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Seção Entrevista
08/03/2018 - 18:01:07
Bate-papo com Rodrigo Fonseca, diplomata conselheiro do Setor Econômico e de Promoção Comercial do Consulado-Geral do Brasil em Miami (EUA)
Por Juliana de Moraes e Renan De Simone
Divulgação

Formado em Direito pela UnB (Universidade de Brasília) e na Diplomacia desde 1992, Rodrigo Fonseca se tornou um especialista em Relações Comerciais. Passou pela Malásia, Colômbia, Guiana, mas destaca sua passagem por Paris, França, onde trabalhou e conviveu com o embaixador Sergio Amaral - hoje em Washington EUA (Estados Unidos da América) -, e muito aprendeu sobre trabalhar o fomento comercial entre os países.

A experiência rendeu um convite para atuação na iniciativa privada brasileira, período em que se licenciou da carreira diplomática por seis anos, retornando em 2017 para a posição de conselheiro do Secom (Setor Econômico e de Promoção Comercial) do Consulado-Geral do Brasil em Miami, no estado da Flórida (EUA).

O desafio não é pequeno. A Flórida é o maior parceiro comercial do Brasil dentro dos Estados Unidos e o principal destino de investimentos brasileiros. Com o recebimento de cerca de 2.000 consultas ao ano de empreendedores sobre aspectos comerciais - o maior número dentre todos os Consulados do Brasil no mundo -, Fonseca e sua equipe têm como meta melhorar a performance do Brasil nos negócios. Do comércio bilateral de US$ 18 bilhões/ano, o estado norte-americano vende mais que o dobro (US$ 13 bi) do que a nação brasileira inteira exporta para lá (US$ 5 bi).

Confira a entrevista a seguir e saiba mais sobre o trabalho do diplomata e sua equipe em Miami, conheça as oportunidades que ele indica como proeminentes e os canais de suporte que o Consulado-Geral oferece para brasileiros interessados em exportar aos EUA!

 

Sincodiv-SP Online: Nos fale um pouco sobre sua história e trajetória.

Rodrigo Fonseca: Nasci em Vitória, no Espírito Santo, mas minha família mudou-se para Brasília (DF) quando eu ainda era pequeno, por volta dos oito anos, em função de uma transferência de trabalho do meu pai. Acabei desenvolvendo toda minha trajetória acadêmica por lá, onde cursei Direito na UnB e ingressei no Instituto Rio Branco em 1992, e desde então sigo a carreira diplomática.

Malásia, Colômbia, Guiana estão entre os países onde atuei em nome do Brasil, mas destaco a passagem por Paris, onde trabalhei e convivi com o embaixador Sergio Amaral. Ele é um experiente e exigente negociador da área de Negócios e com ele muito aprendi sobre fomento comercial entre países.

Essa experiência, pela qual tomei gosto, rendeu-me um convite para atuação na iniciativa privada brasileira, na área de Engenharia, período em que me licenciei da carreira diplomática por seis anos, retornando em 2017.

 

Sincodiv-SP Online: Como surgiu a oportunidade de assumir como conselheiro do Setor Econômico e de Promoção Comercial do Consulado-Geral do Brasil em Miami?

Rodrigo Fonseca: Ao retornar do período de licença, a posição de conselheiro do Secom do Consulado-Geral do Brasil em Miami, no estado da Flórida (EUA) foi oferecida para mim pela trajetória que havia desenvolvido até então. O desafio é grande! Nossa meta é, principalmente, melhorar a performance do Brasil nos negócios com a Flórida.

Do comércio bilateral de US$ 18 bilhões/ano, o estado norte-americano vende mais que o dobro (US$ 13 bi) do que a nação brasileira inteira exporta para cá (US$ 5,5 bi), segundo dados de 2015.

 

Sincodiv-SP Online: Quais as principais áreas de atuação do Secom do Consulado-Geral de Miami?

Rodrigo Fonseca: Trabalhamos fortemente no suporte aos empreendedores interessados em exportar e investir nos Estados Unidos. Recebemos, por meio do contato comercial.miami@itamaraty.gov.br, cerca de 2.000 consultas no ano passado sobre aspectos comerciais - o maior número de dentre todos os Consulados do Brasil no mundo - e buscamos subsidiar empresários brasileiros com informações como potencial de mercado, concorrência, regras tarifárias para produtos e serviços.

Para que empresários brasileiros compreendam o contexto do mercado de produtos e serviços aqui no estado, elaboramos a publicação Como Empreender na Flórida - Um guia para a comunidade brasileira, disponível online, para download. Nela, desde providências para abertura de negócios, a regulamentos aplicáveis a mercadorias e informações sobre aquisição de companhias e joint ventures são temas abordados, entre outros assuntos.

Trata-se de todo um trabalho de inteligência que é oferecido sem custos para os empreendedores porque claramente o nosso país tem muito interesse de que ampliemos nossa participação na balança comercial com o país e, claro, equilibremos as trocas e negócios com o estado da Flórida, um importante polo consumidor norte-americano.

Além disso, a manutenção do suporte para a variedade de áreas que já atuam no comércio bilateral é relevante, a exemplo da indústria cafeeira e de aviação, (clique aqui para conferir os 20 setores mais importantes dentre importações e exportações), assim como a identificação de segmentos potenciais para empresas brasileiras virem a atuar e nos quais encontrem competitividade para "brigar" ante forte concorrência.

A relação completa de serviços que o Consulado-Geral de Miami presta à comunidade brasileira, vale a pena de se conhecer, e está disponível por meio do site http://miami.itamaraty.gov.br/pt-br/setor_comercial.xml.  

Sincodiv-SP Online: Que setores econômicos, em sua avaliação, têm potencial de desenvolvimento no estado da Flórida?

Rodrigo Fonseca: Vemos grande potencial para o comércio de bebidas, como vinho e cachaça; rochas ornamentais e startups ligadas à área de cibersegurança, em que temos tecnologia acima da média, em especial devido ao segmento bancário brasileiro.

Na Flórida, estima-se que o mercado de construção imobiliária deve triplicar de tamanho nesta década, portanto, o segmento de rochas ornamentais para revestimentos, que hoje já é responsável pela exportação de US$ 1,7 bilhão ao ano para o estado norte-americano, tem potencial de avançar em igual ordem. É preciso que trabalhemos a infraestrutura de transporte do país para baratear custos e sermos competitivos.

Hoje, todas as rochas extraídas no Espírito Santo, que é forte nesse setor, são obrigadas a embarcar por Santos (SP) porque o porto em Vitória não possui calado suficiente (fundura máxima que os navios podem atingir quando totalmente carregados) para receber navios de transporte desse tipo de produto. Só a distância, o tempo e o custo envolvidos nessa logística tornam nossas rochas mais caras e, assim, perdemos mercado.

Já na área tecnológica, o estado da Flórida vem crescendo nesse mercado e vemos que empreendedores brasileiros têm muito a agregar, trazendo para cá seus produtos para área de cibersegurança, mobilidade e gestão.

 

Para conferir a segunda e última parte da entrevista com Rodrigo Fonseca, conselheiro do Setor Econômico e de Promoção Comercial do Consulado-Geral do Brasil em Miami (EUA), clique aqui.

Produção e edição

 

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