, mas, sim, certeza absoluta!"

*Ricardo Amorim participou, recentemente, do 13º Salão Latino-Americano de Veículos Híbridos-Elétricos, realizado na capital paulista

 

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