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Seção Entrevista
29/11/2018 - 17:09:07
Bate-papo com Yuri Fang, CEO da Galápagos, editora de jogos de tabuleiro
Por Matheus Medeiros e Juliana de Moraes
Divulgação

Em 2016, o setor de jogos de tabuleiro faturou mais de R$ 535 milhões no Brasil, segundo a Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos) – e a expectativa é que o mercado cresça ainda mais nos próximos anos.

É nessa onda de crescimento que surfa a Galápagos Jogos, editora de jogos de tabuleiro modernos, fundada em 2008 por três amigos, estudantes de Engenharia na Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), que decidiram unir entretenimento e empreendedorismo.

Desde 2011, quando a empresa se constituiu como uma importadora de jogos de sucesso internacional, quase um milhão de produtos já foram vendidos. Com isso, o negócio cresceu 800% nos últimos anos, chamando a atenção da multinacional francesa Asmodee, comprou da companhia em um processo de expansão internacional.

Nesse bate-papo com o Sincodiv-SP Online, Yuri Fang, um dos fundadores e CEO da Galápagos Jogos, conta um pouco sobre a empresa, o mercado de jogos de tabuleiro e as expectativas para os próximos anos.

Confira, a seguir, a entrevista completa:

 

Sincodiv-SP Online: Primeiramente, gostaria de saber como surgiu o seu envolvimento com os jogos de tabuleiro?

Yuri Fang: Desde criança sempre fui influenciado pelos jogos de tabuleiro. Era uma tradição de família e meu pai teve grande influência me ensinando a jogar gamão, dominó e jogos de carta.

Ao longo da infância, jogos de tabuleiro tradicionais, videogames e esportes em geral sempre estiveram presentes em minha vida. Acredito que os jogos, em geral, podem ajudar muito na formação do caráter das pessoas, com muitos ensinamentos.

 

Sincodiv-SP Online: Como se deu a decisão pela criação da Galápagos?

Yuri Fang: A criação da Galápagos veio em um momento em que eu e os outros dois fundadores (Renato Sasdelli e Thiago Brito) buscávamos alguma oportunidade para empreender.

Os jogos de tabuleiro modernos surgiram em nossas vidas em 2007, quando passamos um ano na Austrália. Em 2008 começamos a utilizar jogos para treinamentos e marketing com foco na atuação junto a empresas. A partir daí, conseguimos viabilizar a produção de alguns jogos e iniciar o caminho para construção da editora. Em 2011 publicamos seis títulos e, desde então, só crescemos!

 

Sincodiv-SP Online: Quais foram os principais desafios no começo da operação da Galápagos?

Yuri Fang: Os principais desafios foram os obstáculos burocráticos que nosso país proporciona. Complexidade fiscal, tributária e a importação são assuntos que, na prática, são bem mais complexos que na teoria.

Mas, com muita resiliência e uma equipe fantástica, conseguimos sobreviver até os dias de hoje, com saúde financeira e sem precisar fazer nenhum corte, mesmo enfrentando diversas crises no período.

 

Sincodiv-SP Online: Como se dá a operação da Galápagos até hoje? Qual é o foco do trabalho? Vocês sempre trabalharam com importação de títulos internacionais?

Yuri Fang: No início, elaborávamos jogos para atender demandas de empresas, como integração de equipes, recrutamento, treinamentos, etc. Ao mesmo tempo, desenvolvemos alguns jogos nacionais, visando um mercado mais abrangente.

Em 2011, trouxemos o primeiro título internacional e vimos que o Brasil tinha sede por esses produtos. Foi então que resolvemos focar no licenciamento, tradução e distribuição dos jogos que estão fazendo sucesso no mundo.

Queremos que o brasileiro tenha acesso ao que há de mais recente e inovador nesse mercado, que possa se divertir com produtos de qualidade, tendo uma experiência de entretenimento fantástica.

