Bate-papo com Juliana Motter, criadora do primeiro ateliê de brigadeiros gourmet, Maria Brigadeiro
Por Mirella Freitas e Juliana de Moraes


Divulgação

Desde a década de 40, o brigadeiro é um dos elementos principais das festas de aniversário no Brasil. Com a candidatura à Presidência de Brigadeiro Eduardo Gomes, em 1945, o doce, criado por um grupo de mulheres paulistanas a favor do candidato, se tornou peça chave nas festas que o promoviam ao cargo de presidente da República. 

O militar não foi eleito, mas, definitivamente, o brigadeiro foi. Caiu no gosto de crianças e adultos, tornando-se popular em todo o país. A empreendedora Juliana Motter, no entanto, enxergou um possível potencial de negócio gourmet no que era considerado apenas um doce suculento para os brasileiros.

Jornalista e doceira, Juliana abriu a primeira loja de brigadeiros gourmet do Brasil, na cidade de São Paulo, em 2007, trazendo um novo olhar para o doce típico do país. Hoje, com duas boutiques na capital, ela conseguiu atrair uma clientela exigente, que valoriza a experiência do sabor que remete à infância, somada à sofisticação de ingredientes originais, como limão siciliano, pistache, caramelo, entre outros. Tudo isso apresentado em embalagens originais e divertidas, que completam o sentimento de que o produto é especial.  

"Minha ideia não é elitizar o brigadeiro, mas sim colocar uma nova perspectiva sobre ele e ajudar as pessoas a enxergarem o doce como algo digno da gastronomia brasileira, não apenas um ‘adereço’ à nossa culinária", afirma.

A seguir, confira a íntegra do bate-papo do Sincodiv-SP Online com Juliana, criadora e gestora da marca especializada em brigadeiros Maria Brigadeiro.

 

Sincodiv-SP Online: Quem foi sua fonte de inspiração para a dedicação ao empreendedorismo?

Juliana Motter: Minha avó foi a maior inspiração para mim. Ela foi a grande influenciadora do meu negócio! Quando era pequena, eu costumava observar e admirava suas façanhas na cozinha, e foi com ela que aprendi a fazer brigadeiro aos seis anos.

Adorava passar o tempo a observando na cozinha porque além do cheiro maravilhoso que impregnava a casa inteira, conseguia ver sua paixão e carinho enquanto fazia suas melhores guloseimas.

 

Sincodiv-SP Online: Seus brigadeiros fazem sucesso desde quando os distribuía como presentes para amigos. A ideia de transformar a Maria Brigadeiro, seu apelido de infância, em nome da boutique teve qual intenção?

Juliana Motter: O nome Maria Brigadeiro surgiu na época em que eu levava os brigadeiros que fazia para alguns colegas de turma e para confraternizações da escola.

A verdade é que toda a inspiração para o negócio veio dessas minhas memórias de infância que tanto me davam prazer. Então, com o nome da empresa não poderia ser diferente, pois esse era o sentimento que eu tinha a intenção de levar para as pessoas por meio do doce.  

 

Sincodiv-SP Online: Você estudou Jornalismo, mas optou por transformar em carreira o que foi seu hobby durante anos. Como você relacionou sua antiga profissão com a paixão por doces?

Juliana Motter: O Jornalismo me auxiliou na forma como deveria me comunicar e estabelecer relações tanto com os produtores quanto com os clientes, além implantar em mim uma visão crítica em relação a vários assuntos, não apenas a culinária brasileira.

Foram mais de 10 anos de profissão até finalmente conseguir reunir a coragem e confiança o suficiente de largar todo um currículo e me especializar naquilo que mais amava fazer.

 

Sincodiv-SP Online: Se sua paixão sempre foi pela área da Gastronomia, por qual motivo escolheu o Jornalismo?

