Artigo - Ponto de partida da Gestão Ambiental. Quais lixos e esgotos precisam de tratamento nas concessionárias de veículos?
Por Luiz Henrique Lopes Vilas*


Suthin Samankit por Pixabay

Área de vendas, oficina mecânica, funilaria e pintura, lavagem de veículos. Uma concessionária tem espaços para todas essas atividades e cada uma contempla diferentes aspectos a serem considerados para a gestão ambiental adequada, e assim evitar impactos ao meio ambiente, multas e até mesmo pena de detenção.

De nada adiantaria explicar os processos aos quais os gestores e técnicos devem estar atentos se não começarmos pela identificação dos resíduos e efluentes que devem receber tratamento. Por isso, o que pretendo neste primeiro artigo de 2020 é elencar os esgotos (efluentes líquidos) e resíduos (lixos sólidos) que devem ser alvo de um plano para armazenagem, tratamento e destinação adequados.

Saiba quais são e prepare-se para dar a correta destinação.

Efluentes líquidos domésticos

Como o próprio nome sugere, trata-se da água utilizada em sanitários e refeitórios. Esses efluentes devem receber o mesmo tratamento do esgoto doméstico.

Como regra, as tubulações desses locais estão ligadas à rede pública de esgoto, mas caso o lugar onde sua empresa está não possua ligação com um sistema provido pela administração governamental, deve ser adquirido um sistema para tratamento adequado dos efluentes.

Há empresas especializadas no fornecimento de soluções para que a água devolvida ao meio ambiente esteja devidamente tratada, sem risco de contaminação do solo, dos córregos e rios.

Efluentes líquidos de instalações de oficina

Diferentemente da água utilizada para as atividades semelhantes à de uma residência, os esgotos provenientes da lavagem de peças, veículos, pisos etc. são considerados potencialmente danosos ao meio ambiente.

Esse tipo de efluente deve ser drenado para Caixas SAO (Separadoras de Água e Óleo), sendo o resíduo oriundo da limpeza dessas caixas retirado e transportado por empresa especializada – cadastrada junto aos órgãos ambientais – para a destinação adequada. 

Em relação à água já separada do óleo, a regra é a mesma válida para os efluentes domésticos. Além disso, é aconselhável que seja feita periodicamente uma análise química do efluente que passa pelas Caixas SAO antes de lançá-lo na rede pública de esgoto ou ao sistema de tratamento local, a fim de verificar se estão atendidos os padrões estabelecidos pela legislação específica.

Emissões atmosféricas

Não é à toa que as atividades de pintura devem acontecer em cabines fechadas, especialmente projetadas para esse fim. Durante a execução do trabalho, gases particulados são liberados pelos sprays de tinta para pintura de veículos.

As partículas lançadas ao ar são classificadas como poluentes e precisam necessariamente passar por exaustores munidos de filtros. O procedimento é o que permite o controle das emissões atmosféricas, de acordo com as características dos poluentes gerados.

Resíduos sólidos

Nas concessionárias, os lixos com potencial de contaminação são, principalmente, borra de tinta, óleo contaminado, embalagens de produtos químicos, embalagens diversas, elementos filtrantes usados, estopas e panos sujos com óleo e graxa e solventes usados.

Há também baterias, pneus, plásticos, vidros, borrachas, madeira contaminada com óleo, serragem com óleo, latas, papel, papelão, sucata metálica, lâmpadas de vapor de mercúrio, lixo de varrição, lixo de restaurante etc.

Esses resíduos devem ser separados seletivamente, retirados e transportados para destinação também por empresa especializada.

O que diz a legislação ambiental?

A inobservância do tratamento adequado dos efluentes e resíduos fere o Artigo 60 da Lei Federal nº 9605 de 12/02/1998, podendo levar à pena de detenção de um a seis meses, além do pagamento de multas de valores na casa dos milhões.

Para poder trabalhar com os resíduos considerados potencialmente perigosos – caracterizados especialmente por todos aqueles utilizados nas oficinas -, as empresas devem obter autorizações especiais, como a Licença Prévia e/ou Licença de Instalação e/ou Licença de Operação dos órgãos de controle ambiental.

A contratação de companhias credenciadas para destinação de seus resíduos é outra exigência prevista pela legislação fundamental para o sucesso da gestão de efluentes líquidos e resíduos gerados pelas atividades do negócio.

Agora que você já sabe identificar e classificar todos os lixos e esgotos provenientes da atividade de sua empresa, vamos avançar no tema ao longo dos próximos meses, explicando requisitos exigidos das instalações, a relevância do acompanhamento da legislação em função das alterações no decorrer do tempo, assim como a atenção às diferenças existentes nas regras entres estados e municípios do país.

*Luiz Henrique Lopes Vilas é economista (UFJF), mestre em Meio Ambiente e Sustentabilidade (FUNEC) e doutor em Business Administration (FCU-Flórida/USA). Professor da Universidade Fenabrave, é presidente da Ouro Verde Meio Ambiente e Negócios Sustentáveis (www.ovma.com.br), especializada em meio ambiente no setor automotivo desde 2002. Fundador da Startup AutoVerde - Responsável Ambiental, criou uma plataforma pioneira no monitoramento e gestão ambiental de concessionárias de veículos. Já participou de mais de 800 consultorias, projetos e avaliações ambientais de concessionárias de veículos em todo Brasil.

 

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