 

Sincodiv-SP Online: Como você avalia o mercado brasileiro de jogos de tabuleiro? Qual é a expectativa para os próximos anos, tanto do setor em geral quanto da própria Galápagos?

Yuri Fang: O mercado de jogos de tabuleiro no Brasil tem avançado vertiginosamente, acompanhando uma curva de crescimento mundial extraordinária. Só para se ter uma ideia, hoje são produzidos no mundo cerca de 3.500 novos títulos de jogos por ano – na década de 80, quando o mercado começou a se desenvolver, eram apenas 500.

O segmento mundial de jogos de mesa é avaliado em 8,9 bilhões de euros e é considerado um dos que mais cresce na indústria do entretenimento – e espera-se que atinja dois dígitos até 2020, com crescimento médio anual de 13%. Em países fora da Europa, Estados Unidos e Ásia, como é o caso do Brasil, a expectativa é de que esse crescimento seja por volta de 45% por ano.

Somente a Galápagos lança 50 novos títulos de jogos por ano no Brasil e deve chegar ainda em 2018 a mais de um milhão de produtos vendidos. Entre 2012 e 2017, o crescimento da empresa foi de 800%.

 

Sincodiv-SP Online: Como aconteceu a compra da Galápagos pela francesa Asmodee? As conversas aconteciam há bastante tempo?

Yuri Fang: Somos parceiros há longos anos. A Galápagos edita, traduz e distribui os jogos da Asmodee no Brasil desde 2012. O grupo francês tem uma estratégia de internacionalização agressiva e, claro, precisava estar presente na América Latina, que se mostra como um mercado potencial incrível.

Unir a experiência da Asmodee com o conhecimento local da Galápagos foi um caminho natural e benéfico tanto para as duas empresas como para o mercado nacional.

 

Sincodiv-SP Online: A partir disso, quais são os principais objetivos da Galápagos para os próximos anos? Há uma mudança de planejamento?

Yuri Fang: Nada muda na forma como a Galápagos opera os negócios no Brasil. A principal diferença é que, como parte do grupo Asmodee, somos uma empresa mais robusta, reduzindo riscos inerentes ao negócio e acelerando o crescimento, o que representa uma contribuição para setor de jogos de tabuleiro como um todo.

Além disso, também passamos a contar com o know how de uma equipe de grande experiência e sucesso mundial. Vamos continuar buscando a melhor oferta de jogos para o público brasileiro.

 

Sincodiv-SP Online: Na sua opinião, por que os jogos de tabuleiro continuam a atrair atenção da população mesmo numa sociedade cada vez mais conectada e tecnológica?

Yuri Fang: Destaco três principais fatores. Em primeiro lugar, existe a necessidade inerente ao ser humano de se relacionar. A tecnologia ajuda as pessoas a se comunicarem com mais facilidade, mas elas ainda têm a necessidade do contato físico. Os jogos resgatam as interações humanas e reúnem as pessoas no mundo real, o que tem um grande valor. Os amigos querem se encontrar, os pais querem estar presentes nas vidas de seus filhos.

Outro fator importante é que estamos vivendo a chamada "Era do Homo Ludens", que tem o lúdico como forma de vida. As pessoas têm buscado novas forma de desenvolvimento – e o jogo é uma excelente maneira de estimular, em qualquer idade, habilidades como criatividade, raciocínio lógico, visão estratégica, trabalho em equipe, etc. Além disso, contribui também para educação das crianças, ensinando a lidar com as emoções, desenvolver habilidades sociais e motoras, por exemplo.

E, finalmente, as pessoas têm buscado novas formas de entretenimento. Os jogos representam um dos segmentos que mais se reinventa e inova no mundo. Hoje, existem jogos para qualquer tipo de pessoa, com temáticas variadas, estilos que atendem momentos diferentes e mecânicas absolutamente fantásticas. As pessoas que se deparam com os jogos da atualidade ficam fascinadas. É altamente contagiante!

 

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