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Seção Reportagem
19/04/2018 - 12:29:09
Especial Ferramentas para Gestão de Equipes: no centro da estratégia para alcançar maior produtividade
Por Juliana de Moraes e Renan De Simone
Banco de imagens Pixabay

Ferramentas para Gestão de Pessoas e Equipes são técnicas de pesquisa e avaliação que fornecem recursos para os profissionais conhecerem melhor a si mesmos e para os gestores trabalharem com elementos concretos ao desenvolvimento de suas pessoas e do negócio pelo qual são responsáveis.

Isso porque o conhecimento próprio e o das pessoas da equipe deveria ser o básico do manual de gestão em qualquer área de negócios para se extrair o melhor de cada um – proporcionar desenvolvimento dos profissionais –, e da equipe como um todo. Isso deveria nortear todas as ações e tomadas de decisão.

O "deveria" acima está no futuro do pretérito e não ao acaso. Pois a realidade nas organizações é bem menos dourada e há lideranças que ainda acreditam na "lei do chicote", baseada em vigilância e hierarquia como pilares de ordem e disciplina para o sucesso.

Tal conceito é falso. Pessoas não são máquinas que atendem a comandos. Elas precisam de motivação, acolhimento e de crença para atuarem em linha com os processos e objetivos das empresas. E aqui as máquinas e suas ferramentas podem ajudar nesse gerenciamento.

Nesta reportagem a respeito do tema, trazemos uma breve apresentação do primeiro de dois produtos que têm como foco o fornecimento de elementos para a gestão de pessoas em organizações ante o reconhecimento do valor humano na cadeia produtiva, especialmente no setor de serviços, caso das redes de concessionárias de veículos.

SOAR

Ensinar o "aprender sobre si mesmo e sobre os outros" é o objetivo do programa SOAR, apresentado pelo professor doutor Anthony Portigliatti, presidente do Conselho de Diretores da FCU (Florida Christian University), nos EUA.

Com formação como administrador de empresas, psicólogo, coaching e educador, ele explica como as ferramentas de avaliação computadorizada do SOAR fazem o diagnóstico de perfis de comunicação e comportamento, traduzindo as principais características presentes nas pessoas e como elas afetam o nível de energia individual. 

Por meio do programa, aplicado online ou presencialmente, é possível identificar estilos de liderança, temperamentos, fatores de motivação e desmotivação, além da sua adaptação aos diferentes ambientes. Depois, uma análise individualizada explora as oportunidades de crescimento e como viabilizá-las.

Crenças limitantes

O professor explica que somos forjados pelas experiências que passamos ao longo da vida e profundamente afetados pelas crenças limitantes que nos são colocadas e induzem à percepção sobre a capacidade individual. "Ao conhecermos nossas características e fazermos um acompanhamento delas, podemos superar limitações, evoluindo para uma melhor compreensão sobre nós mesmos e as pessoas de nosso entorno".

Com a apresentação dos diagnósticos da ferramenta, Portigliatti avança nos conceitos e recursos do SOAR. "Em alguma medida, todos seremos Dominantes, Extrovertidos, Pacientes e Analíticos, sendo que a avaliação computadorizada indica o nível de presença de cada uma dessas características nas pessoas sob duas visões: da que temos de nós mesmos e das expectativas que avaliamos os outros terem sobre nós nas áreas Pessoal / Familiar (autoconhecimento, relacionamento), Profissional / Empresarial e Relacional".

De acordo com Portigliatti, a compreensão dessa análise é essencial porque diz respeito à forma como assimilamos os processos comunicacionais. "O significado de cada palavra está baseado na percepção que cada um possui de si. Portanto, a comunicação se dá pelo que o outro entende do que dizemos", define.

Ele afirma ainda que, quando entendemos as diferentes percepções e filtros, vemos por que razão as pessoas podem, a partir de uma mesma conversa, elaborar opiniões absolutamente distintas.

"Na gestão de pessoas, as lideranças devem estar atentas a isso para aprimorar a comunicação com seus profissionais e buscar extrair o melhor de cada um por meio da valorização das habilidades mais desenvolvidas de suas pessoas, no que chamamos de teoria Minimax, que recomenda minimizar os pontos fracos e maximizar os fortes, potencializando a confiança na capacidade de realização do grupo", descreve.

Estilos de liderança

Há líderes caracterizados por cada um dos perfis (Dominante, Extrovertido, Paciente e Analítico) e neles são identificados pontos fortes, assim como deficiências, caso não consigam perceber a necessidade de flexibilizarem-se, adaptando suas posturas e linguagem para o diálogo com as demais pessoas.

O Dominante no papel de líder assume a função sem desconforto, é rápido na tomada de decisões, deixa claro o papel de cada um na equipe, cresce em momentos de mudanças e crises, lidando bem com desafios. Por outro lado, caso não se atente ao entorno, pode ser tido como insensível, intimidador, impaciente e preocupado apenas com os resultados – em lugar das pessoas.

Já o líder de perfil Extrovertido se mantém aberto aos demais, é atento à equipe, inspira e motiva, elevando o valor de cada um por meio de observações construtivas. Entretanto, ao não exercitar a flexibilidade, corre o risco de ser notado como desorganizado e descompromissado com metas.

O Paciente é sensível às necessidades do grupo e bom ouvinte, aprecia a equipe, oferece espaço para que atuem e é consistente e metódico no estilo de liderar. Entretanto, sem atentar à flexibilidade, pode parecer indeciso, hesitante em adotar mudanças e esquivo para solucionar situações difíceis.

Por fim, o Analítico no papel de líder é claro e objetivo no estabelecimento de processos, respeita e aplica as normas, é confiável, detalhista na atribuição de funções e justo nas avaliações. Entretanto, se não se atentar ao diálogo com outros perfis, pode ser visto como perfeccionista em excesso, alguém que estabelece regras demais (e até impossíveis ao cumprimento) e que prejudica a criatividade por não aceitar qualquer desvio por parte dos liderados.       

O que importa às lideranças saber

Trate as pessoas como elas gostariam de ser tratadas. "Todas as características apresentadas afetam como nos colocamos frente às situações, desafios e como nos comunicamos em nossas redes de relacionamento. Sendo assim, as lideranças que conhecem a si mesmas e são capazes de identificar os perfis das pessoas de suas equipes terão como compreendê-las melhor", atenta o acadêmico.

E acrescenta que tão importante quanto o trabalho de autoconhecimento é reconhecermos como as características presentes nos diferentes perfis são complementares e fundamentais ao desenvolvimento individual e coletivo.

Portigliatti ainda aborda as vantagens e desvantagens de mistura de estilos de perfis nos grupos. "Se, por um lado, ganha-se eficácia por agruparmos um maior número de inteligências diversas, o cuidado para minimizar as diferenças deve ser ainda maior por outro, com a necessidade do exercício da empatia por todos, visando a percepção de respeito e valorização dos indivíduos".

Produção e edição

 

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