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Seção Entrevista
01/02/2018 - 09:14:52
Bate-papo com Wendel Bezerra, dublador e diretor de dublagem
Por Matheus Medeiros e Juliana de Moraes
Divulgação Formado em Direito e vindo de uma família de atores e dubladores, Bezerra começou a carreira com apenas quatro anos de idade.

Existe uma semelhança entre as vozes de personagens tão diferentes e marcantes como Bob Esponja; Goku, do Dragon Ball; Buddy Valastro, do Cake Boss; e os papéis interpretados por atores como Edward Norton (O Ilusionista, Clube da Luta e Incrível Hulk) e Ryan Gosling (La La Land e A Grande Aposta). Todas elas são dubladas por Wendel Bezerra.

Formado em Direito e vindo de uma família de atores e dubladores, Bezerra começou a carreira com apenas quatro anos de idade - e com uma grande responsabilidade: interpretar o filho de Bibi Ferreira e Francisco Milani no musical "Gota D Água", considerado um dos mais importantes do gênero no país.

Ele passou infância e adolescência trabalhando em peças infantis, comerciais, locuções, mas desde os 21 anos se dedica exclusivamente à dublagem, tanto como dublador, quanto diretor, recebendo grande reconhecimento do público e da crítica especializada.

Mais recentemente, Bezerra também decidiu se aventurar como empreendedor, criando, ao lado do irmão Ulisses, a Universidade de Dublagem, que oferece cursos, e o seu próprio estúdio, a UniDUB.

A seguir, Wendel Bezerra nos conta um pouco mais sobre sua história, como funciona o processo de dublagem e os desafios de empreender:

Sincodiv-SP Online: Conte-nos um pouco sobre a sua trajetória profissional. De onde surgiu o seu interesse em, primeiramente, ser ator e, posteriormente, dublador?

Wendel Bezerra: Sou filho mais novo de cinco e, quando nasci, meus irmãos já faziam comerciais de TV, participações em novelas e alguns outros trabalhos como atores mirins - então esse interesse surgiu da família como um todo.

Quando eu tinha quatro anos, meu irmão foi chamado para fazer testes para uma peça e, chegando lá, eles precisavam, na verdade, de duas crianças, sendo uma mais nova. Eu quis fazer os testes, passei e acabei atuando como filho da Bibi Ferreira e do Francisco Milani, que eram os dois protagonistas, na montagem do musical "Gota D Água", em São Paulo, que fez um sucesso absoluto.

Ali, comecei a conhecer pessoas do mundo cênico, mostrando meu lado de improvisador. Com isso, aos seis anos, recebi indicação para ser o protagonista da peça infantil "Tistu - O Menino do Polegar Verde". Daí para frente a carreira decolou. As pessoas gostaram das minhas habilidades atuando, dançando, cantando - e fui ganhando reconhecimento. No período, também fiz também muitas locuções e comerciais.

A partir disso, me recomendaram, aos oito anos de idade, para fazer dublagem - e como eu tinha uma certa desenvoltura, por já estar acostumado com leitura de roteiro e microfones, acabei deslanchando no ramo.

Passei toda minha adolescência trabalhando com dublagem, ao mesmo tempo em que também me dedicava ao teatro e às peças publicitárias. Mas, com 21 anos, decidi que passaria a trabalhar apenas com locução e, principalmente, dublagem, dedicando-me também a dirigir trabalhos de dublagem.

Sincodiv-SP Online: Você começou a dirigir outros dubladores muito novo. Como se deu isso? Quais são as principais diferenças entre ser diretor e dublador?

Wendel Bezerra: Um nome em especial foi muito importante nessa etapa da minha carreira: Líbero Miguel, diretor do extinto estúdio Álamo. Ele me dirigiu na infância e adolescência, mas me cobrava como se eu fosse um adulto, o que foi muito importante para o desenvolvimento da minha carreira.

Com os anos de trabalho e também a partir das minhas experiências como diretor, aprendi que quando você é dublador, seu foco está apenas no seu trabalho. Já quando você dirige, precisa focar no trabalho de todo mundo, já que você é responsável pelo todo e não pela sua parte.

Sincodiv-SP Online: Quais foram os seus trabalhos mais importantes? Como eles impactaram na sua vida profissional?

Wendel Bezerra: Eu tenho alguns trabalhos que são muito reconhecidos pelo público. E receber esse reconhecimento é essencial no ramo de atuação porque mostra que seu trabalho está sendo bem feito e que você está "vestindo a figura", que é uma expressão que usamos no meio para quando conseguimos encaixar a voz no personagem.

Entre os mais reconhecidos estão o Goku, do Dragon Ball, que foi muito importante para minha carreira porque gerou um carinho muito grande do público comigo. Também há o Bob Esponja que, além de ser um personagem extremamente famoso para os públicos de todas as idades, também ficou marcado por ter uma voz caricata, o que é uma habilidade importante para qualquer dublador.

Na dublagem das "pessoas de verdade", trabalhei como a voz do Buddy Valastro, do Cake Boss, e do Bear Grylls, do À Prova de Tudo, ambos reality shows de muito sucesso.

Além disso, também sou a voz dos personagens de vários filmes do Edward Norton e Ryan Gosling, por exemplo, e eu gosto muito de trabalhar com a dublagem deles, porque eu os admiro muito como atores e isso faz com que se torne um desafio imenso dublar seus personagens, o que me dá um prazer diferente.

Sincodiv-SP Online: Como você enxerga o mercado de dublagem brasileiro?

Wendel Bezerra: É um mercado "louco" porque cresceu demais nos últimos anos, com a ascensão da TV a cabo e dos serviços de streaming. Cerca de 75% do público brasileiro em geral - todas as pesquisas indicam e isso independe de extrato social, idade, desenhos, séries ou filmes, por exemplo - preferem assistir conteúdos dublados do que legendados e isso faz com que seja um mercado aquecido e importante.

Com isso, surgiu uma série de novos dubladores e estúdios. Isso, num primeiro momento, foi ótimo, mas o crescimento acelerado do mercado fez com que aparecessem muitos trabalhos de estúdios ruins, que valorizam muito mais a quantidade do que a qualidade, e isso fez com que a "tabela de preços" cobrada pelos estúdios ficasse desequilibrada, desvalorizando um pouco todo o mercado.

Para ler a segunda parte da entrevista com Wendel Bezerra, em que ele fala sobre o mercado de dublagem no Brasil, seus desafios como empreendedor e como funciona o processo para dublar um filme, clique aqui.

 

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