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Seção Entrevista
21/08/2019 - 12:46:54
Bate-papo com Sergio Tufik, médico fundador do Instituto do Sono em São Paulo – PARTE 2
Por Silvia Pimentel e Juliana de Moraes
Divulgação

Sincodiv SP Online: Afinal, insônia é considerada doença? O que a caracteriza do ponto de vista médico?

Sergio Tufik: A insônia é considerada, sim, uma doença e acomete com mais frequência as mulheres. Há três tipos de insônia. Há pessoas que têm dificuldade para iniciar o sono. Outras, iniciam bem o sono, mas acordam no meio da noite e não conseguem mais dormir.

Os casos mais complicados são aqueles em que o indivíduo simplesmente não consegue dormir em nenhuma fase da noite. Se o problema persistir por semanas, é hora de procurar ajuda.

Atualmente, há hipnóticos para todas essas possibilidades. Há remédios só para iniciar o sono. Há drogas específicas só para quem acorda no meio da noite. E há hipnóticos que duram a noite toda, para segurar pelo menos de 6 a 8 horas de sono.

Estamos muito desenvolvidos nessa área. Melhorou muito a vida de quem tem problemas relacionados ao sono graças à evolução dos estudos sobre o assunto e medicações para as diferentes situações.

 

Sincodiv SP Online: Das causas preponderantes para a insônia, prevalecem os fatores comportamentais ou fisiológicos?

Sergio Tufik: Ambos os fatores são causas e muito importantes. Preocupações, por exemplo, tiram o sono de qualquer pessoa, assim como o desequilíbrio dos hormônios atrelados ao sono.  

O que observamos é que a insônia é mais comum entre as mulheres, e muito por conta da variação hormonal. Elas enfrentam uma montanha russa entre estradiol e progesterona, hormônios ligados ao processo reprodutivo, com variações de humor e estresse. E sono, definitivamente, não combina com o estresse, seja do homem ou da mulher.

A apneia é outro distúrbio importante relacionado ao sono, que vale ser destacado, mas bem mais comum nos homens. As mulheres, no entanto, também podem ser afetadas pelo problema na fase da menopausa, pois perdem a proteção dos hormônios femininos sobre o sistema respiratório.

 

Sincodiv SP Online: De que forma a má qualidade do sono afeta o desempenho no trabalho?

Sergio Tufik: A falta de sono impacta a produtividade das pessoas pelos desequilíbrios provocados em várias partes do organismo. Quem não consegue pensar bem, não consegue produzir.

Há empresas que demitem funcionários pelo fato de estarem sonolentos com frequência ou dormirem durante o trabalho. No mundo corporativo, tais comportamentos são vistos com maus olhos, quando, na verdade, podem estar relacionados a algum distúrbio, que pode ser tratado e resolvido.

 

Sincodiv SP Online:  Há, no Brasil, estatísticas relacionadas aos distúrbios ligados ao sono?

Sergio Tufik: Temos quatro estudos epidemiológicos feitos na cidade de São Paulo e dois no Brasil. Em 2007, foi realizado o mais importante estudo sobre o assunto, com a participação de mais de mil pessoas no laboratório do Instituto do Sono para a realização do exame de polissonografia. E fizemos uma grande descoberta. Os norte-americanos haviam publicado que a apneia acometia de 2% a 4% da população. Estavam errados.

Nossos estudos mostraram que o problema atinge 32,9% da população, ou seja, um terço da população tem apneia, que acomete mais os homens do que as mulheres. A apneia é um dos mais graves distúrbios do sono, que leva à interrupção da respiração por alguns segundos durante a noite, afetando o sistema cardiorrespiratório.

 

Sincodiv SP Online: Quais as recomendações para que as pessoas estabeleçam uma rotina que favoreça boas noites de sono?

Sergio Tufik: Existem algumas rotinas que podem ser adotadas em prol do sono. Estabelecer horários regulares para dormir e acordar, evitar o uso de álcool ou café próximo ao horário de dormir, ter uma alimentação leve e saudável principalmente à noite.

Chamo também atenção para a luminosidade. A sensação de sono precisa da monotonia, de luz baixa. Aliás, o excesso de luz artificial, hoje, é um grande problema. É preciso diminuir a quantidade de luz para liberarmos a melatonina (hormônio do sono) no organismo.

No passado, esse mecanismo funcionava bem, pois acordávamos com o sol, que bloqueia a melatonina. Ao escurecer, o nível desse hormônio subia naturalmente e dormíamos. A luz artificial acabou com essa normalidade. É preciso reduzi-la durante a noite para permitir que o nosso metabolismo naturalmente consiga "trabalhar" a favor do sono.

 

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