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Seção Entrevista
13/06/2019 - 10:07:23
Bate-papo com Juliana Motter, criadora do primeiro ateliê de brigadeiros gourmet, Maria Brigadeiro – PARTE 2
Por Mirella Freitas e Juliana de Moraes
Divulgação

Sincodiv-SP Online: Fazer doces é uma arte. Como funciona a contratação de funcionários de confeitaria? Você se atenta em contratar profissionais já atuantes na área ou procura fazer um treinamento?

Juliana Motter: Costumo dizer que contrato profissionais que gostem de brigadeiro e que o respeitem como algo simbólico. Não precisa ser necessariamente um expert em confeitaria, mas tem que ter paixão pelo doce! Trabalho em equipe e ter disposição e felicidade durante o expediente são um diferencial.

Aqui na Maria Brigadeiro, fazemos um treinamento diferenciado. Nossos funcionários precisam ter familiaridade com as máquinas que auxiliam nossos processos da produção desse doce tradicionalmente artesanal. Além disso, a maior parte da montagem dos brigadeiros é feita manualmente ainda, desde enrolar o doce até as raspas que serão a decoração. Então, trabalhamos com um treinamento de período longo, até que os funcionários de adequem bem ao nosso ateliê.

 

Sincodiv-SP Online: Em outras situações, você comentou que num momento de sucesso da loja, fez-se necessário repensar a gestão. Qual foi esse momento?

Juliana Motter: Esse momento aconteceu por conta da alta demanda. O ateliê era pequeno e não possuía uma quantidade grande de funcionários; chegava a formar filas enormes em frente à loja, no bairro de Pinheiros – em São Paulo -, e me sentia totalmente despreparada para a quantidade de pessoas. Por isso, precisei fechar as portas por alguns meses para aprender os macetes do mundo dos negócios.

Grande parte do meu caminho com as boutiques foi sozinha. Sempre que tentava me associar a pessoas do mercado, eles me levavam para um caminho diferente daquele que minha intuição dizia para seguir. Eles me diziam que eu deveria ampliar meu negócio, ter uma rede de lojas; mas não queria o dinheiro, sempre quis a qualidade em primeiro lugar.  

Ou seja, no final das contas, aprendi as partes de administração e gestão com cursos e atividades online. Fui atrás de consultores que puderam me dar uma luz sobre como equilibrar qualidade e crescimento e visitei diversos produtores de chocolate em outros estados para aperfeiçoamento e um melhor controle dos custos do meu negócio.

 

Sincodiv-SP Online: Foi nessa fase de pesquisa que incluiu o chocolate entre os produtos da marca?

Juliana Motter: Sim! Foi durante essas visitas que conheci o cacau e me interessei pela produção de chocolate. Até então, utilizava em minhas receitas o chocolate importado da Bélgica, que por ter se popularizado na época, era mais fácil de encontrar, mas o preço era um fator crítico.

Ao visitar uma fábrica localizada no interior da Bahia que plantava cacau e exportava a matéria prima processada para outros países, vi que era possível mudar o produto base para produção meu brigadeiro e investir também na produção de um chocolate de excelente qualidade.

Hoje, a Maria Brigadeiro produz e trabalha com o próprio chocolate, 100% brasileiro.

 

Sincodiv-SP Online: Outro método de vendas dos doces é pelo site oficial da Maria Brigadeiro. A venda presencial é um meio relevante para a loja ou venda via online garante boa parte das vendas?

Juliana Motter: A criação do site é resultado da demanda de alguns clientes. Mas em geral, as vendas físicas funcionam melhor para o meu negócio.

Além da loja (e fábrica) em Pinheiros, recebi o convite para a abertura de uma unidade no Shopping JK, que reúne diversas marcas de referência. Queriam levar para o local um ponto de venda de doces diferenciado e, embora tenha ficado insegura num primeiro momento para aceitar, acabei recebendo o convite como uma chancela para a proposta da Maria Brigadeiro, já que coloco a qualidade como item de primeira importância.

O horário de almoço é que mais atrai clientela para as lojas. Já as vendas pelo site são para pedidos que não são tão urgentes ou para clientes de outros estados.

 

Sincodiv-SP Online: Atualmente, quais são os maiores desafios enfrentados pela empresa?

Juliana Motter: Muitas pessoas me perguntam se não vejo como uma concorrência outras fábricas ou empresas copiarem meu padrão de produção. E eu digo que não porque cada um tem sua história e, automaticamente, sua fonte de inspiração.

Se eu sou a fonte de inspiração de algumas pessoas, isso é ótimo, pois firma meu maior objetivo que é abrir esse novo olhar que tenho sobre o brigadeiro e compartilhar com todos que também veem essa oportunidade.

Como Maria Brigadeiro, meu maior desafio é sempre estar atenta a inovações para não ficar para trás nesse mercado, oferecendo novidades de forma permanente, seja nas épocas de festas ou pelo lançamento de edições limitadas de variedades de brigadeiros e chocolates.

 

Sincodiv-SP Online: O que move a Juliana Motter, e consequentemente, a Maria Brigadeiro, afinal?

Juliana Motter: Minha motivação é sempre fazer um brigadeiro melhor. Estou sempre perseguindo a qualidade. E levo comigo essa vontade do brigadeiro ter mais reconhecimento e fazer parte da vida das pessoas não apenas como um doce de festas.

O que me move é poder contribuir mais para esse mercado que vem crescendo para o brigadeiro, mas sempre respeitando a tradição do doce que é uma "marca registrada" do país.

 

Produção e edição

 

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