ESQUECI MINHA SENHA >
Sincodiv
ÍNDICE SINCODIV-SP ONLINE
Seção Entrevista
01/02/2018 - 09:16:50
Bate-papo com Wendel Bezerra, dublador e diretor de dublagem - PARTE II
Por Matheus Medeiros e Juliana de Moraes
Divulgação Hoje, além de dublador, Wendel Bezerra é empreendedor, ao lado do irmão Ulisses, com a Universidade de Dublagem, que oferece cursos, e tem o próprio estúdio, a UniDUB.

Sincodiv-SP Online: Quando e por que você, junto ao seu irmão Ulisses, decidiu criar o curso Universidade de Dublagem? E como se deu o surgimento do estúdio UniDUB?

Wendel Bezerra: A ideia do curso surgiu da necessidade que nós, como diretores de dublagem, tínhamos de diversificar os elencos dos trabalhos. Haviam alguns cursos no mercado, mas nós não gostávamos muito da qualidade deles, por isso, decidimos criar o nosso próprio, com o objetivo de formar bons profissionais, agregando valor ao mercado de trabalho como um todo.

Com isso, fundamos a Universidade de Dublagem em 2008 e isso deu super certo! Tanto que, hoje, entre 20% e 25% do total de dubladores que trabalham em São Paulo passaram pelo nosso curso, o que é muito gratificante.

Já o estúdio UniDUB, nós criamos em 2011. Eu trabalhava como diretor de dublagem na Álamo, um dos grandes estúdios da história do país, que fechou no mesmo ano. Com o fechamento de um dos grandes estúdios, e vendo o espaço criado com o crescimento do mercado, arriscamos e decidimos abrir o UniDUB, a partir da nossa ideologia e entendimento de como deve ser feita a dublagem, sempre prezando pela qualidade.

Como eu era um nome já conhecido no mercado, com trabalhos reconhecidos e premiados, consegui fazer contato com vários potenciais clientes e o crescimento do estúdio aconteceu naturalmente, aos poucos. Começamos com apenas uma sala de gravação e hoje já trabalhamos com dez.

Sincodiv-SP Online: Quais foram as principais dificuldades vividas nesse momento empreendedor da sua carreira?

Wendel Bezerra: No início, a maior dificuldade foi entender as necessidades técnicas dos clientes e as melhores maneiras de atendê-las, porque essa nunca tinha sido uma preocupação minha, nem como dublador, nem como diretor. Então, compreender que prazo e atendimento imediato são essenciais foi um processo desafiador, principalmente no começo.

Outra dificuldade foi entender como funciona e fazer a ponte entre empresa e atores, virar "patrão" e, às vezes, tomar decisões a partir de pressupostos diferentes. Dentro desse contexto, também é sempre um desafio incluir os funcionários dentro da sua ideologia de trabalho, não apenas cobrar resultado, mas dar a contrapartida para que o ator se sinta bem, respeitado, passando a mensagem de que, aqui, o processo prioriza sempre a qualidade.

Além disso, obviamente que foi e ainda é desafiador lidar com as questões "burocráticas" – tributárias, trabalhistas, legais, etc. Nessa hora, você descobre que o buraco é um pouco mais fundo e que você precisa colocar muitas coisas na balança na hora de, por exemplo, fechar um orçamento.

Sincodiv-SP Online: Como funciona um processo de dublagem?

Wendel Bezerra: Inicialmente, o processo inicia a partir do relacionamento com os clientes (distribuidoras, principalmente) – tanto para manter os seus atuais, quanto prospectar novos, quando há mudanças de fornecedores, o que costuma ser raro no mercado.

Há a negociação com a distribuidora por orçamento e quando resolvida essa questão, nos é enviado o texto original da obra, que é repassado para um tradutor especialista em dublagem, já que nesse tipo de tradução tem que constar absolutamente tudo – as falas, tossidas, palmas, enfim, qualquer tipo de som emitido pelos personagens.

Esse texto, de volta ao estúdio, é cortado em trechos de 20 segundos, que são chamados de anéis – um filme pode ter 100, 200, 300 anéis, de acordo com seu tamanho e do quanto ele é falado. Esses anéis são a base das definições do tempo em que o estúdio será usado e a remuneração dos atores.

O diretor recebe a tradução recortada em anéis e assiste ao filme original. A partir disso, ele escala o elenco, definindo quem vai dublar cada um dos personagens, desde os protagonistas até o "soldado 11", por exemplo. O diretor também é o responsável por adaptar e corrigir a tradução, buscando transformar o texto no máximo possível em "falado".

Com a escalação em mãos, o estúdio liga para cada um dos atores para agendar as gravações. Cada ator dubla separadamente as suas falas, acompanhado apenas do diretor e de um técnico de áudio.

Terminada a gravação de toda dublagem do filme, os áudios são mixados, processo em que são colocados os efeitos nas falas e, posteriormente, são juntadas as dublagens com os sons do filme original - trilha sonora, sons ambientes, passos, barulhos de portas batendo, cachorro latindo, carro passando, etc. - que já vêm prontos do cliente e são iguais ao original!

Sincodiv-SP Online: Para terminar, o que é preciso para ser um dublador no Brasil? Quais são suas dicas para alguém que está começando na carreira?

Wendel Bezerra: A primeira coisa que você precisa pensar é em ser ator, não focar na dublagem inicialmente. Quando você já tiver uma base como ator e um leque bacana de personagens, interpretações e entendimentos de atuação, aí sim você pode começar a ser um dublador.

Essa é uma função que exige que você interprete personagens diferentes o tempo todo, inclusive aqueles que você jamais faria fisicamente, então é necessário um estofo sólido. Além disso, também é fundamental que se faça um curso de dublagem para você aprender o mínimo e entender a dinâmica do trabalho.

 Produção e edição

 

 

COMENTÁRIOS:

Nenhum comentário cadastrado.