Juliana Motter: Estudei Jornalismo mais por um desejo de minha mãe do que meu. Ela sempre dizia que não era preciso ser feliz numa profissão; precisava-se apenas trabalhar. Não havia escolas de Gastronomia naquela época, então acabei me levando pela sugestão dela.

Foi uma boa experiência, mas hoje posso dizer que valeu apostar naquilo que realmente me fazia feliz! E por meio da profissão que eu amo, realizei um sonho dela.

Ela me dizia que seu maior sonho era me ver no Programa do Jô, apresentando um livro escrito por mim. E digo que realizei o sonho de minha mãe por meio da concretização do meu! De fato, escrevi um livro sobre a arte de fazer brigadeiro e essa empreitada acabou me levando ao Jô Soares.  

Em "O Livro do Brigadeiro", apresentei toda a história do típico doce brasileiro, a minha relação com o brigadeiro e a ideia de torná-lo algo digno da Alta Gastronomia, além de trazer receitas e dicas sobre como fazer um brigadeiro gourmet perfeito.

Por conta da obra e da empreitada original na criação do primeiro ateliê do brigadeiro no país fui convidada para participar do Programa do Jô e relatar a minha aventura desde a época em que fazia brigadeiros durante as madrugadas em meu apartamento – e deixava uma vizinha maluca pelo barulho das panelas.   

 

Sincodiv-SP Online: As embalagens de seus produtos têm um papel importante na comunicação de sua marca?

Juliana Motter: Entendo que sim. Uma das embalagens que marcou meu início da história com a Maria Brigadeiro foi a marmita – pequenos potes de alumínio com tampa quadrada – já que minha avó fazia muitas para meu avô que trabalhava na cidade, um pouco longe da fazenda onde moravam. Quando menor, via bastante esses preparos e isso acabou ficando guardado em minha memória. Foi uma das primeiras embalagens que surgiram no ateliê.

Mas cada embalagem tem, em si, um significado e quer transmitir uma mensagem. Um exemplo divertido é a TPM Alívio, uma caixinha em formato de embalagem de remédio. E a ideia surgiu de brincadeira que fiz com uma amiga. Como se diz popularmente, falei para que ela comesse alguns chocolates para passar a dor causada pela cólica. A sensação de prazer que o chocolate proporciona traz alívio como um remédio, daí brincamos com a embalagem, que apresenta o produto de uma forma bem-humorada e traz um significado ainda maior para ele.  

Então, nas embalagens, procuro sempre um formato que mais pareça um presente do que uma caixa normal. Meu objetivo é que cada cliente saiba o quanto é especial fazer parte da história da Maria Brigadeiro.

 

Sincodiv-SP Online: Uma das coisas que mais se destacam em seus doces, são os métodos que utiliza desde a fabricação de chocolates até a montagem. Isso você conseguiu graças a cursos de confeitaria os quais você participou?

Juliana Motter: Para aprimorar meu conhecimento, fiz cursos de Gastronomia. Isso aconteceu quando estava trabalhando no Grupo Abril. Na época, eu escrevia sobre culinária e perguntei ao meu chefe se existia alguma maneira de fazer um curso para apresentar o conteúdo sobre o tema de forma mais fundamentada e coerente. E ele topou!  

Como as faculdades de Gastronomia eram muito recentes naquela época, a maioria das aulas e ensinamentos eram voltados para a gastronomia internacional. Foi nesse momento que aprendi diversas receitas e técnicas, e comecei a incrementar meus brigadeiros.

Uma curiosidade: por conta das diversas receitas que aprendi, a Maria Brigadeiro já chegou a ter 40 tipos de sabores. Mas, hoje limitei apenas a 10 sabores para manter a qualidade e imprimir uma marca, não apenas apresentar uma variedade de sabores.

 

Confira a segunda parte da entrevista: Bate-papo com Juliana Motter, criadora do primeiro ateliê de brigadeiros gourmet, Maria Brigadeiro – PARTE 2

Produção e edição

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