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Seção Entrevista
30/08/2018 - 16:53:00
Bate-papo com Douglas Heizer, presidente do Boca Raton FC
Por Matheus Medeiros e Juliana de Moraes
Divulgação

Neste ano, em que a Copa do Mundo mudou a rotina do país e do mundo, o futebol não poderia ficar fora das conversas do Sincodiv-SP Online!  E quem divide sua história conosco é Douglas Heizer. Ele, brasileiro de Niterói (RJ), é presidente do Boca Raton FC, clube norte-americano de futebol com sede na cidade de Boca Raton, no estado da Flórida.

Nascido em uma família de empreendedores, Heizer abriu sua primeira empresa aos 23 anos e desde então vem desbravando os negócios em diversos setores, dentre eles: autopeças, turismo, limpeza comercial, jornalismo e, mais recentemente, futebol.

Ele vive nos Estados Unidos desde 2000 e, além de comandar o Boca Raton FC, é também publisher do jornal The Boca Raton Tribune.

Nessa entrevista ao Sincodiv-SP Online, Heizer fala sobre sua carreira, como é empreender fora do Brasil, o crescimento do futebol norte-americano e os planos do Boca Raton FC.

A seguir, confira a entrevista completa:

Sincodiv-SP Online: Conte-nos um pouco sobre a sua trajetória. Como sua carreira começou no Brasil?

Douglas Heizer: Sempre tive o empreendedorismo no sangue! Sou da terceira geração de empreendedores na família. Meu pai e meu avô sempre tiveram negócios no ramo de autopeças e eu trabalhei com eles desde adolescente.

Aos 23 anos, eu abri o meu primeiro negócio, um atacado de autopeças. Depois de alguns anos, comecei a trabalhar como distribuidor de vendas das baterias Durex no Rio de Janeiro e no Nordeste.

E, por incrível que pareça, foi justamente atuar como distribuidor de baterias que me levou a começar a empreender no setor de turismo. Toda semana, eu tinha que enviar para a fábrica em São Paulo os meus pedidos por Telex – e era muito difícil ter uma linha de Telex na época. Então, eu decidi comprar uma agência de viagem justamente porque ela tinha uma linha de Telex. Eu brinco que, na época, foi mais fácil comprar uma agência de viagem do que esperar para ter uma linha.

Só que nós transformamos a agência de viagem em uma operadora e o negócio começou a crescer demais! Por vir de família empreendedora e sempre estar envolvido no meio, aprendi desde cedo a transformar um limão em limonada.

Sincodiv-SP Online: Como e quando você foi parar nos EUA? Quais foram seus primeiros negócios por aí?

Douglas Heizer: Mudei-me para os Estados Unidos em 2000, aos 38 anos, por conta da operadora de turismo. Estávamos crescendo muito no mercado norte-americano e, por isso, decidi me mudar com minha família para os EUA para acompanhar de perto a operação. Assim que cheguei, decidi diversificar os negócios e abri uma empresa de limpeza de comercial.

Parecia que tudo iria caminhar como o planejado, mas por conta do ataque terrorista de setembro de 2001 e pela economia brasileira não estar bem, o mercado de turismo começou a cair a partir de 2002. Com isso, decidi fechar a operadora de turismo e focar apenas na companhia de limpeza comercial.

Em 2008, o jornal local aqui de Boca Raton (Florida) faliu depois de mais de 50 anos. Eu, percebendo uma oportunidade, decidi investir nesse meio. Juntei os editores e redatores do antigo jornal e abri o The Boca Raton Tribune.

Sincodiv-SP Online: E como se deu a decisão de começar a investir no futebol?

Douglas Heizer: A ideia veio do meu filho mais velho, que sempre foi envolvido com esporte. Em 2013, começamos a discutir a possibilidade de investirmos no futebol, aplicando uma proposta para comprar uma franquia de alguma liga.

Decidimos, então, estudar o mercado e elaborar um projeto - com business plan, ações de marketing, definição de estrutura de treino e jogo - que foi aprovado unanimemente pela liga. Do início das discussões até a efetivação do time levamos dois anos de muito planejamento e estudos.

Sincodiv-SP Online: Quais são as principais diferenças entre o mundo dos negócios nos EUA e no Brasil?

Douglas Heizer: Se não fosse o que eu aprendi com as dificuldades para empreender no Brasil - tanto em questões burocráticas, mas, principalmente, com nossas constantes crises econômicas - talvez eu não tivesse sobrevivido à crise econômica nos Estados Unidos. A minha experiência com o mercado difícil brasileiro me deu muita resiliência e perseverança e isso foi certamente útil para mim.

No entanto, praticamente tudo que aprendi nas escolas de negócio brasileiras - como PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), FGV (Fundação Getúlio Vargas) e ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), por exemplo - foi descartado na minha carreira como empreendedor aqui nos EUA.

E isso é essencial ressaltar: para empreender nos EUA é necessário reaprender toda a filosofia de negócio e esquecer tudo o que se sabe sobre o mercado brasileiro. É um mercado totalmente diferente. E isso vale tanto para as pequenas coisas quanto para as grandes.

Aqui, por exemplo, não existe a figura do motoboy, então o empreendedor precisa aprender a colocar uma carta no correio. Além disso, aqui o capital para investir em um negócio está por todo lugar, então uma boa ideia, bem estruturada, se torna muito mais importante do que ter dinheiro.

Eu estou há muito tempo em Boca Raton, provavelmente fui um dos primeiros brasileiros a empreender por aqui, então muita gente me procura – via Câmaras de Comércio, Prefeitura, etc. – para obter dicas e percebo um grande percentual de fracasso de empreendedores brasileiros que tentam fazer negócios aqui nos Estados Unidos. E isso acontece pelo fato deles acharem que sabem tudo.

Sempre digo que a primeira lição que um empreendedor que deseja investir aqui precisa tomar é que o mercado dos Estados Unidos, de maneira geral, não está se importando com o que acontece em nenhum outro lugar do mundo, então você precisa aprender com eles e saber jogar o jogo deles, com as regras deles.

Na segunda parte da entrevista, Heizer disseca o mercado do futebol nos EUA e fala sobre a estrutura do Boca Raton. Confira aqui.

 

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