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Seção Entrevista
28/03/2019 - 10:22:04
Bate-papo sobre o futuro dos escritórios e outros ambientes comerciais com Silvana Borges, designer de interiores radicada nos EUA
Por Juliana de Moraes e Silvia Pimentel
Divulgação

Formada pela Fundação Universitária Mineira de Artes e pela Faculdade de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, Silvana Borges é uma das pioneiras na realização de projetos de design de interiores em Brasília (DF), onde esteve envolvida com a organização da primeira tradicional mostra "Casa Cor" na cidade, na década de 90, e ajudou a fundar o escritório regional da Associação Brasileira de Interior Designers.    

Ela é uma especialista na técnica cenográfica e visual de design de interiores, presente em praticamente todos os projetos de ambientes empresariais. Além de oferecer identidade aos locais, os projetos para organizar e decorar visam oferecer bem-estar e, assim, favorecer a produtividade.  

Neste mês, o Sincodiv-SP Online traz a entrevista com essa profissional de origem mineira que se mudou para Miami (Estados Unidos) em função de um projeto familiar e viu na região a oportunidade de atuar, principalmente, com um público brasileiro crescente no país. Ela fala sobre sua trajetória como empreendedora e aponta tendências para a organização dos espaços nas organizações, considerando as mudanças que vêm acontecendo nos mercados de trabalho e consumo.

 

Sincodiv-SP Online: Antes de entrarmos no tema do design de interiores para empresas, pode compartilhar um pouco das diferenças e obstáculos para se empreender nos Estados Unidos na área de Design de Interiores?

Silvana Borges: Trabalhar em um país diferente significa necessariamente estar disposto a aprender. Nos EUA, o regramento para se construir e modificar os imóveis é bem diferente do brasileiro, então avalio que compreender toda a questão burocrática para viabilizar os projetos foi complicado no início, mas necessário.

Depois, veio o desafio para estabelecer uma rede de fornecedores de produtos e serviços. No entanto, o comprometimento das empresas com as entregas e eventuais substituições é a parte positiva, pois as organizações são bastante profissionais.

Dentre as diferenças, posso citar o volume de compras via internet. No país, o mercado online de móveis e itens de decoração, por exemplo, é robusto, muito mais do que no Brasil. Então, trata-se de uma cultura de consumo diferente e já estabelecida no país.

Por fim, e não menos importante, é a forma de trabalho. Nos Estados Unidos, partimos de um orçamento para, então, apresentar um projeto, que inclui tudo: do desenho à entrega do imóvel pronto para o uso (comercial ou residencial). A meu ver é uma maneira mais objetiva de se trabalhar, embora seja desafiadora para o prestador de serviço.

 

Sincodiv-SP Online: No universo corporativo, o design de interiores ganhou espaço por imprimir personalidade às organizações e propor modelos de interação entre os profissionais. Quais áreas do negócio devem estar envolvidas no desenvolvimento de um plano para os ambientes?

Silvana Borges: Na ocasião da elaboração de um projeto para uma empresa que ocupa 12 andares de um prédio, fiz entrevistas com 25 profissionais de diferentes áreas para entender todo o funcionamento do negócio. E essas conversas foram essenciais!

Conhecer as áreas e os cargos existentes, incluindo a ligação entre os setores é fundamental para que seja possível planejar os espaços e posicionar as equipes e suas lideranças de forma estratégica. Então, avalio que ter acesso às pessoas é o meio pelo qual o profissional de design de interiores conseguirá propor ideias para melhorar a qualidade dos ambientes em prol de resultados.

A preocupação com o tratamento acústico e de iluminação dos locais é outro fator relevante, além da utilização de cores para que haja a proposição de diferentes sensações nas pessoas que circulam entre os locais.

Por exemplo, se a empresa conta com uma equipe voltada para trabalhar com contatos telefônicos deve ter uma área reservada para esse time, separada do restante, possibilitando que os profissionais possam falar à vontade e essas conversas não atrapalhem o trabalho das demais áreas.

Já lideranças devem ser posicionadas em pontos com uma boa visibilidade de suas equipes, tanto para que possam ver a todos, como serem vistas por todos. Para elas, deve haver também a previsão de espaços com maior privacidade.

 

Sincodiv-SP Online: Tem-se questionado a efetividade de escritórios sem paredes, onde todos ficam reunidos em um único espaço. Qual sua opinião sobre esse conceito de convívio?

Silvana Borges: Não haver parede alguma nos locais de trabalho, a meu ver, não é a solução ideal. É verdade que a comunicação eletrônica interfere em favor do silêncio, pois atualmente as pessoas usam aplicativos de trocas de mensagens de texto o tempo todo, mas a relação entre as pessoas em uma empresa não se restringe a isso.

Compreendo que a privacidade deve ser preservada para que se encontre conforto no local de trabalho. Áreas reservadas para uso de telefone pessoal e salas de reunião com diferentes capacidades de ocupação são importantes neste sentido.

O que não se pode é generalizar, pois as necessidades das empresas são distintas, não apenas pelas diferentes áreas de atuação, como também pela cultura de convívio que cada uma quer propor.

 

Sincodiv-SP Online: O que é tendência na área de design de interiores para empresas?

Silvana Borges: O uso do desktop, computador de mesa, vem sendo amplamente substituído por laptops, portanto, as estações de trabalho, antes fixas, podem ser repensadas. Essa é uma tendência já em curso em empresas da área de tecnologia, como Google e Microsoft, mas que também reflete a adequação ao novo perfil de profissional que as empresas buscam.

A ideia de tornar os escritórios mais acolhedores e confortáveis está relacionada com a proposta de criar ambientes em que as pessoas se sintam mais descontraídas e dispostas a permanecer. Faz parte de uma estratégia para atrair e reter profissionais.

 

Confira a segunda e última parte da entrevista: Bate-papo sobre o futuro dos escritórios e outros ambientes comerciais com Silvana Borges, designer de interiores radicada nos EUA – PARTE 2

 

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