Anef aponta sólida recuperação no setor de crédito para veículos. Concessões superaram R$ 100 bilhões em 2017 
Por Juliana de Moraes  e Renan De Simone


Com a liberação de R$ 101, 1 bilhões pelo sistema financeiro para aquisição de veículos em 2017, numa alta de 22,9% sobre o ano anterior, o resultado superou as expectativas da direção da Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras). Foi a primeira vez, desde 2014 – quando o volume foi de R$ 111,2 bilhões –, que o montante destinado às operações de financiamento e leasing superou a marca de R$ 100 bilhões.

"Projetávamos liberar R$ 90,6 bilhões em 2017. Mas, depois de três anos de recessão, as vendas financiadas voltaram a crescer. Isso é reflexo da redução da taxa básica de juros e de outros indicadores econômicos, que garantem maior previsibilidade ao consumidor", afirma o presidente da Associação, Luiz Montenegro.

Perspectiva otimista para 2018

A expectativa da organização para 2018 é de que o mercado de crédito para a compra de veículos deverá manter a retomada dos negócios. "Nossa estimativa é de que o volume de recursos liberados cresça 15,1%, passando de R$ 101,1 bilhões para R$ 116,4 bilhões. Já o saldo de financiamento deverá ser de R$ 185,1 bilhões, aumento de 8,6%. Em 2017, o montante foi de R$ 170,5 bilhões".

Ainda de acordo com a liderança da Anef, está comprovado que os bancos de montadoras e instituições independentes possuem liquidez para atender a demanda do consumidor e oferecer crédito. Além disso, com a melhoria do cenário econômico, o brasileiro voltou a investir na aquisição de bens de maior valor agregado.

Queda dos juros

A redução da taxa média de juros contribui para elevar a procura pelo crédito. De acordo com o último balanço divulgado pela entidade, as taxas de juros praticadas pelos bancos de montadoras foram de 18,85% ao ano e de 1,45% ao mês – as menores desde dezembro de 2014.

Os índices cobrados pelas instituições independentes foram de 22,2% ao ano e de 1,68% ao mês – mais baixos do que os cobrados há três anos, que foram, pela ordem, de 22,3% e 1,69%.


Modalidades de pagamento

No ano passado, o CDC (Crédito Direto ao Consumidor) respondeu por 48% dos negócios fechados. Na sequência, veio o pagamento à vista, com 45% dos negócios realizados, seguido pelo consórcio (5%) e pelo leasing (2%). Já no segmento dos veículos pesados, o Finame (Financiamento de Máquinas e Equipamentos) foi responsável por 61% dos contratos, seguido pelo CDC (20%), compras à vista (10%), consórcio (6%) e leasing (2%).

Com 32% do volume de negócios, o consórcio deixou de ser a modalidade de crédito escolhida pelos compradores de motocicletas. As vendas financiadas foram responsáveis por 38% dos contratos e as compras à vista, por 30%.

Saldo das carteiras

A retomada da procura pelo crédito refletiu no aumento do saldo das carteiras. Em 2017, o total foi R$ 170,5 bilhões, alta de 4,8% na comparação com o ano passado, que foi de R$ 162,7 bilhões.

As operações de CDC responderam por R$ 166,8 bilhões, aumento 5,4% em doze meses. Os R$ 3,7 bilhões restantes referem-se ao leasing, que registrou queda de 1,59% em relação a 2016.

Negócios em dezembro

No último mês de 2017, o sistema financeiro liberou R$ 9,8 bilhões para os contratos de CDC, aumento de 3,9% na comparação com novembro e de 21,3% em relação ao mesmo período de 2016.

Do total citado acima, R$ 8,4 bilhões foram destinados às pessoas físicas, alta de 3,2% no mês e de 17,3% em doze meses. Para as pessoas jurídicas, foram liberados R$ 1,3 bilhão, crescimento de 8,5% na comparação com o mês anterior, e de 55% em relação ao mesmo período do ano passado.

Já para as operações de leasing, o volume concedido foi de R$ 222 milhões, alta de 46,1% na comparação com novembro, e de 37% em relação a 2016. O maior montante, de R$ 183 milhões, foi destinado às pessoas jurídicas, com aumento de 53,8% na comparação com novembro e de 47,6% com o mesmo período do ano passado.

Para as pessoas físicas, foram liberados R$ 39 milhões, crescimento de 18,2% em relação a novembro e de 2,6% na comparação com o mesmo período de 2016.

Inadimplência

Pelo terceiro mês consecutivo, a taxa de inadimplência nos contratos de CDC firmados pelas pessoas físicas manteve-se estável, em 3,8%. Na comparação com o mesmo período de 2016, a queda foi de 0,8 ponto percentual.

Entre as pessoas jurídicas, o índice de não pagadores foi de 2,7%, queda de 0,2 ponto percentual em relação a novembro e de 2,3 pontos percentuais em doze meses.

Nas operações de leasing, as taxas também entraram em curva decrescente: o percentual de pessoas físicas que deixaram de quitar os seus negócios foi de 2,3%, menos 0,1 ponto percentual que o registrado em novembro, e 1,5 ponto percentual inferior na comparação com o mesmo período de 2016. Entre as empresas, a taxa foi de 2,0%, recuo de 0,1 ponto percentual no mês, e de 1,6 ponto percentual em doze meses.

 

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