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Seção Entrevista
26/07/2012 - 10:20:08
PARTE II - Bate-papo com Paulo Yazigi Sabbag, professor da FGV criador da Escala de Resiliência Sabbag
Por Talita Marques e Juliana de Moraes

 

Sincodiv-SP Online: Como o senhor acha que é possível transformar a habilidade de uma pessoa em se recuperar de adversidades? A resiliência é um fator que pode ser desenvolvido ou é um traço de personalidade?

 

Paulo Yazigi Sabbag:Talvez você, como eu, conheça pessoas que enfrentaram com galhardia uma grave adversidade ou desafio e, depois disso, tornaram-se pessoas melhores, mais maduras e aptas. Não é tão raro.

 

Se é viável aprender com as crises que passamos, há a possibilidade de aprender com disciplina e um repertório de técnicas adequadas a cada fator da resiliência. Ninguém precisa esperar pela próxima crise para aprender a viver melhor e com mais resiliência.

 

Sincodiv-SP Online: Existem acontecimentos político-sociais da atualidade que marcaram, para o senhor, uma necessidade maior de superação por parte do mundo corporativo?

 

Paulo Yazigi Sabbag:Em meu livro, que será publicado em novembro, eu avalio o contexto contemporâneo daquilo que chamo de “sociedade do conhecimento”. Esse padrão de organização envolve o conhecimento acelerado, a ansiedade por informação, a maior frequência de crises envolvendo problemas que nunca antes a humanidade precisou enfrentar.

 

Na reorganização do trabalho, a sociedade do conhecimento gera um significativo desemprego estrutural e muda a estrutura e processos das organizações, agora altamente informatizadas. É nesse contexto que defendo a necessidade de maior resiliência de indivíduos e de organizações. É claro que os sistemas e os processos organizacionais estão sendo transformados, o que deve resultar em maior resiliência no futuro.

 

A dinâmica, entretanto, pode estar ocorrendo com muita lentidão diante da crise mundial conjuntural iniciada em 2008. Por isso, defendo uma solução pragmática: precisamos reforçar a resiliência dos dirigentes das organizações para acelerar o processo e diminuir a vulnerabilidade diante dos novos desafios que se colocam a cada dia.

 

Sincodiv-SP Online: Somos resilientes desde a infância? Como isso acontece?

 

Paulo Yazigi Sabbag:Desconheço evidências científicas que estudem a variação de resiliência ao longo da vida de um indivíduo, mas especulo se seria possível tanto dinamismo e aprendizagem de uma criança ou jovem caso não dispusessem de resiliência pelo menos moderada.

 

A educação, seja no âmbito familiar, escolar ou na “escola da vida”, parece ter um efeito nocivo sobre muitos indivíduos, que perdem resiliência e passam a viver recolhidos, sem iniciativa, ou vulneráveis às contingências que lhes acometem.

 

O que sabemos, fruto de pesquisa, é que a resiliência é fator relevante para o bem-estar dos idosos, apesar de suas limitações físicas.

 

Sincodiv-SP Online: E ser resiliente demais, é um problema?

 

Paulo Yazigi Sabbag:Resiliência elevada não produz super-heróis, nem é algo do qual alguém possa se gabar. Indivíduos arrogantes, autossuficientes, sociopatas e narcisistas não vivem melhor que os de elevada resiliência.

 

Prefiro os indivíduos “bambu”, que se vergam diante das adversidades, acumulando energia para retornar à posição anterior quando possível. Na mesma linha, opto pela flexibilidade e resistência em vez da força bruta.

 

Acredito mais na flexibilidade mental do que na convicção arrogante. Aprecio o otimismo aprendido em vez da positividade inconsistente, a temperança no lugar do destempero. É disso que trata a resiliência.

 

 

 

 

Produção e edição:
Moraes & Mahlmeister Comunicação

 

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