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Seção Entrevista
14/06/2018 - 11:18:40
Bate-papo com Leyla Nascimento, primeira presidente da Federação Mundial de Recursos Humanos - PARTE 2
Por Juliana de Moraes e Renan De Simone
Divulgação

Sincodiv-SP Online: Agora, à frente da Federação Mundial, qual sua principal meta?

Leyla Nascimento: Somos cinco continentes, com dois representantes de cada região no board. Dentro dessa experiência que adquiri, imagine quanta vivência temos nesse grupo! Quero que esse conhecimento seja trocado e experimentado pelas associações nacionais.

Por exemplo, o Reino Unido, tem uma linha de pesquisa sensacional! Então, como faço para multiplicar essa experiência para que seja adotada por outros países?

O Brasil está num patamar de desenvolvimento muito bom na Gestão de Pessoas. Só que os profissionais estrangeiros não conhecem o suficiente. Então temos muito a contribuir também!

Uma falha cultural que temos na área de RH do Brasil diz respeito a nossos países vizinhos. Olhamos muito "para cima", os EUA, Europa e prestamos pouca atenção nos países latino-americanos, que estão ao nosso lado, que contam com práticas absolutamente respeitáveis, adequadas muitas vezes aos nossos padrões culturais. Temos muito a aprender com eles também.

 

Sincodiv-SP Online: A quais experiências na área de RH deveríamos estar atentos em relação a países da América Latina?

Leyla Nascimento: O Chile, por exemplo, possui uma experiência na área de negociação sindical que é referência. Na Colômbia, ninguém faz qualquer tipo de estudo se não houver uma pesquisa. Eles trabalham de forma muito fundamentada.

Quando a gente olha para uma Venezuela neste momento - e isso ouvi de uma gestora de Recursos Humanos de uma multinacional presente no país –, a prioridade estratégica da gente é o primeiro nível da Pirâmide de Maslow (divisão hierárquica proposta por Abraham Maslow, em que as necessidades de nível mais baixo devem ser satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto), a alimentação... Para uma família com quatro ou cinco membros, a cota de alimentação oferecida pelas organizações não supre o período integral de um mês e isso é uma grande preocupação.

Enfim, o que quero dizer é que estamos falando sobre realidades diferentes que levam a modelos de gestão diferenciados para suprir os diversos desafios que cada ambiente traz. E isso só é possível por meio dessa atuação associativa.

Saindo da América Latina, participei recentemente de uma reunião com a presidente da associação de RH da Tailândia e ela foi enfática ao dizer: o que nos faz falta é a experiência na área de Gestão de Pessoas para empresas menores, porque meu país é formado por médias e pequenas empresas, então para nós é esse universo de vivências que nos interessa e agrega a nossos profissionais.

Considerando todos esses relatos que bem ilustram o valor do intercâmbio do conhecimento, é justamente nessa troca que vou investir fortemente ao longo de minha gestão na Federação Mundial.

 

Sincodiv-SP Online: Na sua opinião, para onde caminha a gestão de RH?

Leyla Nascimento: Vejo que temos uma tendência para retornar ao simples. E, veja, quando digo isso quero dizer que a parte pesada, de processos, está sendo revista. Na General Eletric, estão tornando os processos de avaliação de desempenho mais informais, voltando ao básico, por exemplo.

Isso também acontece em outras organizações porque tendemos para uma forma simples de atuar. O RH está se posicionando como uma linha de maior suporte às organizações, as demandas mudam muito rapidamente.

Duas coisas tiram o sono do CEO de uma organização: uma é sua estrutura não sobreviver a esse mercado em que uma startup pode derrubar empresas de mais 100 anos a partir de um time diminuto alocado em uma garagem; o outro ponto é que os jovens estão considerando o mundo corporativo muito chato, muito pesado.

Muitos jovens profissionais com alto potencial simplesmente não desejam ingressar numa carreira executiva ou estão desistindo em função de um contexto de trabalho que consideram incompatível com o que desejam para suas vidas.

Eles buscam desenvolvimento, experiência de vida e não uma hierarquia engessada que dificulta o processo de trânsito pelo conhecimento que a organização pode proporcionar para ele. Portanto, os gestores de Recursos Humanos têm o desafio da gestão das gerações.

Um terceiro aspecto que vejo como fundamental aos profissionais de Gestão de Pessoas é o mergulho definitivo na inteligência artificial. Teremos equipes humanas e ferramentas tecnológicas que trabalharão juntas para alcançar os resultados esperados pelas organizações. Serão recursos que trabalharão com elementos emocionais, oferendo subsídios para os gestores obterem o engajamento que precisam.

São dados objetivos - algoritmos - que serão utilizados para tomadas de decisões por humanos, emocionais.

 

Sincodiv-SP Online: O que o RH do Brasil faz de acima da média no mundo?

Leyla Nascimento: Ponto forte é o fato de que nos acostumamos a sofrer impactos econômicos no Brasil e esses impactos demandaram uma flexibilização na forma de estruturar as organizações. Então, as áreas são bastante empreendedoras.

A ausência de estabilidade econômica e política que vivemos de forma cíclica geraram uma capacidade de reagirmos rapidamente a situações. Isso cabe a todos os níveis profissionais e de várias áreas.

Às vezes, ouvimos posições de agentes brasileiros que são impensáveis nos Estados Unidos, por exemplo. No Brasil, o RH e líderes pontuam que, se enxergarem a capacidade de aprendizado de um profissional, estão dispostos a contratar e ensinar toda a técnica, prepará-lo para o trabalho e ouvi-lo mais. E, por quê? Aqui, a questão comportamental pesa muito na decisão das empresas. Considera-se que a habilidade de enfrentar cenários inconstantes é um fator relevante para capacidade produtiva do indivíduo e seu desenvolvimento no âmbito organizacional.

Isso é um ponto bastante positivo! Nossos profissionais têm uma capacidade de adaptação acima da média, o que é bom para ele e para a organização.

Outro aspecto em que os RHs vêm atuando fortemente no país é no projeto de parceria das grandes organizações com startups. As áreas estão apoiando esse diálogo e elas mesmas estão contando com esses novos negócios para o desenho de políticas e estratégias de inovação. É algo bem interessante da atuação do RH brasileiro.

 

Para conferir a terceira e última parte da entrevista com Leyla Nascimento, primeira presidente da Federação Mundial de Recursos Humanos, clique aqui.

 

Produção e edição

 

 

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