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Seção Entrevista
08/11/2018 - 19:48:30
Bate-papo com Ana Maria Rossi - Parte 2
Por Juliana de Moraes e Matheus Medeiros
Divulgação

Sincodiv-SP Online: É possível preparar seus profissionais para a prevenir a depressão no trabalho?

Ana Maria Rossi: A empresa deve manter uma administração bastante rígida das horas trabalhadas por seus profissionais, evitando sobrecargas (especialmente se elas se tornarem constantes); promover uma cultura de reconhecimento dos esforços de seus profissionais (e não apenas por resultados); estabelecer recompensas por atitudes éticas e condutas adequadas.

A orientação para uma forma justa de tratamento das pessoas, valorizando a meritocracia de forma consistente (com indicadores e dados) é outro caminho para a construção de uma relação de confiança, engajamento e robustez da estrutura emocional das equipes.

Por fim, palestras sobre o impacto do estilo de vida na saúde mental, o ensino do conceito de meditação e benefícios para o equilíbrio emocional, de técnicas de relaxamento e como podemos identificar os sinais de stress no trabalho completam o rol de medidas que habilitam as pessoas a lidarem com o risco de uma depressão causada pelas pressões do mercado.

Sincodiv-SP Online: A tecnologia desenvolve algum papel na elevação do nível de stress dos profissionais?

Ana Maria Rossi: Sim e não. A tecnologia ao mesmo em que ajuda, atrapalha. O que vai fazer a diferença é a disciplina mental das lideranças e indivíduos para saber a hora de "puxar o freio de mão". As pessoas querem falar e comer farofa ao mesmo tempo. Impossível, não é mesmo?

Daí, vem o sentimento de frustração cumulativo... porque é óbvio que não conseguimos dar conta de fazer tudo, o tempo todo, ao mesmo tempo. É mais um fator que pode levar à estafa, contribuindo, assim, para o burnout.

Sincodiv-SP Online: Fortalecer o emocional dos profissionais é, então, realmente importante neste contexto?

Ana Maria Rossi: Sim! Eu diria que bastante importante. Nós todos sabemos que o stress no trabalho só tende a aumentar por diversos fatores, portanto capacitar as pessoas para a administração das pressões é também proteger a empresa, proteger as equipes e fortalecer a resiliência para o enfrentamento de situações difíceis, muitas delas além do alcance das próprias organizações.

Aos líderes cabe o preparo para que respeitem as limitações de membros de sua equipe, valorizando os "inputs" – as colaborações que trazem para o dia a dia do trabalho. Aproximar as famílias da empresa é outro ponto que contribui para o sentimento de orgulho de fazer parte de um "time".

Por outro lado, os profissionais, de forma individual, devem reconhecer quando não se encaixam em uma determinada cultura organizacional ou modelo de trabalho e tomar uma medida quanto a isso.

Fazer-se de vítima ou ignorar os sinais pode parecer conveniente num primeiro momento (já que manter um emprego é realmente importante), mas ao contrário do que se pode imaginar, não vai resolver a situação. Pior, vai agravar. 

A responsabilidade quanto ao cuidado da saúde mental dos trabalhadores e das equipes de trabalho, na minha opinião, não é só da empresa ou só do profissional. É de ambos!

 

Para ler a primeira parte do Bate-papo com Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil, clique aqui.

 

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