ESQUECI MINHA SENHA >
Sincodiv
ÍNDICE SINCODIV-SP ONLINE
Seção Entrevista
26/07/2012 - 09:43:14
Bate-papo com Paulo Yazigi Sabbag, professor da FGV criador da Escala de Resiliência Sabbag
Por Talita Marques e Juliana de Moraes
Foto: Divulgação "Para viver, devemos ser resistentes e flexíveis. A capacidade de superar problemas é um importante atributo no ambiente de trabalho."

 

Reconhecer a queda e não desanimar, como narra a canção de Paulo Vanzolini, tem tudo a ver com o vocábulo “resiliência” – por incrível que pareça. Na física, a definição tem a mesma essência, diz respeito à recuperação de um material até seu desenho original, após deformação elástica. Na ecologia não é diferente, fala de ecossistemas que voltam ao equilíbrio, suportando perturbações ambientais.

 

Professorda Fundação Getulio Vargas há 25 anos, Paulo Yazigi Sabbagé consultor e autor de livros sobre gestão do conhecimento e de projetos. São dele os louros da criação da Escala de Resiliência Sabbag, que mensura a subjetiva capacidade de um indivíduo de reagir – e sobreviver – a situações adversas, tendo como coluna vertebral nove predicados:autoeficácia, solução de problemas, temperança, empatia, proatividade, competência social, tenacidade, otimismo e flexibilidade mental.

 

Para viver, devemos ser resistentes e flexíveis. A capacidade de superar problemas é um importante atributo na vida e, por extensão, no ambiente de trabalho. Profissionais e empresas não devem sair dos trilhos diante de qualquer acontecimento desagradável ou mesmo em meio a turbulências econômicas.

 

Serão bem sucedidos aqueles que conseguirem “tirar de letra” situações indesejadas. A boa notícia, anuncia o professor Sabbag, é que tudo isso pode ser encarado preventivamente: “Ninguém precisa esperar pela próxima crise para aprender a viver melhor e com mais resiliência.”

 

Acompanhe a entrevista que o Sincodiv-SP Online fez com o professor.

 

Sincodiv-SP Online: Primeiramente, gostaria de saber como surgiu a ideia da criação da Escala de Resiliência Sabbag.  

 

Paulo Yazigi Sabbag:O tema despertou minha atenção há mais de dez anos, durante pesquisa de doutorado sobre enfrentamento de riscos e incertezas, ao identificar que alguns gestores de projetos lidavam melhor com crises e desafios do que seus pares. A partir dos atentados terroristas de 11 de setembro, as pesquisas sobre resiliência ganharam impulso nos Estados Unidos e em outros países, o que me motivou a estudar o assunto.

 

Havia, entretanto, um problema a contornar: o fato de só ser possível conhecer se uma pessoa dispõe de elevada resiliência no momento em que as adversidades e os desafios já estão instalados. Era preciso criar uma escala que permitisse aprimorar a resiliência antes mesmo da ocorrência de crises, traumas, perdas e tudo mais que acompanha as adversidades e os desafios.

 

Sincodiv-SP Online: Qual o perfil de empresas e profissionais que participaram de sua pesquisa sobre o tema?

 

Paulo Yazigi Sabbag:Fiz a enquete no final de 2009, com alunos de especialização em administração da Fundação Getulio Vargas de 61 cidades do Brasil. Coletei mais de 1300 questionários, o que permitiu fazer uma análise estatística robusta. Para montar o questionário, adaptei questões de escalas estrangeiras, além de criar questionamentos adequados à cultura brasileira.

 

Sincodiv-SP Online: Existem segmentos da economia em que a característica de resiliência está mais presente ou é mais exigida dos profissionais?

 

Paulo Yazigi Sabbag:Em tese, todas as profissões perigosas requerem resiliência. Em termos de organização, em todas as empresas há ameaças quanto à sustentabilidade, a desafios e a crises internas e externas. Já a resiliência organizacional, na maioria dos casos, provém de dirigentes com elevada resiliência. Além dessas lideranças, julgo relevante que empreendedores e gestores de programas e de projetos sejam muito resilientes.

 

Sincodiv-SP Online: Dos fatores analisados para se chegar ao resultado na Escala – autoeficácia, solução de problemas, temperança, empatia, proatividade, competência social, tenacidade, otimismo e flexibilidade mental –, qual (ou quais) o senhor considera ponto(s) nodal(is)?

 

Paulo Yazigi Sabbag:Cada fator carrega o escore em uma proporção diferente. Mas o notável é que, segundo as análises estatísticas que fiz, nenhum fator precede ou predomina sobre o outro. Por isso, prefiro dizer que eles formam um sistema, com alguns fatores afetando outros.

 

Por exemplo, se falta autoestima e autoeficácia, como um indivíduo pode ser proativo e tenaz?  Quando a empatia não está instalada, de que forma se supõe que um indivíduo tenha competência social para articular apoios em momentos difíceis?

 

Se a temperança dá espaço a emoções em excesso, como imaginar boa aptidão para a solução de problemas e para a flexibilidade mental?  

 

Sincodiv-SP Online: Como medir, de forma efetiva, o nível de resiliência dos profissionais?

 

Paulo Yazigi Sabbag:O objetivo da escala ERS é o de ajudar o indivíduo a compreender o seu escore global e os subescores, de modo que possa investir no aprimoramento dos fatores em que apresenta baixa pontuação.

 

Repetindo o uso da escala dois anos depois, por exemplo, seria possível avaliar se essas estratégias de autodesenvolvimento foram efetivas para ampliar o escore ou corrigir defasagens. É esse o uso que espero para a Escala.

 

 

Para ler a segunda parte da entrevista com Paulo Sabbag, clique aqui.

 

 

 

 

Produção e edição:
Moraes & Mahlmeister Comunicação