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Seção Reportagem
01/04/2020 - 08:52:02
Bate-papo sobre o aumento do uso comercial de drones no Brasil, com Raquel Molina, sócia da Futuriste - PARTE 2
Por Silvia Pimentel e Juliana de Moraes
Divulgação/Sincodiv

Sincodiv-SP Online: Operador ou piloto de drones é uma profissão em ascensão no Brasil? Como é em outros países?

Raquel Molina: Com certeza. Em outros países com mercado muito mais consolidado, como os Estados Unidos e Austrália, os operadores possuem uma espécie de carteira de habilitação. Isso confere credibilidade ao mercado e acredito que o Brasil seguirá por esse caminho também. Quanto maior a exigência por profissionalização do mercado, mais o setor se desenvolve com players sérios e que exploram o melhor do equipamento, sem colocar as operações em risco.

Sincodiv-SP Online: Em sua carteira de alunos, são comuns os casos de profissionais que abandonaram suas atividades para entrar nesse mercado?

Raquel Molina: Sim. Já treinamos mais de 3 mil alunos e observamos um aumento da procura por treinamentos de pilotagem nos períodos mais críticos da crise. Atualmente, já possuímos diversos clientes que vivem da renda dos drones. Nossos instrutores, por exemplo, foram alunos da Futuriste. Temos também exemplos de alunos que foram contratados por empresas para operar o equipamento em suas unidades produtivas.

Sincodiv-SP Online: Quais setores usam mais a tecnologia e quais devem passar a usar com maior frequência? Há exemplos?

Os drones têm inúmeras finalidades, além de recreativas, e têm sido usados há mais tempo no setor agropecuário. Temos notado também um aumento bastante significativo nas áreas de engenharia, segurança e mineração. Vale lembrar que os drones podem carregar sensores diferenciados, como câmeras termais e multiespectrais, possibilitando uma infinidade de diagnósticos.

Até mesmo entregas podem ser realizadas por meio de drones, principalmente para transportes internos na empresa, como por exemplo, de equipamentos. É importante ressaltar que novas aplicações podem ser customizadas, sempre que forem obedecidas as regras da regulamentação vigente.

Sincodiv-SP Online: Quantas empresas atuam nesse mercado e quais são os setores mais disputados e rentáveis atualmente? Quais são os principais desafios e dificuldades enfrentadas por empreendedores que decidiram ingressar no mercado?

Por ser um mercado ainda emergente, não temos dados oficiais sobre o setor. Mas pode-se dizer que, apesar disso, é um segmento muito bem regulamentado, com regras de procedência internacional. Na minha opinião, o principal desafio para quem ingressar no mercado, que também pode ser encarado como uma oportunidade, é a falta de conhecimento dos clientes sobre os benefícios reais que os equipamentos podem oferecer em vários sentidos.

A falta de conhecimento é bastante comum em mercados disruptivos, em que a inovação tecnológica rompe com padrões e modelos já estabelecidos. Acredito que a profissionalização dos pilotos e a maturidade do mercado irão amenizar essas questões com o tempo. 

Sincodiv-SP Online: Qual o preço médio de um drone? O valor é acessível?

Raquel Molina: O valor de um equipamento depende do modelo e da finalidade de uso. Um drone do tipo asa fixa, por exemplo, usado para monitorar grandes áreas, como uma plantação, pode custar R$ 80 mil. Já um equipamento menor para uso comercial, mas que possui muita tecnologia embarcada e atende a maioria das aplicações, pode ser comprado por R$ 10 mil.

Sincodiv-SP Online: Você acredita que a área de logística (serviços de transporte e entrega de mercadorias) tende a ser um mercado relevante para o segmento de drones? Como enxerga o futuro?

Raquel Molina:  Sem sombra de dúvida. Na Austrália, por exemplo, já existem rotas traçadas para que os drones façam entregas. No Brasil, tivemos experiências pontuais com a indústria farmacêutica envolvendo a entrega de medicamentos. Acho que caminhamos para, no futuro, termos centros de distribuição de drones, em que produtos e mercadorias serão entregues por meio desses equipamentos até o ponto de distribuição mais próximo e a entrega será realizada em formato last mile (última milha), que seria o percurso final de entrega do produto: do centro de distribuição para  o cliente. 

 

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